terça-feira, 31 de julho de 2012

Como dizia o Dr. Bob...


Como dizia o Dr. Bob...
(Dr. Bob e os Bons Veteranos, pág. 232)

Oscar W., um membro de Cleveland com 29 anos quando ingressou em A.A., lembrou-se quando falou em sua primeira reunião, e de um dos veteranos lhe ter dito: "Quando você é novo, deve tirar o algodão dos ouvidos e enfiá-lo na boca. Sente-se e escute!"

Então Dr. Bob se levantou e disse para Oscar: "Isso mesmo,filho, escute. Mas observe e veja o que o homem faz, assim como escuta o que ele diz."

"Depois de estar em A.A. por alguns meses", continuou Oscar, "solicitei por escrito minha demissão e entreguei-a para Dr. Bob. Ele a leu e não riu." Então me olhou e disse: "Bem, você está agindo corretamente". Depois, instruiu-me a ir ao May- Flower Hotel comprar uma garrafa de uísque, tomar alguns bons goles, depois tampar a garrafa. "Se conseguir ficar lá alguns dias sem tomar outro gole, você não precisa de nós". Pensei: "Não existem garrafas e nem dias o suficiente". Mas não lhe disse.

"Vou lhe dizer o que faremos", disse Doc. "Guardaremos para você um pouco de aveia a granel e um pouco de palha no celeiro, porque, com certeza, voltará."

Ele estava certo. Seis meses depois, estava de volta.

"Quando foi publicado o artigo de Jack Alexandre (no Saturday Evening Post), em 1941, trabalhei com cerca de 17 recém-chegados", contou Oscar. "Ajudei-os a pagar o aluguel, levei-lhes comida e carvão e os ajudei a conseguir trabalho. Todos ficaram bêbados."

Fui até Akron e reclamei para Dr. Bob, que me disse: "Você estava fazendo isso para si mesmo e eles fazendo um favor."

"Mas estou ajudando a eles."

"Não", disse ele. "Esses homens lhe mostraram o que acontecerá se você beber. Fizeram-lhe um favor. E quando não bebem, mostram a você como o programa funciona. Das duas formas, eles lhe fazem um favor."

Outra citação do mesmo estilo, atribuída a Dr. Bob por Ernie G., o segundo, foi: "Existem dois tipos de pessoas que se deve observar em A.A. os que conseguem e os que não."

VIVÊNCIA N.° 55 SET/OUT. 1998

Reflexões Diárias de A.A.: 31/07


31 DE JULHO
UMA ORAÇÃO PARA TODAS AS ESTAÇÕES

“Concedei-nos, Senhor, a  Serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos, e  Sabedoria para distinguir umas das outras.
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES,  p. 112
    O poder desta oração é irresistível na sua beleza simples, e comparável à Irmandade de A.A. Há ocasiões em que me sinto empacado  enquanto a recito, mas se examino o motivo que está me aborrecendo, encontro a resposta ao meu problema. A primeira vez que isto aconteceu eu fiquei assustado, mas agora a uso como uma ferramenta valiosa. Aceitando a vida como ela é, ganho serenidade. Agindo, ganho coragem e agradeço a Deus pela capacidade de distinguir entre situações que posso decidir e aquelas que devo entregar a Deus.
    Tudo que tenho agora é dádiva de Deus: minha vida, minha utilidade, meu contentamento e este programa. A serenidade me possibilita continuar caminhando.
    Alcoólicos Anônimos é a maneira mais fácil e suave.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Aqui é onde está o poder...


Aqui é onde está o poder...

Há cinco anos, estava sentado ao lado de um moço bonito, mas emocionalmente em frangalhos - um novato que viera para sua primeira reunião aberta de A.A.

Quando chegou a hora de encerrarmos a reunião da maneira costumeira (O Pai-Nosso e a Oração da Serenidade), ele mostrava-se visivelmente tocado pelo conteúdo emocional da reunião. Caiu em prantos antes do final da oração, com grandes soluços entrecortados. Ao final da prece, agarrou minha mão com toda a força e procurou explicar por que chorava. Eu próprio estava sóbrio há apenas seis meses, e tentei explicar para ele, por entre minhas próprias lágrimas, que não havia necessidade de explicação, que isso acontecia muito nas reuniões de A.A. Ele disse então algo que nunca esquecí, ao erguer nossas mãos juntas: "Aqui é onde está o poder." Foi uma coisa que me arrepiou naquela hora, e ainda me arrepia hoje, e espero que continue assim enquanto eu viva, e sóbrio.

Muitas vezes, em anos recentes, quando me senti para baixo, incomodado, e precisando de uma levantada, ia a uma reunião e sentia aquele poder. É espantoso como a minha perspectiva muda (a meu respeito e a respeito das minhas preocupações), quando me sento nas salas enfumaçadas e escuto outras pessoas falarem sobre o dia delas, suas vidas, sua sobriedade. Nunca falha esse poder quieto e singelo. Ergue-me e me puxa para fora de mim, e me reassegura que, só por hoje, as coisas (e eu) vamos melhorar - se conseguir passar por cima de mim.

Durante todo o inverno passado, não consegui ir a muitas reuniões, e apesar de ter um monte de desculpas - falta de dinheiro, de carro ou autorização, lá no fim do mundo, com a reunião mais próxima à distância de uns quinze ou vinte quilômetros - a verdade é que eu estava sentindo pena de mim e extremamente fora de contato com o Poder restaurador.

As coisas pioraram antes de melhorarem. Houve ocasiões em que engoli meu orgulho com relutância e, em quieto desespero, liguei para alguém e lhe pedi que me levasse a uma reunião. Ficava sentado lá, enrolado e miserável, esperando que alguma coisa acontecesse, esperando pela confirmação de que tudo (e eu) estaríamos bem. Às vezes, essa assertiva não vinha (ou eu não a escutava) e então saía sentindo-me pior (ou pensando que me sentía assim), e me perguntava se A.A. ainda estava funcionando. É claro que funcionava, eu é que não. Semana passada, fui a uma nova reunião ao meio dia, que ajudei a começar na cidade onde agora trabalho. Sabia que estava precisando de algum calor, de gentileza e de senso comum, e realmente nutria esperança por alguma coisa naquele dia. Havia seis de nós alí - e apesar de o tema ser "tomar a culpa para sí", cobrimos uma gama de emoções e sentimentos que começaram e terminaram com amor.

Foi uma ótima reunião e, advinhem se, quando encerramos da maneira de sempre, não houve aquelas lágrimas, os arrepios e o poder - igualzinho como eu me lembrava. Depois de todos os beijos e abraços, acho que saí flutuando da sala, na minha pequena nuvem particular. Não me sentía tão bem há meses, e fico tão grato pela lembrança que "aqui é que está o poder". Não está apenas nos livros que leio, ou nas minhas ações, ou nas coisas que penso e digo; está também nas mãos e nos corações das minhas irmãs e irmãos em A.A., e com cada mão num poder desses, como poderei perder? 

(A.T.)

