sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Mistérios do Livro Azul


Mistérios do Livro Azul

 Alguns membros de A.A. expressam sua opinião de que o livro Alcoólicos Anônimos pode ser suficientemente compreendido com a primeira leitura, e que contém pouco ou nada digno de ser repassado posteriormente, quer para referências ou mesmo para estudos. Isso pode valer para pessoas com o dom de compreensão instantânea e a capacidade de lembrar-se totalmente.

 Contudo, existem advogados não-alcoólicos muito capazes, que sempre voltam aos livros básicos da sua profissão. O mesmo acontece com engenheiros, navegadores, editores e cirurgiões. Será possível que o cérebro do alcoólico, até há pouco tempo confuso e deteriorado pela desnutrição, pelo ressentimento, pela ansiedade e por convicções desastrosas, possa reter permanentemente os pontos essenciais de um volume que tem tantas páginas, com uma só leitura.

 Uma coisa é certa: Eu não tenho capacidade de aprendizagem tão poderosa. Freqüentemente, preciso reler pontos do nosso Livro Azul. E, tal como acontece com outros companheiros, geralmente tenho a impressão de que "foram feitas mudanças" no texto desde a minha última leitura e frases inteiras foram "acrescentadas", significados foram "alterados" e partes do texto que me lembro com clareza, "desapareceram" sem deixar rastro.

 Para isso, encontro duas possíveis explicações:

 1) Quando estou dormindo, duendes entram em minha casa e mudam o livro, usando pequeníssimos computadores e impressoras, chegando ao ponto de duplicar as anotações à mão que eu mesmo fiz três meses antes, nas margens das páginas.

 2) Ou então, minha memória é falível (se eu consegui adquirir a minha sanidade, como o Livro Azul promete no Segundo Passo, e se o programa está dando a mim algum progresso espiritual) e, na realidade, o que acontece é que eu vou percebendo significados novos que me escaparam na leitura anterior.

 A teoria dos duendes tem o seu atrativo, afinal, é mais "fácil" para o meu ego acreditar neles do que na possibilidade de que eu esteja errado. Nesse caso, além de brincalhões, esses duendes são também muito benevolentes, pois até agora todas as "mudanças" feita no livro foram úteis para mim. E "eles" parecem fazer mudanças idênticas nos livros dos demais companheiros, que também falam de novos significados que perceberam no texto dos seus livros...

 Na verdade, além da necessidade de corrigir a minha própria memória errática, existe outra razão pela qual devo reler ocasionalmente o Livro Azul: é que às vezes ouço afirmações de membros de A.A. que me confundem. Por exemplo, na nossa região, escutamos com freqüência que "não existem obrigações em A.A."

 Evidentemente, tais oradores têm uma cópia do Livro Azul que não foi revisada pelos duendes, porque, através de todo o meu exemplar do livro, eu encontro obrigações, às vezes três ou quatro numa só página. Aqui estão algumas delas, e os grífos são meus:

 - "Devemos buscar uma base espiritual da vida..."

 - Se estamos planejando deixar de beber, não deve haver reservas de nenhuma classe, nem a menor noção de que algum dia seremos imunes ao álcool."

 - "Sobretudo, nós os alcoólicos devemos nos libertar desse egoísmo. Devemos fazê-lo ou o egoísmo nos matará."

 - "Devemos estar dispostos a fazer reparos..."

 - "Esses sentimentos devem ser controlados..."

 - "Pedimos que nos dê força e orientação para fazer o mais correto, sem nos importar com as conseqüências pessoais que se derivam disso... Não devemos nos atemorizar por nada..."

 Essas são somente algumas amostras da grande quantidade de deveres contidos no Livro Azul. Além disso, existem nele centenas de frases que contém palavras como: "absolutamente"; "essencial"; "necessariamente"; "indispensável"; "completamente"; "conscientemente" e "sem falta". São palavras que significam obrigações para qualquer mente que não esteja procurando uma brecha para escapar.

 É verdade que essas obrigações não são forçadas para o recém-chegado e nem impostas pelos membros antigos de A.A., nem por nenhuma lei ou regulamento feitos pelo homem. Nesse sentido, não existe mesmo nenhuma obrigação; nós alcoólicos temos a liberdade de beber e a liberdade de descartar totalmente os Doze Passos. Se o fizermos, ninguém nos imporá multas e nem nos expulsará da Irmandade. O "máximo" que poderá nos acontecer, é chegar a enlouquecer ou morrer... 

(El Mensaje, dez.1975)

(Vivência - Jul/Ago 2000)

Reflexões Diárias de A.A.: 31/08


31 DE AGOSTO
UM PROGRAMA ÚNICO

Alcoólicos Anônimos jamais terá uma classe profissional. O antigo ditado: “O que vos foi dado de graça, de graça deveis dar.”, tornou-se plenamente compreensível para nós. Descobrimos que no nível de profissionalismo, dinheiro e espiritualidade não se misturam.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Acredito que Alcoólicos Anônimos permaneça sozinho no tratamento do alcoolismo porque ele é baseado unicamente no princípio de um alcoólico compartilhando com outro alcoólico. Isto é que faz o programa ser único. Quando decidi que desejava ficar sóbrio, chamei uma mulher que sabia ser membro de A.A., e ela transmitiu-me a mensagem de Alcoólicos Anônimos; Não recebeu nenhuma compensação monetária, mas, ao invés disso, foi paga pelo fato dela mesma ter ficado sóbria por mais um dia. Hoje eu não pediria nenhum pagamento que não fosse um outro dia livre do álcool. Dessa forma, sou pago generosamente pelo meu trabalho.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fé, coragem e a bicicleta!