Vivência - Mar/Abr. 2002)

Reflexões Diárias de A.A.: 30/07


30 DE JULHO
DEVOLVENDO

...encontrou algo mais valioso que o ouro... Pode não perceber, de início, que apenas tocou a superfície de uma mina infinita que só pagará dividendos se a explorar para o resto da vida e insistir em distribuir toda a produção.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 145 ou p. 157

        Minha parte na Sétima Tradição significa muito mais do que apenas dar dinheiro para pagar o café. Significa ser aceito por mim mesmo, ao pertencer a um Grupo. Pela primeira vez posso ser responsável, porque tenho uma escolha. Posso aprender os princípios para resolver os problemas de minha vida diária participando nos serviços de A.A. Sendo autosuficiente, posso devolver a A.A. o que A.A. me deu! Devolver a A.A., não somente assegura minha sobriedade, mas me permite adquirir a garantia de que A.A. estará aqui para meus netos.

domingo, 29 de julho de 2012

Na direção de Deus


Na direção de Deus

"Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos estes defeitos de caráter (Sexto Passo). "Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições" (Sétimo Passo).

1º Passo: Aceitação - eu não posso.
2º Passo: Esperança - alguém pode.
3º Passo: Confiança - se eu deixar.
4º Passo: Auto-conhecimento.
5º Passo: Humildade.

Meta: Maturidade emocional ! - Através do Primeiro Passo, nos rendemos ante a doença do alcoolismo. Também percebemos nossa impotência diante, não só do álcool, como também diante de pessoas, sentimentos, situações e que devemos aprender a lidar com isto, se quisermos construir uma sobriedade rica e construtiva. O Primeiro Passo nos dá a nossa limitação humana.

Com o Segundo e Terceiro Passos, percebemos que, nesta busca, precisamos de ajuda. Necessitaremos não só pedir, como aceitar e isto significa que começamos a confiar, porque só peço e aceito ajuda quando confio que posso ser ajudado. Poderemos ver também que insanidade é tomarmos a mesma atitude esperando resultados diferentes. O Segundo Passo nos dá confiança, fé e esperança e o Terceiro Passo nos convida à entrega, que nos alivia de pesos desnecessários. Os três primeiros passos são de aceitação.

Com o Quarto e Quinto Passos, adquirimos os instrumemntos para auto-conhecimento e auto-aceitação. Podemos aprender a nos perdoar e, quando compartilhamos, também começamos a ver aspectos em nós que sozinhos seria difícil perceber. Assim, quando saímos do Quinto Passo, a sensação é de alívio. Agora precisaremos mais do que nunca de humildade, porque o Quarto e Quinto Passos nos ajudaram a identificar nossos defeitos de caráter, mas não nos libertaram deles.

À medida que vamos atuando com os Sexto e Sétimo Passos, vamos percebendo que podemos ir adquirindo:

Responsabilidades com nossos sentimentos e atitudes: Porque nos propõe avaliarmos honestamente nossas atitudes e identificarmos nossos sentimentos, para que possamos lidar adequadamente com situações e mudarmos quando necessário:

- quem não gosta de se sentir um pouco superior ou mesmo bastante superior?

- quem não gosta de deixar que a avareza se faça passar por um acúmulo necessário de bens?

- quem não exarceba seu auto- respeito, transformando-o em orgulho?

Boa vontade para atuar em cima de nossas mudanças: Se quisermos obter algum resultado concreto na prática dos Sexto e Sétimo Passos para a solução de problemas fora do álcool, precisaremos fazer uma tentativa: sermos menos teimosos e em vez de dizermos que "a isto jamais renunciarei", digamos: "a isto ainda não posso renunciar". Não digamos "nunca"; isto pode ser uma abertura perigosa e pode nos fechar a porta para a mudança, para a graça de Deus e para ajuda dos grupos.

Os Sexto e Sétimo Passos são um convite à mudança e representam a chave que nos abre a porta para o nosso amadurecimento emocional. Também nos ensina que cabe a nós a tarefa inicial desta mudança e nos propõe também a conviver com equilíbrio com as coisas que não podemos modificar. Mostra-nos que a diferença entre o adolescente e o adulto é igual ao que existe entre a luta por um objetivo qualquer de nossa escolha e a meta perfeita que é Deus. Os Sexto e Sétimo Passos usam diretamente a palavra Deus, e é na direção Dele que apontam estes passos. Isto significa que ao relembrarem estes passos são um convite à superação dessa mania de tudo saber ou de tudo poder, ou seja, ao relembrarem Deus, tornam-se um convite à superação desta mania de querer ser Deus, quebrar a onipotência - tirar carteirinha de ser humano.

"Ajudai-me, Senhor, a mudar aquelas coisas que posso modificar, mas ajudai-me ainda mais, Senhor, quando sei exatamente o que devo mudar, mas não tenho a coragem de fazê-lo".

"A LIMITAÇÃO DO HOMEM É A OPORTUNIDADE DE DEUS".

(Vivência nº 38)

Reflexões Diárias de A.A.: 29/07


29 DE JULHO 
DÁDIVAS ANÔNIMAS DE BONDADE

Como alcoólicos ativos estávamos sempre procurando um donativo de um ou de outro.

AS DOZE TRADIÇÕES ILUSTRADAS, p. 14.

        O desafio da Sétima Tradição é um desafio pessoal, lembrando-me para compartilhar e dar de mim mesmo. Antes da sobriedade a única coisa que eu sempre sustentei foi o meu hábito de beber. Agora meus esforços são um sorriso, uma palavra amável e bondosa.
        Vi que precisava carregar meu próprio peso e permitir aos meus novos amigos caminhar comigo porque, pela prática dos Doze Passos e das Doze Tradições, nunca havia tido algo tão bom.

sábado, 28 de julho de 2012

Pare, ouça e mude


PARE, OUÇA E MUDE: 
EVITE O RESSENTIMENTO E A RAIVA
Por Nelson Faria 

A pessoa mental e emocionalmente perturbada é vitima de atitudes angustiantes, e tem crises sucessivas de sentimentos dolorosos, que se manifestam sob a forma de um "cineminha mental". E quanto mais pretende livrar-se deles, mais eles permanecem numa repetição continua do mesmo filme. As pessoas submetidas à essa agonia, ouvem de forma distorcida e não reagem de forma lúcida; acham difícil organizar os pensamentos e recaem em reações negativas. 

As emoções são tão intensas, sua visão tão estreita e seus pensamentos tão confusos, que nessa situação não conseguem ver as coisas sob outro ângulo, ou de resolver qualquer problema, por mais simples que seja. 

Pequenas tolices tornam-se grandes problemas (verdadeiras batalhas). Tudo é tratado como sendo muito sério e impossível de ser sanado, uma vez que o pessimismo sabota qualquer tentativa de resolver as coisas. Parece inútil expor os problemas a outrem, tentam resolver por si mesmo seus sentimentos perturbadores, mas não conseguem. 

Sabemos, claramente, que nenhum desajuste emocional se muda da noite para o dia; é preciso, no mínimo, persistência e vigilância. As pessoas, porém, podem fazer as "mudanças-chave" na proporção direta da motivação que tiveram para tentar. Não reagindo com exagero ao que possa parecer, por exemplo, ser uma ofensa, ou se fechando mentalmente ao primeiro sinal do ressentimento, ou inundação emocional negativa. 

Toda compulsão tem sua raiz numa ação defensiva. O controle desse impulso, aparentemente natural é básico para o autocontrole emocional, é preciso retomar a capacidade de ouvir, pensar e falar com clareza. Tudo isto parece desaparecer durante os picos emocionais. Acalmar-se é o primeiro passo imensamente construtivo, sem o qual não pode haver qualquer progresso na solução dos problemas de relacionamento na vida diária. Evite o ressentimento. 

Temos que aprender dar um jeito de perceber o que está por trás da raiva e do ressentimento. Absorver a raiva e fixar-se nos pontos específicos da questão em pauta. Mesmo no pior caso, é possível selecionar o que se ouve ou se vê, ignorando as partes hostis e negativas, perceber o assunto principal e dar a solução conveniente.