FÉ , CORAGEM E A BICICLETA!

"O grande sonho de estar presente ao maior Evento Regional de A.A. aliado à fé, à perseverança e à coragem, o levou a dar um grande exemplo de participar e conviver com irmãos."

A. J. é de Bananeiras, Paraíba, hoje tem 61 anos de idade e reside em Natal, Rio Grande do Norte, há 30 anos.

Está acostumado a se deslocar para eventos de A.A., dentro do estado, usando a sua bicicleta. Desse modo, dizia a seus companheiros que iria ao XVII Seminário de A.A. da Região Nordeste, em João Pessoa, utilizando o seu meio de transporte. Os seus companheiros não acreditaram muito, mas se surpreenderam quando o viram em João Pessoa, no dia
25 de novembro. É que A.J. é vendedor ambulante e, ganhando pouco, só poderia mesmo ter chegado de bicicleta, e não deu outra. A. havia saído às cinco da manhã de Natal e chegado a João Pessoa às duas da tarde. Havia pedalado por onze horas e feito pequenas paradas para comer alguns cajus, retirados diretamente dos pés, à beira da estrada. Fizera um pequeno lanche em Mamanguape, já na Paraíba, quando eram duas da tarde. Para beber água havia parado duas vezes, sendo uma na cidade de Goianinha e chegou ao destino apenas com a virilha queimada, conforme o seu dizer, e mais nada, após percorrer mais de 200 km. Disse que gosta de andar de bicicleta e a prefere ao cavalo ou burro porque não sacode e que, para fazer a viagem, foi suficiente usar óculos escuros para se proteger do sol intenso. O resto foi contar com a sua forma física e com a fé que tem em Deus.

Durante a viagem, teve duas situações de perigo. Uma delas ocorreu quando passou por ele uma carreta. Na passagem em si, tudo bem, mas depois que passou a carreta o "sugou" e ele se sentiu sendo arrastado. Foi surpreendido e teve medo de tombar. É que A.J. sentira o efeito que os corredores de automóvel tanto apreciam, que é o vácuo, que os
levam para velocidades maiores, independentemente do motor. Amaro gostou da coisa, mas inesperada que foi, o assustou e deu medo. A outra situação de risco ocorreu quando derrapou nas pedrinhas de um acostamento em declive e a bicicleta tombou, mas ele conseguiu sair do tombo e ficou de pé. Aí os cortadores de cana que estavam próximo gritaram e o chamaram de "velho rápido".

Relatou também que se a bicicleta sofresse alguma avaria, a idéia era ir empurrando a máquina até a próxima cidade, o que pareceu simples para ele mas isso seria um grande desafio para qualquer um de nós, com esta idade.

Acresce ainda que eram poucas as cidades existentes no caminho, apenas seis pequenas cidades: Parnamirim, São José do Mipibu, Goianinha e Canguaretana, todas no Rio Grande do Norte; Mamanguape, onde na descida de uma pequena serra levou o susto do vácuo da carreta e Bayeux, essas últimas na Paraíba. Para situações de avaria na bicicleta, contava apenas com umas poucas ferramentas.

O grande sonho de estar presente ao maior evento regional de A.A., que é o Seminário, e de desfrutar da companhia dos companheiros e amigos, aliado à fé, à perseverança e à coragem, o levou a dar um grande exemplo do desejo de participar, de conviver com irmãos.

Seu padrinho M. diz que ele hoje é um ser humano renovado pelo despertar espiritual e que, apesar de A. o chamar de "padrinhão", ele se sente estimulado pelos exemplos de recuperação que o A.J. lhe dá, de tal forma que M. considera que A.J. é que é o seu padrinho, realmente.

Mas A. não ficou só nisso. Tendo dado um exemplo de fé e de coragem na ida para o Seminário, deu outro exemplo, o de humildade, ao aceitar que os companheiros de Natal o levassem de volta de ônibus, incluindo a bicicleta. Não lhe ocorreu a idéia de se exibir fazendo a volta de bicicleta e de exibir um ego que poderia ter sido exaltado pela proeza que havia realizado.

Humildemente, aceitou voltar com os companheiros e, desse modo, ofereceu mais um exemplo, mostrou mais um aspecto da boa qualidade da sua recuperação.

Laís/Rio de Janeiro/RJ

Reflexões Diárias de A.A.: 30/08


30 DE AGOSTO
O ÚNICO REQUISITO

“Em dada época... cada Grupo de A.A. tinha numerosas regras de ingresso. Todos temiam que alguém ou alguma coisa fizesse o barco virar... A lista total era quilométrica.

Se todas aquelas regras vigorassem realmente em toda a parte, ninguém teria conseguido ingressar em A.A....”

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Sou grato pelo fato de que a Terceira Tradição somente requer de mim o desejo de parar de beber. Quebrei promessas durante anos. Na Irmandade não precisei fazer promessas. Não precisei me concentrar. Precisei apenas assistir a uma reunião, em condição, para saber que estava em casas; Não tive que prometer amor eterno. Aqui, estranhos me abraçaram. “Vai melhorar” eles disseram, e: “Um dia de cada vez, você pode fazer”. Eles não eram mais estranhos, mas amigos carinhosos. Peço a Deus que me ajude a alcançar as pessoas que desejam a sobriedade e que, me mantenha sempre grato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Eu precisava mudar muito


EU PRECISAVA MUDAR MUITO 

"Em A.A. encontrei minha paz de espírito, o sossego de minha esposa, mãe e filho."