Se uma resposta emocional produtiva é desconhecida ou não treinada, é extremamente difícil tentá-la quando se está confuso mental e emocionalmente.

Reflexões Diárias de A.A.: 28/07


28 DE JULHO
AQUELES QUE AINDA SOFREM

Devemos resistir à orgulhosa ideia de que uma vez que Deus nos tem feito bem numa determinada área, estamos destinados a ser um meio de graça salvadora para todos.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 208 ou p. 221

        Os Grupos de A.A. existem para ajudar alcoólicos a alcançar a sobriedade. Grande ou pequeno, firmemente estabelecido ou recente, de temática, de discussão ou de estudo, cada Grupo tem apenas uma razão de ser: transmitir a mensagem para o alcoólico que ainda sofre. O Grupo existe para que o alcoólico possa encontrar uma nova maneira de vida, uma vida abundante em felicidade, alegria e liberdade. Para se recuperar, muitos alcoólicos precisam do apoio de um Grupo de outros alcoólicos que compartilham suas experiências, forças e esperanças. Logo, minha sobriedade e a sobrevivência de nosso programa dependem de minha determinação de colocar primeiro as primeiras coisas.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Paz


PAZ 

"Alicerce do verdadeiro amor, da alegria ao dar de nós mesmos e ver o outro crescer."

O grande anseio daqueles que buscam o crescimento espiritual é a SERENIDADE, estado de espírito em que procuramos alcançar e manter inabalável a paz interior, apesar das vicissitudes da vida.

Para atingir a SERENIDADE é necessário aceitar as coisas que não podemos modificar. Nossa tendência é querer mudar o que não podemos: nosso passado, o modo de ser das pessoas, as circunstâncias de nossa vida, as contingências do mundo ou do país... tudo isso está fora de nosso alcance. Só podemos mudar a nós mesmos e as nossas atitudes.

Existe uma máxima que diz: "Nada muda se eu não mudar." SERENIDADE não é fraqueza ou submissão. O homem sereno aceita o semelhante como ele é, sem coagi-lo a mudar, sem a ele submeter-se.

SERENIDADE não é apenas exercício de paciência ou tolerância, atitudes que podem mascarar o sentir-se superior. A SERENIDADE existe independentemente de atitudes do outro, depende em primeiro lugar de nós mesmos: da CORAGEM de enfrentar ou aceitar o sofrimento, e do esforço para superar nossos defeitos de caráter.

Em primeiro lugar, dispondo-nos a analisar minuciosa e destemidamente nossas ações e nossas atitudes, para descobrir quem realmente somos, e em que devemos mudar. Quantas vezes continuamos a tomar as mesmas atitudes que nos fazem sofrer, esperando resultados diferentes. Admitindo que precisamos mudar, podemos fazer a nossa parte, não alimentando sentimentos negativos, procurando viver de acordo com nossa consciência.

A mudança interior, que leva ao crescimento espiritual, somente ocorrerá se nos abrirmos à ação de Deus, que se manifestará se assim o permitirmos.

A SABEDORIA nos fará compreender essas coisas aparentemente tão simples.

A paz espiritual não significa ausência de problemas ou de sofrimento emocional, pois estes sempre estarão presentes em nossas vidas. Tampouco significa que todas as nossas preces serão atendidas do modo que desejarmos. Nem sempre Deus nos dá tudo o que queremos mas, com certeza, nos dará sempre o que precisamos. A paz espiritual é o alicerce do verdadeiro amor e da alegria que nos permitem dar de nós mesmos, sem qualquer outro objetivo que não seja ver o outro crescer. Muitas vezes pensamos que a felicidade está nas coisas que julgamos necessárias, mas sobre as quais não temos o controle absoluto. Dizemos que para sermos felizes, dependemos do amor das outras pessoas, de nossa saúde física e mental, de nosso equilíbrio financeiro, e de inúmeras outras coisas ou situações. Estamos condicionados a "TER" para nos sentirmos felizes, quando na realidade é muito mais importante "SER". Afirmamos que "temos" nossas mulheres, nossos filhos, nossos pais; é preciso, entretanto, "sermos" maridos, pais, filhos, dando o que de melhor possuímos.

ACEITAR AS COISAS QUE NÃO PODEMOS MODIFICAR requer de cada um de nós que abracemos a realidade de nossas vidas. Pode ser que estejamos doentes, desempregados, deprimidos, com dificuldades no casamento ou no trabalho. Não importa o número, nem a grandeza de nossos problemas, precisamos aceitá-los como parte de nossa jornada de vida. Aqueles que encontram a paz e a felicidade aprendem a enfrentar os seus problemas, muitas vezes maiores que os de outras pessoas: a aceitação os capacita a tirar o maior proveito possível da adversidade, sem se tomarem críticos ou amargos, mesmo sabendo que alguns aspectos problemáticos de suas vidas provavelmente não poderão ser modificados. Devemos lembrar que, em quaisquer circunstâncias, podemos escolher o nosso próprio caminho. Nesse sentido, podemos contar sempre com o nosso programa de recuperação, consubstanciado nos princípios de A. A., notadamente nos 12 Passos sugeridos. Se estivermos atentos, veremos que desde o início, ao sermos escolhidos para participarmos de nossa Irmandade, recebemos a dádiva de Deus, que colocou e continua colocando à nossa disposição as ferramentas necessárias para que possamos nos recuperar e sermos felizes, cultivando a SERENIDADE.

Trabalhando nosso interior, começamos nosso aperfeiçoamento. Estamos aprendendo a todo o momento; basta que estejamos atentos às coisas que nos cercam. Tudo que vemos e ouvimos tem um significado lógico, positivo, tem uma finalidade.

Ao praticarmos o programa, temos a oportunidade de refletir sobre nossa condição humana, sendo induzidos a reflexões profundas. Assumimos a responsabilidade pelo nosso crescimento, aperfeiçoando e desenvolvendo nossas qualidades, enfrentando e corrigindo nossos defeitos de caráter. Sabemos que, pelas nossas imperfeições, encontraremos dificuldades e obstáculos a serem superados.

A análise constante de nossas ações e atitudes, o apoio e os ensinamentos incondicionais de nossos companheiros, a leitura e o estudo freqüente de nossa Literatura, o reconhecimento de nossas limitações, a abertura à ação de Deus, são meios de alcançarmos o crescimento espiritual que almejamos. Guiados pela SABEDORIA que emana de Deus e que se manifesta em nossa “Consciência Coletiva”, adquirida em nossas reuniões e desenvolvida com a prática de nossos princípios, continuemos a trabalhar para alcançar a SERENIDADE, lembrando-nos da grande responsabilidade que nos cabe na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, tendo a CORAGEM de, com nossos exemplos, e praticando o 12° Passo, nos tomarmos íntegros, felizes e úteis, e assim transformarmos o mundo num lugar mais agradável de se viver.

A cada momento, diante de nossas necessidades e de nossas dificuldades podemos dizer simplesmente:

"Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguir umas
das outras".

(João Roberto)

VIVÊNCIA N.° 89 - MAI/JUN. 2004.

Reflexões Diárias de A.A.: 27/07


27 DE JULHO
DAR LIVREMENTE

Faremos todos os sacrifícios pessoais necessários para assegurar a unidade de Alcoólicos Anônimos. Faremos isto porque aprendemos a amar a Deus e a nossos semelhantes.

A.A. ATINGE A MAIORIDADE,  p. 209 ou p. 222

        Ser autosuficiente através de minhas próprias contribuições nunca foi uma característica forte em mim durante os meus dias de alcoólico ativo. Dar tempo e dinheiro sempre exigia um preço rotulado.
        Quando ingressei me falaram “Nós temos que dar para manter”. Quando comecei a adotar os princípios de Alcoólicos Anônimos em minha vida, descobri que era um privilégio dar para a Irmandade como expressão de gratidão que sentia em meu coração. Meu amor a Deus e às outras pessoas tornou-se o fator motivador em minha vida, sem pensar em retorno. Agora percebo que dar livremente é a maneira de Deus se expressar atavés de mim.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Homem que é homem não chora


Homem que é homem não chora

Parece-me que o Quinto Passo é especialmente difícil para os homens, porque pega a mística masculina pelo touro, quando não pelos chifres. Um homem é supostamente auto-suficiente. Cuida dos seus próprios assuntos. Não vai a outro homem com problemas de ordem pessoal. Os sentimentos de um homem são validados por uma mulher, não por outro homem.
Para mim, que cresci nos anos cinquenta, havia apenas dois tipos de homem: os homens de verdade e os de outro tipo. Proveniente de um lar alcoólico, fui naturalmente um adolescente perturbado . Havia muitos homens mais velhos ao meu redor, que talvez pudessem ter ajudado, mas eu tinha dificuldades em me relacionar com eles. Exceto um monge passionista que encontrei quando fazia um trabalho de meio turno num mosteiro da cidade. Padre Connel era gentil e falava sem ofender, e acima de tudo escutava. Passei muitas horas andando por aqueles acres serenos e enclausurados, ao lado dele, tentando desatar o enigma da minha existência.
Minha consciência moral sensível demais me deixa sentindo-me abaixo dos ideais religiosos com os quais crescí. O Deus que nós buscávamos juntos impunha termos duros demais para mim, e isso me empurrou ainda mais fundo para o isolamento , causando uma sensação de abandono total. Mas a salvação estava a caminho, na forma do álcool e da literatura mundana.
Onde a religião me havia restringido e limitado minhas experiências , o álcool e as idéias mundanas libertaram minha mente e meu espírito. No começo, a estrada era larga e tinha muito espaço. Mas foi-se apertando até virar uma trilha, depois uma linha apenas, onde eu tinha de andar ou caía. E o meu equilíbrio não foi ficando melhor. Acabei com medo de sair do apartamento, com medo de atender ao telefone ou à porta. No final, fui para A.A. e com o tempo fiquei sóbrio.
A maioria dos homens com os quais falei em A.A. possuíam "questões masculinas", que tinha a ver com a pressão que a sociedade coloca em cima dos homens. Parece haver uma tácita tradição cultural que concede às mulheres a licença para expor sentimentos em nome da espécie. Enquanto isso, dos homens espera-se magicamente, que confirmem a masculinidade para seus filhos e uns aos outros. Uma carga terrível, ainda mais se você não tem certeza do que é ser homem.
O Quinto Passo traça e sacode esses velhos tabus até os seus fundamentos. Já por uma coisa: esse Quinto Passo pede que se fale franca e abertamente sobre sexo. Com bêbados, a maioria de nós homens mentíamos um bocado uns para os outros, e para nós mesmos, como um imperativo social. Sóbrios em A.A., muitas vezes exercemos nosso direito de ficar em silêncio. É um direito que exercitamos a nosso próprio risco - o Livro Azul diz que às vezes a nosso próprio perigo.
Houve coisa no meu Quarto Passo que jurei nunca contar a ninguém. Tinha certeza de que, se certas pessoas soubessem, me expulsariam da Irmandade. (Algumas até podem ter tido vontade de fazer isso, mas A.A. tem planos para nós que são muito mais generosos do que quaisquer que desejaríamos uns para os outros, se deixados por nossa conta.) Passei meus dois primeiros anos cuidando das necessidades alheias, porque queria evitar as minhas.
O problema com esse meu comportamento é que basicamente era desonesto. Eu queria projetar uma imagem de estar bem e de ser o certo, que era falsa, mais danosa para mim do que para as pessoas com as quais convivia. Deixar que alguém venha a conhecer você é assustador. (Mais tarde, aprendi o paradoxo de que ser vulnerável coloca você numa posição invulnerável.)
Devagar, à medida que o escapismo deixava de funcionar, fui deixando outras pessoas me conhecerem. Quando vinha uma aceitação inesperada da parte dos outros, era estupendo, como o primeiro drinque. Eu queria mais. Fui falando a meu respeito a cada vez mais pessoas, no interesse da "honestidade". Mas essa história de ir-se recuperando é um negócio cheio de curvas na estrada. Bem devagar, precisei ir aprendendo a diferença entre candura, exibicionismo e honestidade. Se estou falando a verdade por uma razão egoísta, não estou sendo honesto. Quanta dor nas relações ruins provém apenas dessa falta de objetividade!
Até a confiança pode ser uma armadilha. Pessoas que pensam em fazer o Quinto Passo provavelmente recordam-se de como usaram e abusaram da confiança dos outros. A maioria das suas experiências com confiança, especialmente para quem veio de de lares alcoólicos, foi infeliz. É aqui que a honestidade comigo mesmo funciona muito bem para mim. Se confio a certa pessoa alguma coisa a meu respeito, porque quero obter qualquer coisa dessa pessoa, então a "confiança" é apenas uma isca. E o anzol é o interesse, que é a causa de toda a minha infelicidade. A cura para essa situação é a experiência contínua com os Passos, na minha opinião.
Anos em que atravessei meus anos de crescimento, para virar adulto, deixei de aprender de colocar minha vida numa base de dar e receber. Vou ouvir seus problemas - mas não me pergunte nada sobre os meus. Ironicamente, foi por essa razão que deixei de me identificar inicialmente com o alcoólico egoísta. Sempre estava "dando". Entretanto, um exame mais profundo dos meus motivos me mostrou o que mais tarde aprendí em Al-Anon: que o cuidado é o lado ensolarado do controle.
Penso que muitos homens em A.A. existe um bocado de questões centradas ao redor de poder, controle, e de ser quem manda. Tentei ir a algumas poucas reuniões só para homens, mas o manto defensivo e de pose, que pairava sobre esses augustos encontros, era de gelar os ossos. Senti-me como que participando de um ritual.
Graças a Deus, uma das grandes mudanças em A.A., desde aqueles tempos, é que os homens têm liberdade para se expressarem como homens e como seres humanos, em qualquer reunião de A.A. Nessa arena, de fato atingimos a maioridade.
Ir melhorando significa ir compartilhando minhas esperanças e medos com outros homens. Quando eles compartilhavam também, como sempre fizeram, eu experimentava uma cura de lembranças, memórias, e uma sensação maravilhosa de unicidade com as pessoas em geral. Meu relacionamento com as mulheres melhorou imediatamente. Passei pelo terror de remover minha armadura masculina, e experimentar a alegria de não precisar de uma. Cada homem com quem me encontrei dessa maneira desarmada, me deixou com um pouco mais de mim mesmo para trazer ao mundo todo.