       Durante vinte e sete anos ingeri meu primeiro gole. Tudo começou bem aos 13 anos, participando de festinhas, namoradas, conseguindo amizades que me incentivavam a usar o álcool para superar uma timidez que me acompanhava. Com o passar do tempo, o uso de bebidas alcoólicas era uma rotina diária. Mesmo assim ainda consegui uma esposa, porém, devido ao meu comportamento, seus familiares não me aceitaram bem. Sofreram 14 anos lutando para que eu me livrasse do alcoolismo, pois para eles, era meu único defeito.

       Perdi um irmão vítima do alcoolismo. Após dez meses de tratamento da doença recebi um convite para ir a uma reunião de A.A., exatamente no dia em que estava programando o início de novas farras.

       Não quis aceitar, mais fui convencido, graças ao Poder Superior que para mim é "Deus", a assistir uma reunião. Chegando no grupo me dei mal, pois não encontrei os amigos de outrora. Fui ouvindo alguns depoimentos e leituras. Senti haver encontrado um lugar que poderia reverter minha situação, porém tudo dependeria da minha vontade. Pedi meu ingresso e foi uma grande conquista.

       Hoje estou bem com meus familiares e atravessando bons momentos na vida.

       Não tenho dúvida; em A.A. encontrei minha paz de espírito, o sossego de minha esposa, filho e mãe, os quais passaram muitas noites sem dormir por minha causa.

       Quando comecei a ler os Doze Passos descobri que o programa de A.A. é muito profundo e que eu precisava mudar muito, pois só parar de beber não era o suficiente;
necessitava, assim como admiti minha impotência, humildade para reconhecer minhas falhas e rogar a Deus que me livrasse das minhas imperfeições. Olho para o céu e agradeço a "Deus" e aos companheiros de A.A., pois, através da dor, entrei para uma nova vida através da modificação de minhas atitudes e sem a ajuda que tenho recebido seria muito difícil.

       A todos os companheiros e companheiras de A.A. o meu muito obrigado e vinte e quatro horas de sobriedade.

Valdemar P./Piauí

Vivência n° 97 –
Setembro/Outubro 2005

Reflexões Diárias de A.A.: 29/08


29 DE AGOSTO
EU ESCOLHO O ANONIMATO

Temos a certeza de que a humildade, expressa pelo anonimato, é a maior salvaguarda que Alcoólicos Anônimos sempre poderá ter.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Uma vez que não existem regras em A.A., coloco-me onde quero estar e, portanto, escolho o anonimato. Desejo que meu Deus me use, humildemente, como uma de suas ferramentas neste programa. Sacrifício é a arte de dar de mim mesmo generosamente, permitindo que a humildade substitua meu ego. Com a sobriedade, suprimo aquela ânsia de gritar para o mundo:

“Eu sou em membro de A.A.” e experimento alegria e paz interior. Deixo as pessoas verem as mudanças em mim e espero que elas perguntem o que me aconteceu. Coloco os princípios de espiritualidade à frente de julgamentos precipitados, de fofocas e de críticas. Desejo amor e carinho em meu Grupo, para poder crescer.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Inventário Diário


INVENTÁRIO DIÁRIO

O propósito deste inventário diário é uma auto-avaliação e só por hoje nossos pensamentos estarão concentrados em nossa recuperação. Seguem as perguntas:

1) De que maneira agi diferente hoje?

2) Estive com a cabeça fora do programa dos Doze Passos? Como?

3) O que fiz hoje que não correspondeu ao meu propósito no programa?

4) O que eu gostaria de ter feito hoje no meu programa e não fiz?

5) Hoje foi bom para mim?

6) Procrastinei hoje?

7) Tive inveja?

8) Tive preguiça?

9) Menti?

10) Pensei em luxúria?

11) Tive gula?

12) Hoje foi um bom dia?

13) Tive serenidade?

14) Admiti minhas impotências?

15) Fui capaz de confiar em Deus (Poder Superior)?

16) O que aprendi hoje sobre mim mesmo?

17) Fiz reparações hoje?

18) Admiti meus erros?

19) Prejudiquei alguém ou a mim mesmo?

20) Estou disposto a mudar?

21) Hoje o importante foi dar continuidade ao programa?

22) Estive consciente de meus erros?

23) Fiz minha espiritualidade consciente e buscando o Poder Superior?

24) Senti medo?

25) Senti alegria?

26) Tive algum sentimento que não tenha sido relacionado neste inventário?

Recomenda-se que esse exercício seja feito no término da jornada diária e acompanhado de uma boa espiritualidade.

Responda com sinceridade, é para você mesmo.

Reflexões Diárias de A.A.: 28/08


28 DE AGOSTO
ALIVIANDO A CARGA

Mostrar aos outros que sofrem como recebemos ajuda é justamente o que faz a vida nos parecer valer tanto a pena... o passado negro é... a chave para a vida e a felicidade de outros.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Desde que estou sóbrio, sarei de muitas dores: de enganar meu sócio, abandonar meu melhor amigo e estragar as esperanças que minha mãe nutria para minha vida. Em cada caso, alguém no programa me falou de um problema similar, e pude compartilhar o que tinha me acontecido. Depois que contei minha história, ambos nos levantamos com os corações aliviados.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Um dia por vez, devagar se vai ao HOJE


Um dia por vez, devagar se vai ao HOJE                                      

Já vivi num mundo de sonhos e ilusões. Sonhava alto demais. E como não conseguia realizar esses sonhos, acabava me magoando e aos outros também. Com isso, vinha a decepção e com ela misturavam-se a autopiedade, o sentimento de inferioridade, a inveja, o ódio. Sentimentos que destroem qualquer ser humano.

Sem saber o que fazer, caí numa armadilha, passei a fazer uso de uma substância e só pela graça de Deus não perdi a vida.