(Jim N., Grapevine)

(Vivência - Março/Abril 2002)

Reflexões Diárias de A.A.: 26/07


26 DE JULHO
O “VALOR” DA SOBRIEDADE

Todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente autosuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 144

        Quando vou fazer compras eu vejo os preços e, se preciso do que vejo, eu compro e pago. Agora que estou em reabilitação, tenho que corrigir a minha vida.
        Quando vou a uma reunião, tomo um café com açúcar e leite, algumas vezes até mais do que um. Mas, na hora que passa a sacola eu estou muito ocupado para tirar dinheiro do meu bolso ou não tenho o suficiente, mas estou ali porque necessito dessa reunião. Ouvi alguém sugerir que se colocasse na sacola o preço que custa uma cerveja e pensei: isto é demais! Quase nunca coloco o que devia. Como muitos outros, confio nos membros mais generosos para financiar a Irmandade. Esqueço que precisa-se de dinheiro para alugar a sala de reuniões, comprar leite, açúcar e copos. Pago, sem hesitação, o preço que é exigido por uma xícara de café, num restaurante, após a reunião; sempre tenho dinheiro para para isto. Assim, quanto vale minha sobriedade e minha paz interior? 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Serviço: Pequeninas Tarefas


SERVIÇO: PEQUENINAS TAREFAS
Percebi, ao longo dos meus trinta anos de sobriedade, que não há um só trabalho importante em A.A., e sim, milhares de pequenas tarefas aparentemente sem importância, as quais são realmente importantes se eu pretendo sobreviver sóbrio.
É como uma máquina muito complicada que tem uma quantidade enorme de pequenas peças, as quais estão todas trabalhando bem. A máquina funciona suavemente e bem, porém se uma daquelas pequeninas peças pára de trabalhar, a máquina toda não passa de um ferro velho.
Assim é o Serviço em A.A.; cada um fazendo sua pequena parte para uma grande engrenagem funcionar bem. Eu sou uma pequena peça desta máquina e embora há trinta anos servindo, minha sobriedade tem me tomado útil paras estas pequenas coisas que chamamos de serviços, peças fundamentais para atingirmos nosso propósito primordial.
Minha eterna gratidão ao Grupo Alcântara, de São Gonçalo, Rio, onde ingressei, e aos companheiros de Campinas, que me receberam muito bem, já com meus três anos de sobriedade.
Novinho em A.A., foi num desses encontros, em Rio Bonito, que conheci uma companheira e logo veio à minha cabeça: – "encontrei meu amor no jardim de A.A." Lembro-me que fui à primeira excursão do Grupo numa Kombi e meu táxi. Naquele dia estava começando uma nova vida! Casei-me com esta companheira e vim morar em Campinas. Meu casamento durou 26 anos e ela veio a falecer, sóbria.
Como a vida continua, casei-me novamente e esta nova esposa deu-me o maior presente da minha vida: um filho lindo, já com quatro anos.
Ele vai às reuniões abertas comigo e faz a oração da serenidade com amor e alegria. Fico feliz por ser um pai sóbrio.
Aos companheiros de Campinas, os que chegaram depois de mim, minha gratidão por terem me compreendido quando cheguei e como sou hoje, lembrando sempre que serviços são pequeninas tarefas que fazemos que nos levam à maior das dádivas: a sobriedade!
Obrigado pela oportunidade de compartilhar isto com meus companheiros por mais 24 horas.

Jorge D./Campinas/SP

Vivência n° 96 - Julho/Agosto 2005

Reflexões Diárias de A.A.: 25/07


25 DE JULHO
AQUELES QUE AINDA SOFREM

Quanto a nós, se neglicenciarmos aqueles que ainda sofrem, nossas próprias vidas e segurança correrão riscos inomináveis.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 136
    Eu conheço o tormento de beber compulsivamente para acalmar meus nervos e meus medos. Também conheço a dor do esforço para a sobriedade. Hoje eu não esqueço a pessoa desconhecida que sofre quieta, retirada e escondida no alívio desesperado da bebida. Peço ao meu Poder Superior para me dar a Sua orientação e a coragem para ter disposição de ser Seu instrumento para levar dentro de mim compaixão e ações altruístas. Que o Grupo continue a me dar força para fazer com os outros o que não posso fazer sozinho.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Viver às próprias custas


VIVER ÀS PRÓPRIAS CUSTAS.

Alguém descobriu como pode ser gostoso praticar a Sétima Tradição.

Quando cheguei em A.A., há alguns anos, eu tinha uma imagem negativa da Irmandade e achava que já sabia tudo em relação ao álcool. Cheguei até pensando que eu vinha para ajudar pessoas infelizes, que tinham destruído suas vidas por não saberem beber e porque alguém, tirando proveito da situação, se beneficiava às suas custas!

Logo eu quis saber quem é que ficava com o dinheiro, que certamente vinha do governo, da prefeitura, da comunidade e de doações em geral. Para minha surpresa, me explicaram que o grupo sobrevivia daquela mirrada sacolinha azul e que não aceitava doações de fora. Quando, um dia, cheguei a servir como tesoureiro do Grupo, senti como é gostoso viver as nossas próprias custas.

Há algum tempo, ajudei um companheiro mais antigo e com muita experiência em A.A., a formar um grupo numa cidade vizinha. O segundo companheiro a ingressar naquele grupo, buscando ajuda, tinha o mesmo pensamento que eu tive quando cheguei. Após algumas semanas, explicamos a ele que ali ainda não corria dinheiro, pois nem a sacola nós passávamos. Foi quando meu experiente companheiro propôs ao novato que, se ele concordasse em servir como tesoureiro do grupo recém-formado, nós começaríamos a praticar a Sétima Tradição. Ele aceitou.

Atualmente, o grupo tem em média dez companheiros por reunião e o ex-(ótimo) tesoureiro vai completar três anos de A.A. 

(Floriano, Atibaia/SP) 

Revista Vivência n° 73 – set/out 2001

Reflexões Diárias de A.A.: 24/07


24 DE JULHO
 AJUDANDO OS OUTROS

Nossas próprias vidas, como ex-bebedores-problema, dependem de nossa constante preocupação com o próximo e da maneira em que possamos ser-lhe úteis.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 43 ou p. 49 e 50

    Meu problema era egocentrismo. Durante toda minha vida, as pessoas faziam as coisas para mim e eu, não somente esperava, como era ingrato e ficava ressentido por elas não fazerem mais. Por que deveria ajudar os outros, quando por suposição os outros é que deveriam me ajudar? Se os outros tinham problemas, eles não os mereciam?
    Eu estava cheio de autopiedade, raiva e ressentimento. Então aprendi que ajudando os outros, sem pensar em retorno, podia vencer esta obsessão egoísta e, se eu entendesse a humildade, conheceria a paz e a serenidade. Já não preciso mais beber.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O Anonimato


O ANONIMATO
Princípio Básico Espiritual

Por NELSON FARIA

Quem está realmente interessado no trabalho Espiritual, tem como ideal o anonimato. Procura por todos os meios livrar-se das glórias da popularidade ou da fama. Tem, sem nenhuma dúvida, que resistir a tentação do orgulho e da vaidade que traz consigo, porque sua preocupação é a obra que está realizando. Não busca atrair atenções para si, nem tampouco promoção pessoal. O objetivo é o de "Realizar-se a si mesmo", trabalhando para o bem dos demais, desinteressadamente. O egoísmo cede seu lugar a um amplo altruísmo. A humildade mata a personalidade exibicionista, e dá à luz uma existência autêntica e profunda. Nasce daí um Amor gratuito. Não procura só fazer o bem, torna-se bom, porque do bom só emana o bem. 

No exercício do anonimato o que importa é a verdade por si mesma e a humildade de quem a expressa, como o calor que envia o sol, por graça de seu criador. O Anonimato é o alicerce espiritual de todas as tradições (orais ou escritas). É a sua substância espiritual por excelência. 