Durante oito anos fiquei na escuridão, sofrendo e fazendo a família sofrer. Mas, como tudo tem um fim, meu sofrimento terminou no ano de 1994, com minha chegada a Alcoólicos Anônimos.

Descobri que sou impotente perante o álcool. Descobri também um programa que me ensinou a viver um dia por vez. Não sofro com as lembranças do passado... pois ele já passou e não voltará jamais. Não tenho medo do futuro, pois quando ele chegar será hoje.

Então, o que me interessa mesmo é viver o dia de hoje. Sonhando de acordo com minha vida, vivenciando aquilo que me é possível.

Vivo o meu dia da melhor forma possível, assim venho conseguindo atingir meus ideais, que são viver em paz comigo mesmo, com minha família, a sociedade, trabalhar, respeitar o meu semelhante e ser respeitado. Minha meta é viver um dia de cada vez dessa forma. Agradeço a todos os companheiros do grupo de A.A. Também não posso esquecer a minha esposa que, mesmo sofrendo, conseguiu se manter ao meu lado e foi a responsável pela minha chegada em A.A Hoje ela está no Al-Anon e eu em AA - graças à ajuda de um Poder Superior conseguimos superar nossas dificuldades através do programa. Hoje sei que é possível viver longe do álcool um dia de cada vez.

Vinte e quatro horas de sobriedade a todos os meus companheiros de A.A.

(Ronaldo, São Paulo /SP)

VIVÊNCIA N°. 68 – NOV/DEZ DE 2000.

Reflexões Diárias de A.A.: 27/08


27 DE AGOSTO
CENTRANDO NOSSOS PENSAMENTOS

Quando se desencadeou a Segunda Guerra Mundial, nossa dependência em A.A. de um Poder Superior enfrentou o seu primeiro grande teste. Muitos Aas alistaram-se e espelharam-se pelo mundo. Seriam eles capazes de obedecer às ordens, fazer face aos tiroteios e perseverar...?

NA OPINIÃO DO BILL

Centrarei meus pensamentos em um Poder Superior. Renderei tudo a esse Poder dentro de mim. Serei um soldado por esse Poder, sentindo a força do exército espiritual tal como existe hoje em minha vida. Permitirei que uma onda de união espiritual me conecte a esse Poder Superior através de minha gratidão, obediência e disciplina. Que eu permita a esse Poder guiar-me através dos regulamentos do dia. Que os passos dados hoje por mim, fortaleçam minhas palavras e meus feitos, que eu saiba que a mensagem que levo é para ser compartilhada, dada livremente por esse Poder Superior a mim.

domingo, 26 de agosto de 2012

Alcoolismo


ALCOOLISMO

O alcoolismo surge na vida de um ser humano como o nascer de um rio.

Este, ao pesquisarmos sua origem, vem de um lugar bem longínquo: de um olho d’água, de uma serra ou mesmo de uma colina.

Na proporção em que desce, torna-;se cada vez mais forte e largo. E, para que ele possa passar, vai destruindo e machucando tudo e a todos à sua volta, deixando atrás de si, tristezas, amarguras, abandonos, lágrimas ... Corre desenfreado e só é barrado quando chega ao destino final: O OCEANO.

Do mesmo modo somos nós. Dificilmente sabemos quando começamos a beber. E o pior de tudo, é não percebermos a sua evolução e os danos causados a tudo e a todos que nos cercam. Nossos familiares, por desconhecimento, escondem e até contribuem para a ocorrência de tal fato, quando, impensadamente, encobrem ou tentam encobrir todas as atribuições que o alcoólico deixa de cumprir.

A sociedade, que tanto o influenciou para esta degradante jornada, o joga na sarjeta. Como o rio, o bebedor vai descendo desenfreadamente para o OCEANO de lama e que tem como final "MORTE PREMATURA".

O rio pode, parcialmente, mudar o seu curso natural, porém, dificilmente o seu destino. Quanto ao alcoolismo, podemos estacioná-lo. Basta o bebedor problema admitir ser impotente perante o álcool e ter perdido o controle da situação. Quer ele queira ou não, tornou-se escravo do álcool e só vive para ele e do qual passou a ser defensor absoluto, e que com o tempo, como num redemoinho, se envolve mais e mais.

A chave da situação está tão somente na admissão de que fracassou (como todos fracassam na acirrada batalha diante do alcoolismo). Para obter a abstinência, tem que reter o olho d' água (primeiro gole) do rio chamado alcoolismo e ir aterrando todo o leito até o oceano de lama, com os ingredientes contidos nos Doze Passos. De nada adianta fecharmos o olho d' água (Primeiro Passo) se não aterramos todo o Curso do rio, reflorestando, revitalizando, reconstruindo pontes e cidades (os Doze Passos). Sem isso, não estaremos fazendo a reforma necessária, podendo ainda, assim, haver uma avassaladora enchente chamada recaída.

Para que tal catástrofe não ocorra, temos que estar sempre inteirados e absorvidos com a programação e seguindo as sugestões contidas nos Doze Passos e nas demais literaturas.

Guedes S. Lourenço da Mata

VIVÊNCIA 25 JUL/AGO/SET. 93 

Reflexões Diárias de A.A.: 26/08


26 DE AGOSTO
DANDO ADIANTE

Embora soubessem que para se manterem sóbrios precisavam ajudar a outros alcoólicos, este motivo tornava-se secundário. Foi superado pela felicidade que sentiam ao dedicar-se ao próximo.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Para mim, estas palavras referem-se a uma transferência de força pela qual Deus, como eu O concebo, entra em minha vida. Pela prece e meditação, eu abro canais, e logo estabeleço e melhoro meu contato consciente com Deus. Através da ação recebo então a força de que preciso para manter minha sobriedade a cada dia. Mantendo minha condição espiritual, presenteando alguém com o que tão gratuitamente me tem sido dado, eu me concedo um indulto diário.

sábado, 25 de agosto de 2012

Oitava Tradição


OITAVA TRADIÇÃO
Claudio - Muriaé - MG 

"Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre nao-profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados." 

Espiritual como é, o A. A. continua muito deste mundo. A Oitava Tradição, como a Sétima, focaliza uma palavra comum de oito letras que, na realidade, não é mencionada em nenhuma das duas: dinheiro. Muitos de nós tivemos de explicar a algum interessado cínico que só acredita nos valores materiais: "Não. Não sou assistente social, estou fazendo isto porque é a melhor maneira de eu rnesmo permanecer sóbrio. Isto, naturalmente, não significa que a ideia de se tornar profissional nunca tenha passado pela cabeça de qualquer A. A.. Nos anos magros, Bill W. chegou a pensar em se tornar urn terapeuta leigo, para ganhar dinheiro através de sua experiência em ajudar alcoólatra. Mas, corn uma forte cutucada da consciência do grupo percebeu logo que nunca poderia dependurar um letreiro corn esses dizeres: "Bill W: terapeuta de A. A.. CR$ 200,00 a hora!". Ficou claro, para os primeiros membros, que nenhum AA jamais deveria pedir ou aceitar pagamento por "levar esta mensagem a outra pessoa, pessoalmente, frente a frente."

Mas novas questões surgiram quando o numero de membros aumentou e a mensagem de esperança se espalhou, levando milhares de alcoólatras a procura do A. A.. Os primeiros escritórios Intergrupais ou centrais geralrnente eram cuidados por A. As voluntários; agora, a maioria desses escritórios esta de tal modo assoberbado, que se precisa de empregados em regime de tempo integral. Os A. As estão, naturalmente, mais aptos para tais tarefas do que os nao-membros. Mas então estes A. As estão sendo pagos para executar trabalhos do Décimo Segundo Passo? Não. No escritório, eles estão apenas preparando c caminho para este trabalho. Arranjando a internamento de urn ébrio doente, dizendo a um tremulo recém-chegado a encontrar a reunião mais perto naquela noite, eles estão ajudando esses alcoólatras a receber a mensagem "pessoalmente e frente a frente". Urn desenvolvimento semelhante ocorreu na "matriz" da irmandade de urn exíguo escritório para o cofundador (Bill) e uma secretaria, ela cresceu e transformou-se no atual Escritório de Serviços Gerais norte americano, corn urn quadro pessoal completo, e uma grande sala de correspondência, mantendo abertas as linhas de comunicação corn o A. A. no mundo inteiro. Os empregados, tanto os A. As como as nao-alcoolatras, são pagos numa escala comparável aquelas das empresas que visam a lucros, de modo que o pessoal do escritório possa trabalhar profissionalmente e os A. As componentes do quadro de pessoal estão exatamente na mesma posição dos A. As empregados nas intergrupais. Num dia que você estiver em São Paulo, suponhamos que você apareça no ESG.

Urn funcionário que para a seu trabalho, a fim de conversar corn você, poderá, estar trabalhando na Conferencia do próximo ano, ou correspondendo corn grupos de sua Área, ajudando-os a levar a mensagem de modo mais eficiente. Para isto, ele é pago no fim do mês. Mas, você poderá ouvi-lo dizer a outro funcionário que ira levar urn novato para o seu grupo, naquela noite, e para isto ele é pago corn a continuação de sua sobriedade. Nestas tarefas de escritório e outras atribuições,os membros, na realidade, são pagos pelos seus serviços e habilidades profissionais. Trabalhando a mesa do Escritório de Serviços Gerais, em livros e livretes aprovados peia Conferencia, ou na publicação do Boletim Nacional, estes A. As usam as suas habilidades como correspondentes, gerentes, escritores, editores, artistas e revisores, bem coma o seu conhecirnento do A. A. internamente. Às vezes, voluntários tem oferecido tempo a talento para todos esses serviços, e suas contribuições são muito apreciadas. Mas o que aconteceria se a Irmandade decidisse que todas as atribuições deste tipo tivessem de ser executadas somente por voluntários não remunerados? Atualmente, em A. A. existe urn born volume de trabalho para ser feito nas horas vagas, aqui e ali, e apenas os ricos ou aposentados teriam condições de trabalhar em regime de tempo integral. Se tentássemos encontrar, nesse grupo limitado, pessoas aptas para tarefas especiais, obviamente a campo estreitaria na malaria das vezes, ate não sobrar absolutamente ninguém.

Haveria outro problema no emprego de voluntários apenas: parece ingratidão, ou, pelo menos, é indelicado, criticar cu rejeitar urn serviço feito de graça. Mas, serviços para o A. A. que são pagos, passam par urn exame muito rigoroso. Consideramos nossa literatura, por exemplo. Qualquer que seja o assunto, queremos estar certos de que cada trecho expresse tão claramente, quanto possível, o ponto de vista da consciência de grupo do A. A. como um todo. Assim, qualquer projeto novo deve, primeiramente, ser aprovado pela Conferencia. Uma vez em andamento este projeto, o Comitê de Literatura da Junta de Serviços Gerais fica corn a atenção voltada para ele, em todas as suas fases. Muitas vezes, mudanças drásticas são exigidas. 0 produto "acabado" então deve receber o visto tanto daquele Comitê como do Comitê de literatura da Conferência, e outras revisões são muitas vezes necessárias. "Espere ai" – algum veterano poderá interromper. "O que está havendo aqui? O Dr. Bob não disse: "Conservemos isto simples"?".