O Anonimato é a humildade na prática de fazer coisas pelos outros; esforçando-se para que ninguém saiba do sacrifício. É, portanto, urna combinação de sacrifício e humildade. O resultado é a felicidade interior - o mais sublime dos estados de espírito. 

O Anonimato deixa de ser o "Sacro-Ofício" e desaparece a humildade, se houver busca de recompensas ou pagamentos, e, passa a ser uma "Transação" de favores interesseiros e promocionais. 

Tudo isso nos ensina, que a prática do anonimato nada mais é que: "A humildade em pleno Serviço".

Reflexões Diárias de A.A.: 23/07


23 DE JULHO
PEÇO PARA DEUS DECIDIR

“Peço que removas de mim todo e qualquer defeito de caráter que me impeça de ser útil, a Ti e aos meus semelhantes.”

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 105

    Tenho admitido minha impotência e tomado a decisão de colocar minha vida e minha vontade sob os cuidados de Deus, como eu O concebo, não sou eu quem decide quais defeitos serão removidos, nem a ordem em que os defeitos serão removidos ou ainda a hora em que eles serão removidos. Peço a Deus que decida quais os defeitos que me impedem de ser útil a Ele e aos outros e então, humildemente, peço que os remova.

domingo, 22 de julho de 2012

Marcha sem fim


MARCHA SEM FIM
“Quando a jornada é muito longa, o objetivo passa a ser a própria jornada”.

Sobriedade tem como definições nos dicionários: moderação; temperança especialmente no comer e no beber; frugalidade; comedimento; parcimônia; reserva; moderação nas paixões; exclusão do artifício e da complicação; naturalidade.
Muitas vezes minha mente se recusa a obter o significado correto de uma palavra, principalmente quando ela se refere às minhas qualidades, boas ou más.
Conhecer o significado correto muitas vezes significa saber que não sou aquilo que penso e digo que sou.
Darei apenas um exemplo: - em 1966, tive uma grande crise alcoólica e instado por amigos fui a São Paulo em busca de auxílio médico. Juntamente com um compadre médico, procuramos o Dr. C. Ribas, então o mais famoso nome da psiquiatria, em São Paulo.
Após ouvir a minha história, o famoso esculápio concluiu que eu não era um alcoólico, mas tão somente um dipsomaníaco. Fiquei muito satisfeito; voltei para a minha terra e continuei a beber, sem me preocupar em saber o significado exato da palavra dipsomania.
Só anos depois, já tive livre da compulsão, fui ao dicionário e lá estava: “impulsão mórbida, periódica e incoercível para bebidas alcoólicas”.
Agora que sei o verdadeiro significado de sobriedade, posso fazer um rápido inventário e definir o quanto de sobriedade eu consegui em todos esses anos de A.A.
Como conquistar a verdadeira sobriedade, conseguir mantê-la e ainda melhorá-la a cada dia é sobre o que tentarei escrever se vocês tiverem a necessária paciência e tentarem raciocinar comigo.
Apesar de que ao pararmos de beber, imediatamente nos dizemos sóbrios, aquela “parada” não passa do início da sobriedade. A sobriedade deve ser construída, tijolo a tijolo, ou passo a passo, desde o 1º até o 12º. E não pode parar por aí.
A maturidade emocional e o crescimento espiritual só têm a estação de partida, não têm ponto de chegada.
Ninguém é totalmente adulto em termos emocionais e ninguém atingirá a perfeição do espírito.
Assim, o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos é uma marcha sem fim rumo ao progresso o objetivo final é, meramente, virtual.
Não sem propósito, Joseph Campbel afirmava que “quando a jornada é muito longa, o objetivo passa a ser a própria jornada”.
Só posso falar de mim. Logo os exemplos que enumero devem estar baseados apenas na minha vida, na minha experiência e no meu provável crescimento.
Parei de beber em 25 de fevereiro de 1970. Digo que estou sóbrio desde essa data.
Houve tempos em que até comemorava, recebia ficha, levava bolo e refrigerantes ao Grupo.
Hoje não faço mais isso.
A cada estágio de minha sobriedade elejo novas prioridades além daquela de não tomar, só por hoje, o primeiro gole.
Assim, no estágio de hoje, não faço mais festa; deposito na sacola o valor que gastaria se fosse fazê-la.
Por essa premissa, como a cada ano a minha sobriedade deve ser maior, maior deveria ser a comemoração e, em conseqüência, a gratidão maior importa em um maior depósito na sacola do meu Grupo.
Estudei os Doze Passos, As Doze Tradições, os Doze Conceitos. Li toda a literatura de A.A. à medida que ela foi ficando disponível. Entretanto compreendi que a literatura ajuda grandemente a minha recuperação, mas é insuficiente para meu crescimento.
Precisa ser coadjuvada por uma ferramenta muito importante: a análise estudada perante os fatos da vida. È isto que o Grupo de A.A. me oferece o conhecimento da vida como ela é.
Sejamos claros. Há companheiros que gostam das coisas descritas com os mínimos detalhes.
Pois bem, são 13.349 dias que digo estar sóbrio. Para fazer conta redonda, vamos supor o que penso não ser nenhum exagero, que participei de, no mínimo, 12.000 reuniões de A.A.
Ora, se a cada reunião, 10 depoentes são ouvidos, logo ouvi 120.000 depoimentos desde o dia que ingressei em A.A. e mais, por, no mínimo, 10.000 vezes eu prestei o meu depoimento, havendo a possibilidade de haver me recusado a falar por mais de 3.000 vezes, nesse lapso de tempo.
Foram 120 mil vezes que ouvi pessoas homens e mulheres com idade entre 15 e 90 anos, das mais diversas camadas sociais, com uma diversidade cultural enorme, falando de suas vidas. Falando de seus fracassos, de seus males físicos, de suas deformações morais, de seus insucessos, de seus defeitos de caráter bem como de seus sucessos, de suas virtudes, de suas “voltas por cima”, de suas tristezas e alegrias, de suas infelicidades; das suas perdas e conquistas materiais, emocionais e espirituais da felicidade, enfim.
Vi inúmeros recaírem. Uns voltaram e estão bem. Outros voltaram e vivem a tentar sem descanso e sem sucesso.
Vi aqueles que não acreditando, morreram. Alguns deles cercados ainda pelo carinho da família, outros em total abandono e solidão.
Mas vi, também, um bom número daqueles que morreram com uma sólida sobriedade e porque foram incansáveis em dar amor, foram cercados de amor que deixaram esta vida.
E foi ouvindo esses relatos de vida, de dor e de felicidade, que consegui interpretar Os Passos e os textos da literatura que li, construindo minha nova vida. Esse é o meu grande patrimônio.
Para que se possa aquilatar a minha conquista, vale transcrever uma página que recebi pela internet, alegando autoria desconhecida, e que retrata fielmente o meu atual estágio de vida: - “Tempo que foge... Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupa displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com propostas de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas. Não quero ver os ponteiros do relógio avançado em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos a limpo”, ou “lavamos a roupa suja”. Detesto fazer acareações de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos. Sem muitas jabuticabas na bacia quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade; defende a dignidade dos marginalizados e deseja andar humildemente com DEUS. Caminhar perto delas nunca será perda de tempo”.
Quem se der ao trabalho de ler estas divagações sem dúvida dirá que sou louco.
E sou.

Sou louco de amor por todos.

Eloy T./Santos/SP

“Não acho que a felicidade ou a infelicidade sejam o ponto principal.
Como enfrentamos os problemas que chegam a nós? Como aprendemos através deles e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?
Do meu ponto de vista, nós deste mundo somos alunos numa grande escola da vida. Isso é proposto para que tentemos crescer e ajudar nossos companheiros viajantes a crescerem no tipo de amor que não faz exigências.
Em suma, procuramos progredir à imagem e semelhança de Deus, como nós O concebemos”.

Reflexões Diárias

Vivência nº107 – Mai./Jun./2007.

Reflexões Diárias de A.A.: 22/07


22 DE JULHO
“O BOM E O MAL”

“Meu Criador, agora estou pronto para entregar-me inteiramente, tanto o que tenho de bom como de mau”.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 96 ou p. 105

    A alegria da vida está em dar. Ficar livre de minhas imperfeições para que possa mais livremente fazer meu serviço, permite que cresça em mim a humildade. Minhas imperfeições podem ser colocadas humildemente, ao cuidado amoroso de Deus para serem removidas. A essência do Sétimo Passo é a humildade e que a melhor maneira de buscá-la é poder dar tudo de mim para Deus, – o bom e o mau – para que Ele possa remover o mau e devolver-me o bom.

sábado, 21 de julho de 2012

O plano que eu precisei ver para crer


O plano que eu precisei ver para crer


O primeiro gole só pode ser evitado hoje.

Confesso que o plano das vinte e quatro horas nunca havia me impressionado, pois quando decidi aceitar a programação e dar um basta àquele sofrimento, entreguei-me de corpo e alma às reuniões. 

Quando não tinha reunião no Grupo onde eu havia ingressado, ia em outros Grupos da região e nas horas vagas estava sempre com literatura de A.A nas mãos. Assim, eu não via onde aplicar o plano das vinte e quatro horas.

Certa vez fui visitar um cliente que possui um alambique numa cidade bem próxima à minha. Enquanto esperava o cliente, por cerca de 40 minutos, eu observava um homem que estava indo ao tonel várias vezes. Quando o meu novo cliente chegou, começou a insistir para que eu bebesse. Então eu disse que pertencia a uma Irmandade, que não bebia, e por fim contei que era um AA. Esse cliente chamou o homem que já havia tomado vários goles e sugeriu a ele que fosse conhecer um Grupo para ver se conseguia parar de beber.

O homem disse: "Eu conheço o senhor. Já fui às reuniões daqui (eu havia iniciado o Grupo nesta cidade), mas como só há reuniões uma vez por semana , nos outros dias eu bebia. Então não fui mais."

Com esse depoimento eu percebi a importância do plano das vinte e quatro horas. Então, expliquei para ele que deveria ficar sem beber só por hoje, só nessas vinte e quatro horas.

O homem então completou: "Se o senhor tivesse colocado isso na minha cabeça antes, talvez eu tivesse evitado a bebida, hoje."

Depois de sentir a importância do plano das vinte e quatro horas, abracei o homem e saí com a promessa de que ele iria voltar ao Grupo. 

(Floriano, Atibaia/SP)

Vivência 53 - Mai./Jun. 1998

Reflexões Diárias de A.A.: 21/07


21 DE JULHO
UMA DÁDIVA SEM PREÇO

A esta altura com toda a probabilidade, já teremos adotado, de certo modo, medidas capazes de remover os obstáculos que mais nos prejudicam. Desfrutamos momentos em que sentimos algo parecido à verdadeira paz de espírito. Para aqueles de nós que, até então conheceram somente a excitação, a depressão ou a ansiedade – em outras palavras, para todos nós – esta nova paz conquistada é uma dádiva inestimável.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 66 

    Estou aprendendo a soltar-me e deixar Deus agir, a ter uma mente aberta e um coração disposto a receber a graça de Deus em todos os meus assuntos; desta maneira posso experimentar a paz e liberdade que vêm como resultado da minha entrega. Tem sido provado que um ato de entrega, original do desespero e da derrota, pode crescer num progressivo ato de fé e esta fé significa liberdade e vitória.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Comunicação: Terapêutica da liberdade


Comunicação: Terapêutica da liberdade

Sem estarmos conscientes, na medida do avanço implacável de nosso alcoolismo cortaram-se progressivamente os vínculos que nos uniam a este mundo. Depois de vários copos e de muita vergonha os amigos desapareceram, o trabalho tornou-se um lugar hostil, os familiares se transformaram em gente desconhecida e qualquer relação pessoal básica tornou-se impossível. Estávamos cada vez mais doentes e ao mesmo tempo mais incomunicáveis, o que é a mesma coisa, mas sozinhos, até o terrível ponto em que muitos de nós caímos: a etapa final da ruptura da comunicação com nós mesmos; devorados pelo álcool chegamos a perder a própria identidade e na bebedeira da morte esquecemos que existíamos e quem éramos. De fato, deixamos de ser pessoas humanas, e por isso nós alcoólicos dizemos que existe realmente um inferno na terra: dizemos isso com propriedade porque vivemos ali.

Hoje sóbrios, pela graça de Deus, compreendemos com clareza que se o alcoolismo é a doença da negação, é principalmente a da comunicação, e por isso somos adictos, que significa "não dito", ou seja "aquilo que não dizemos", os incomunicáveis, os carentes de contatos humanos, os solitários, os marginalizados, os esquecidos e, por tudo isso, terminamos sendo os "mortos que caminham", como exatamente nos chamou Florencio Sanchez...

A falta de comunicação é uma das consequências da doença adictiva, mas o contrário também vale: a comunicação é uma via terapêutica fundamental na recuperação. Quando em nossos Grupos sabiamente se repete: "Aquele que não se integra se desintegra", nada se faz além de estimular a comunicação; mas o que significa verdadeiramente comunicar-se? A resposta é simples: é estender uma ponte com a vida e com os semelhantes; é sentir-se o outro e sentir que o outro se sente, é dar algo meu e receber algo que ele me dá, e é a partir disso que o amor se torna o produtor principal da comunicação.

O Grupo é o primeiro laço humano do alcoólico que inicia o caminho, e por isso sua importância é transcendental pois, por meio dele mesmo, primeiro se comunica consigo mesmo, e logo - o que dura para toda a vida - pela comunicação grupal é libertado continuamente da parte doente de seu ser, resgatando o livre arbítrio, o juízo são e a paz interior. Cada vez mais se repete o ato de transmissão da sabedoria da dor passando direta e intimamente "de bêbado para bêbado", numa comunhão única e insubstituível.

Contudo, para o alcoólico voltar a ser uma pessoa integral deve avançar, em caráter de terapia vital, recuperando progressivamente a comunicação, aprofundando-a em todos os planos da existência, o que compreende seu grupo familiar, seu trabalho, seus amigos, sua igreja, seu clube, seu bairro e sua sociedade, incluindo até transpor as fronteiras geográficas, pois somos milhões no mundo, unidos em A.A. - gozando o privilégio da liberdade - e há outros esperando, ainda nas sombras, o alívio da mensagem.

Por isso formamos grupos em todo o globo, por isso publicamos revistas, boletins, livros, filmes e folhetos, por isso estamos hoje no ciberespaço, nos hospitais e nas prisões. Porque nos comunicamos, necessitamos da comunicação como parte de nossa terapêutica, mas também para dizer ao mundo que já não temos vergonha, que somos livres e depositários de um dom altíssimo que estamos dispostos a compartilhar com todo aquele que sofre.