* Ciclo das Doze Tradições - outubro de 2003 - Leopoldina - MG 

Reflexões Diárias de A.A.: 25/08


25 DE AGOSTO
A DÁDIVA DE VINCULAR-SE

Libertai-me da escravidão do ego, a fim de servir melhor a Vossa vontade.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Muitas vezes, no meu estado alcoólico, bebia para estabelecer um vínculo com os outros, mas conseguia somente estabelecer a escravidão da solidão alcoólica.

Através da maneira de vida de A.A. tenho recebido a dádiva de vincular-me com aqueles que chegaram antes de mim, com aqueles que estão chegando agora e com aqueles que ainda virão. Por esta dádiva preciosa de Deus, sou eternamente grato.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Irmandade sem Fronteiras


IRMANDADE SEM FRONTEIRAS 

“Sou portador da doença do alcoolismo e meu lugar é em um grupo.”

Venho através desta demonstrar minha satisfação em ser assinante da revista Vivência. Sou militar da Marinha do Brasil e por várias vezes estando em viagem, no navio em que servia na época, a Revista foi a minha reunião particular.

Sempre que saía do serviço e estava em horário de folga, eu me recolhia no camarote e ficava deitado lendo a Revista. Esse hábito me foi muito importante, visto que na minha época de ativa, sempre que o navio atracava nos portos eu saía direto para as farras e bebedeiras. No inicio da minha caminhada a Revista teve sempre um papel importante me alertando de que sou portador da doença do alcoolismo e que meu lugar é em um grupo.

E depois que adquiri o hábito da leitura e especialmente da Vivência, sempre que o navio chegava em um porto eu procurava saber qual o grupo mais próximo, para que eu pudesse ir até lá trocar experiências e também fazer novas amizades.

Um detalhe que devo ressaltar é o fato de que por várias vezes, eu chegava em algum porto e não sabia onde encontrar um grupo; então, eu ligava para o ELS que se encontrava na revista e sempre fui prontamente atendido. As informações me eram passadas de forma rápida e correta. Por isso o fato importantíssimo dos grupos terem seus dados sempre atualizados nos seus ELSs.

Outra experiência fantástica foi a de que sempre que chego em algum lugar onde me apresento e me informo que sou de outra cidade / Estado e estou visitando o local, a companheirada sempre tem um acolhimento especial. Trocamos cartões de grupos e informações sobre Alcoólicos Anônimos, e evidentemente as nossas forças e esperanças em dias melhores.

Obrigado, Vivência, por estar comigo nos primeiros passos de minha caminhada e por estar me apadrinhando até os dias de hoje.

(Luiz Alberto, RJ)

VIVÊNCIA N°. 86 – NOV/DEZ. DE 2003.

Reflexões Diárias de A.A.: 24/08


24 DE AGOSTO
UM ENIGMA QUE FUNCIONA

Talvez seja possível encontrar explicações de experiências espirituais iguais às nossas, mas tentei muitas vezes explicar a minha e só obtive bons resultados, ao narrá-la.

Conheço a sensação do que isto me deu e os resultados alcançados, mas compreendi que nunca entenderei completamente suas implicações mais profundas.

NA OPINIÃO DO BILL

Tive uma profunda experiência espiritual durante uma reunião aberta de A.A., que me levou a falar: “Eu sou um alcoólico!”. Não bebi desde aquele dia. Posso falar para vocês as palavras que ouvi antes da minha admissão e como me afetaram, mas como e porque aconteceu eu não sei. Acredito que um Poder Superior a mim me escolheu para que me recuperasse, mas ainda não sei o porquê. Tento não me preocupar ou imaginar o que ainda não sei; ao invés disso, confio que se continuar a praticar os Passos e os princípios de A.A. em minha vida e compartilhar minha história, serei guiado amorosamente para uma profunda e madura espiritualidade, na qual mais ainda me será revelado. Por enquanto, é uma dádiva para mim confiar em Deus, praticar os Passos e ajudar os outros.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vivenciando a Vivência


VIVENCIANDO A VIVÊNCIA 
(Grupo Unidos do Parque/PE)

O Grupo tem uma reunião semanal dedicada à VIVÊNCIA. Já foram abordados trinta e oito temas com base na Revista.