Extraído da revista El Triângulo, Uruguai.
(Vivência nº 51 - Jan/Fev 98)

Reflexões Diárias de A.A.: 20/07


20 DE JULHO
DEFEITOS REMOVIDOS

Porém, agora as palavras: “Sozinho nada sou, o Pai é quem faz”, começaram a adquirir um significado brilhante e animador.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 67

    Quando coloco o Sétimo Passo em ação, devo lembrar que não há espaço para preencher. Eu não digo, “humildemente peço a Ele para (preencher o espaço) remover meus defeitos”.
    Por anos eu preenchi o espaço imaginário com: “Ajuda-me!”. “Dá-me coragem para!” e com “Dá-me força!”, etc. O Passo diz simplesmente que Deus removerá meus defeitos. O único trabalho que devo fazer é “humildemente pedir”, o que, para mim significa pedir o conhecimento de que por mim mesmo não sou nada, o Pai é que “faz o trabalho”.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

24o Encontro Estadual de Alcoólicos Anônimos da Área de MG - Está chegando!


Nossa Gratidão e a Sétima Tradição de A.A.


NOSSA GRATIDÃO E A SÉTIMA TRADIÇÃO DE A.A

Lendo nossa Literatura, descobri que havia "um lugar em A.A. onde espiritualidade e dinheiro podiam se misturar: a sacola."
Quero iniciar agradecendo ao Poder Superior, por estar vivo e a Alcoólicos Anônimos por estar sóbrio. Quando conheci Alcoólicos Anônimos era muito jovem ainda e passei alguns longos meses me afastando e voltando para o mundo do alcoolismo. Ao retornar para A.A., de onde nunca deveria ter saído, ouvia muitos companheiros em suas mensagens falarem de seus prejuízos financeiros no mundo do alcoolismo, e me identificava com eles, pois tínhamos passado os mesmos problemas.
Ouvi dizerem que quando bebiam, gastavam o que tinham e o que não tinham, deixando muitas e muitas vezes as rodadas de bebidas fiadas.Comigo não era diferente; em atividade alcoólica, gostava de ser o centro das atenções e dizia que todos eram meus amigos, sem compreender porque me davam a atenção. Entendi depois o porquê: eu pagava tudo e ainda me chamavam pelas costas de otário.
Quando conheci Alcoólicos Anônimos, ouvia os companheiros que relatavam suas derrotas falarem que hoje eram gratos a Alcoólicos Anônimos e que estavam felizes e que até tinham se recuperado financeiramente. Por esses e outros motivos, eram gratos à Irmandade e eu também, até nesse ponto não era diferente dos meus companheiros, era grato a A.A., que devolvera-me aquilo que tinha perdido, tanto como no campo material como no campo espiritual.
Mas, vamos ver essa minha gratidão como era na prática. Sabemos que muitos falam e praticam da boca para fora. Eu não era diferente; falava da boca para fora e não do coração para fora; falava o que ouvia outros falarem sem entender a profundidade da palavra gratidão e não compreendia a máxima importância que é nossa Sétima Tradição; 
só mais tarde lendo nossa literatura, descobri onde é que se mistura espiritual idade e dinheiro em A.A. Via companheiros servidores do Grupo comentarem das dificuldades que esse grupo passava, como por exemplo: compra de literatura, fazer o plano 60, 25, 15, pagar o aluguel de sua sede, mas todos diziam e liam: somos auto-suficientes graças às nossas próprias contribuições...
Eu não era diferente, quando ouvia falar em dinheiro ficava resmungando, criticando; o grupo tendo o cafezinho ou chá, é o suficiente para minha recuperação. Naquele momento, só estava pensando em mim e não nos outros, e ato de egoísmo nada tem a ver com gratidão.
Lembro-me de um companheiro que saía de um bairro para outro distante para abrir seu Grupo, um daqueles servidores que não mediam distância para executar suas tarefas. Ele era RI do grupo, hoje extinto. Eu o criticava só porque ele viajava para a Intergrupal, hoje ESL; dizia que ele estava gastando dinheiro sem precisão; que tudo isso, órgãos de serviços e outros, era besteira; dinheiro que não era meu, porque eu não cooperava na Sétima Tradição, mas dizia que era nosso. E continuava afirmando: - sou grato.
Tudo começou a mudar quando comecei a compartilhar os trabalhos do nosso Grupo base. Como servidor, fui Secretário, Coordenador, Tesoureiro, e como tesoureiro, senti o que meus bons companheiros passaram, sofrendo crítica, quando o assunto era dinheiro, comigo não foi diferente, pior ainda.
Comecei fazendo cobranças que antes criticava; queria comprar isso e aquilo; gastava desordenadamente, foi quando um companheiro notou o que outros não haviam notado: eu era um "Gastador Compulsivo" e com isso aprendi que deveria agir de acordo com a necessidade do grupo.
Depois fui escolhido para ser RSG. Começavam a aumentar as minhas responsabilidades, e agora? Antes não aceitava companheiros que viajavam; não aceitava o Plano 60, 25, 
15, Relatórios Anuais, Revista Vivência, Órgãos de Serviços, e agora? Comecei do princípio: lendo as Tradições e o Manual de Serviços. Avaliei a importância daquele encargo que me fora confiado.
Foi quando minha gratidão começou a aflorar, a sair de mim, sair do coração. Com três anos na Irmandade, fui escolhido Secretário do Distrito e comecei a compartilhar com todos juntos: MCD, Tesoureiro, RSGs e descobri a verdadeira "gratidão". Gratidão com o grupo, com o Distrito e com nossa Irmandade como um todo. Senti de perto o que os outros companheiros servidores passaram; vi a dificuldade que o MCD tem para convencer os Grupos a fazer o plano, adquirir o Relatório Anual, a Revista Vivência; a dificuldade que o nosso tesoureiro tem em manter uma pequena reserva prudentemente.
Tudo isso, antes eu não aceitava, pelo contrário: resmungava. Hoje, caros companheiros leitores da Vivência, estou experimentando pela primeira vez a verdadeira "gratidão".
Experimentem vocês, também; compartilhem como compartilhei e, sejam felizes como estou sendo. Hoje nós, do Distrito, estamos gratificados com os trabalhos que estamos 
desenvolvendo. A maioria dos grupos assinou a Revista Vivência e mais da metade adquiriu o Relatório Anual.
Todos contribuem com o Plano 60, 25 e 15, abrimos nossa Caixa Postal, o MCD está fazendo seu trabalho junto aos nossos Órgãos de Serviços.
Quero com essa minha experiência mostrar que devemos ser gratos à nossa Irmandade, aos nossos Grupos, ao Distrito, aos Escritórios, à JUNAAB e à Conferência, pois todos dependem de nós e mais ainda: aqueles que estão para chegar.
Quantos de nós, quando bebíamos pagávamos rodadas e mais rodadas de bebidas para os outros?
Pois bem, se cada um de nós colocar na sacola a quantia equivalente ao preço de uma cerveja, ou outra bebida barata, já é um grande passo que estamos dando.
Essa experiência aprendi, passei para meus companheiros do nosso Grupo base, e conseguimos tirar o Grupo de uma escola pública. Hoje pagamos nosso próprio aluguel, contribuímos com os Órgãos de Serviços e  estamos conduzindo bem os trabalhos da Irmandade como um todo.
Sou feliz e grato a todos os meus companheiros e a Alcoólicos Anônimos.

Antonio Cícero/Pesqueira/PE

Vivência n° 94 - Mar/Abr.2005