Em 1985 foi fundada a Revista Brasileira de A.A. de número zero e, posteriormente, a revista número um chamada VIVÊNCIA, que retrata em seu significado literário, o "fato de viver".
Esta revista é para nós um retrato bimestral do modo de viver dos AAs brasileiros e, porque não dizer também, de muitos amigos de A.A.
É o fruto de muito sacrifício, noites mal-dormidas, dificuldades financeiras, muitos atropelos. São sugestões não só de membros, como também de muitos não-AAs: médicos, religiosos.. . os profissionais, enriquecendo nossos conhecimentos.
Hoje temos uma coletânea progressiva, propiciando- nos meios práticos de compreendermos a filosofia de A.A.
Temos mais é que vivenciá-los, transmiti-los, não só para os que buscam A.A., como para aqueles que não sabem ou não gostam de ler. Quando vivenciamos essa literatura, ficamos mais informados e, conseqüentemente, poderemos transmitir melhor a filosofia de A.A. 
Por isso, convidamos todos os Grupos e membros, para que explorem o máximo seu conteúdo, não deixando as revistas apenas como enfeites de nossas estantes.
Um dos meios mais viáveis de vivenciá-las é através de temáticas, estudos. Quanto mais informado estiver um grupo, mais feliz e completo é o seu desempenho. Só se aprende a ler, lendo!
Foi pensando nisso que o Grupo Unidos do Parque de A.A. resolveu fazer uso adequado desta Revista. Em reunião de serviço realizada no final de 1994, por unanimidade, decidiu-se transformar a "Reunião de Novos", que ocorre aos domingos (com exceção do último, pois, este é dedicado à reunião de serviço), para estudar e debater alguns artigos da VIVÊNCIA, para o exercício de 1995. O título aprovado para este maravilhoso trabalho foi o título deste artigo: "Vivenciando a Vivência".
Começamos em primeiro de janeiro, com a revista de número 24 e o tema foi "Anonimato". Por sinal, tema abordado nessa edição. Foi de suma importância, pois havia em nosso Grupo contraditória interpretação. "De priori", foi salutar.
Cada vez que adentrávamos em suas páginas, mais conhecimento adquiríamos .
No período de 95, abordamos através da revista os "Três Legados de A.A.: 
Primeiro Legado (Recuperação) - analisamos, discutimos e apreciamos vinte e dois diferentes tópicos e diversos pontos dos nossos Doze Passos.
Segundo Legado (Unidade) - foram oito tópicos, os mais promissores possíveis, para mantermos a Unidade dentro do Grupo, com os Grupos vizinhos, com o público em geral - sem afiliação, é claro! - e com A.A. no seu todo.
Terceiro Legado (Serviço) - assim como o Segundo Legado, também foram oito os temas abordados, despertando o interesse dos membros para o serviço, colocando os princípios acima das personalidades.
Ao todo foram trinta e oito temas abordados. Muito pouco para a quantidade de exemplares trabalhados, doze ao todo. Porém, foi o pontapé inicial para que possamos dar continuidade, não só em 96, como por todo o tempo, pois cada vez surgirão mais exemplares, mais artigos e, conseqüentemente, aumentará em nós o desejo do saber.
Esperamos, com esse exemplo, despertar o interesse de Grupos e membros, para que seja feito um minucioso exame desta maravilhosa Revista.
Em nossa comunidade está havendo um verdadeiro despertar, o número de assinantes está crescendo e as divergências estão se atenuando.
Obrigado, VIVÊNCIA!

Vivência nº 41 – maio/junho 1996

Reflexões Diárias de A.A.: 23/08


23 DE AGOSTO

TRAZENDO A MENSAGEM PARA O LAR


Somos capazes de tratar os nossos familiares, já bastante perturbados, com o mesmo espírito de amor e tolerância com que tratamos nossos companheiros do Grupo de A.A.?

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Os membros de minha família sofrem os efeitos de minha doença. Amá-los e aceitá-los como eles são – como amo e aceito os membros de A.A. - provoca um retorno de amor, tolerância e harmonia para a minha vida. Usar de cortesia normal e respeitar os limites pessoais dos outros, são práticas necessárias em todos os aspectos de minha vida.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os Antigos


OS ANTIGOS

Costuma-se dizer que em A.A. não se conta tempo, o que é sumariamente errado.

Em A.A., o tempo é que não conta, e o simples fato de você se julgar  “antigo” não quer dizer que esteja curado e deva lavar as mãos e  entregar aos outros todas as tarefas de A.A. Lembre-se de que o nosso  programa é de apenas vinte e quatro horas, mas que se renovam pela  vida toda.

 Não confunda abstinência com sobriedade, e o simples fato de você ser  antigo não quer dizer que esteja sóbrio.

 Sobriedade é um estado de espírito, o qual não se consegue apenas parando de  beber. Para consegui-la, três virtudes são necessárias: HUMILDADE,  SERENIDADE E FÉ. Todas se praticam e há muitos membros antigos que não  possuem nenhuma delas.

 Lembre-se de que o abstêmio tumultua, o sóbrio tranquiliza.

 Justino P. Goiânia - GO

 VIVENCIA N°. 29 MAI/JUN DE 1994

Reflexões Diárias de A.A: 22/08


22 DE AGOSTO
PROCURANDO A ESTABILIDADE EMOCIONAL

Ao desenvolvermos mais ainda, descobrimos que o próprio Deus, sem dúvida, é a melhor fonte de estabilidade emocional. Descobrimos que a dependência de Sua absoluta justiça, de Seu perdão e amor era saudável, e que funcionaria quando tudo o mais fracassasse. Se realmente dependêssemos de Deus, seria difícil para nós bancarmos o deus perante nossos semelhantes, e nem sentiríamos a necessidade de nos apoiarmos totalmente na proteção e no cuidado dos outros.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Durante toda minha vida, dependi das pessoas para minhas necessidades emocionais e de segurança, mas hoje não posso mais viver dessa maneira. Pela graça de Deus admiti minha impotência perante pessoas, lugares e coisas. Tinha sido realmente “um dependente de pessoas”: onde quer que fosse precisava haver alguém que prestasse alguma atenção a mim.

Era o tipo de atitude que somente piorava as coisas, porque quanto mais dependia dos outros e exigia atenção, menos recebia.

Parei de acreditar que qualquer poder humano poderia me libertar desse sentimento vazio. Embora permaneça um frágil ser humano que precisa praticar os Passos de A.A. para colocar este princípio acima da personalidade, é somente um Deus amoroso quem pode me dar a paz interior e a estabilidade emocional.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Bem recebido e bem informado


BEM RECEBIDO E BEM INFORMADO 

Ao ingressar em A.A. recebi algumas informações preciosas que relembro agora com vocês. Fui informado que:

1. O alcoolismo era uma doença física (o que não contestei, já que estavam se manifestando em mim evidentes sintomas físicos da doença).

2. Que era uma doença mental (o que também aceitei, já que estava evidente que sob o efeito do álcool eu ficava louco, agindo de forma incompatível com os meus princípios e a minha razão).

3. Que era uma doença espiritual (e, apesar de ser, à época, ateu... eu aceitei a hipótese na base da boa vontade).

4. Que o doente manifestava compulsão pela bebida (e era verdade no meu caso, eu começava a beber de repente... num impulso... sem querer... a compulsão seria isso, não ter controle sobre o começar a beber...).

5 Que o doente era vítima de uma obsessão mental (e no meu caso também era verdade, quando eu não estava bebendo estava planejando beber, ou parar de beber, mas meu cérebro estava sempre girando ao redor da garrafa).

6. Que o doente negava a sua doença (o que também era verdade no meu caso, nunca admiti que ninguém se manifestasse sobre minha forma de beber).

7. Que a doença era progressiva (o que também era verdade no meu caso, eu estava cada vez mais afetado pelo álcool).

8. Que era incurável (e aí eu tive que acreditar no que me diziam, mas a minha experiência fazia com que eu admitisse que poderia ser verdade, eu havia perdido o controle sobre a bebida e não conseguia recobrá-lo).

9. É de terminação fatal, ou seja, que um alcoólico como eu só iria parar de beber morto (ou talvez internado num manicômio eficiente ou num presídio mais ou menos organizado, porque ainda ali - num hospício ou na cadeia - eu iria continuar bebendo até morrer, se tivesse chance).

Apesar de serem péssimas notícias, eu não fiquei muito desesperado com elas, já estava num ponto em que a bebida me desesperava mais do que qualquer outra coisa no mundo. Eu estava num ponto em que não conseguia mais beber, nem parar de beber, eu era simplesmente levado e percebia que qualquer coisa poderia acontecer comigo e não seria surpresa nem para mim nem para ninguém.

Reparem bem, para chegar a esse ponto eu nunca dormi na rua, nunca fui preso, nem internado por doença alguma. Mas não ficaria surpreso que uma dessas coisas viesse a ocorrer comigo. Assim, quando algumas pessoas me falaram que isso havia ocorrido com elas, eu não me choquei muito, era bom saber que isso poderia ocorrer e era melhor ainda pensar que eu poderia evitar que viesse a ocorrer comigo.

Eu recebi os fatos sobre o alcoolismo de viva voz, de pessoas que haviam vivido a experiência de beber como eu bebia então... e essas pessoas haviam saído do inferno onde eu estava, algumas haviam saído de infernos piores do que o meu e eu queria saber como fora possível para elas, e se seria possível para mim.

Naquele momento não me importei nem um pouco com o fato de estarem na sala pessoas com níveis sociais, econômicos ou culturais acima ou abaixo do meu próprio... Isso era para mim mais uma evidência de que se tratava de uma doença, tal como as doenças "de verdade" (gripe, câncer, diabetes, etc.) o alcoolismo não fazia distinções desse tipo.

Na verdade, naquele exato momento, todos naquela sala me pareciam melhores e mais espertos do que eu: eles sabiam viver sem a bebida e eu não sabia.

Vieram então as boas notícias e a primeira era a de que a doença poderia ser paralisada em sua lenta progressão até a minha morte.

E que para isso não era preciso parar de beber para sempre, mas por apenas vinte e quatro horas!

Eu quase caí da cadeira... parar por vinte e quatro horas, só!

A primeira revolução efetiva que os companheiros de A.A. me propuseram foi a de parar de beber só por vinte e quatro horas.

É evidente que eu já havia pensado e desejado parar de beber para sempre, mas sempre era um tempo grande demais para o tamanho da minha força de vontade, que era pequena demais no que se referia a parar de beber.

Depois de um porre qualquer, eu, sempre, decidia que iria dar um tempo (uns meses, umas semanas, uns dias), mas eu mal conseguia ficar horas sem beber.

Achei de tamanho adequado à minha fraqueza o compromisso de ficar sem beber só por vinte e quatro horas.

É claro que eu sabia que aquelas pessoas já estavam há muitas vinte e quatro horas sem beber e é óbvio que eu também era capaz de compreender que aquelas vinte e quatro horas deveriam ser seguidas de outras mais indefinidamente, mas eu compreendi muito claramente que não deveria me preocupar com o dia seguinte, mas só com o dia de hoje.

Os companheiros que estavam naquela sala foram muito enfáticos em me explicar que, tal como eu, eles também ficaram cansados de tentar parar de beber a partir de amanhã, que amanhã ainda não existe e ontem já passou e que, portanto, só existe o dia de hoje... e assim por diante foram colocando argumentos e mais argumentos a favor da tese das vinte e quatro horas em oposição ao nunca mais...

Mas o que me impressionou foi algo que um companheiro disse. Ele enfatizou que decorridos 4 anos sem bebida ele ainda sentia, eventualmente, desejo de beber. Quando esse desejo era imenso, o que ele fazia era dizer para si mesmo que iria beber até cair... no dia seguinte, amanhã, quando esse dia chegava, se transformava em hoje, e como ele não queria beber só por hoje, ele ia driblando o seu desejo dia após dia sem grandes sofrimentos (só para registro, esse companheiro ainda faz parte da nossa Irmandade, já completou 14 anos de sobriedade contínua e não sente mais, há alguns anos, desejo de beber).

Era simples, mas uma revolução completa na minha forma de pensar. Tudo o que eu deveria fazer era uma pequena troca no meu calendário... o que antes eu fazia só por hoje (beber) eu passaria a fazer amanhã e o que eu faria amanhã (parar de beber) eu passaria a fazer só por hoje.

Parar de beber só por vinte e quatro horas era muito mais fácil do que parar de beber para sempre e eu comecei a achar que poderia dar certo, mas a questão era que eu estava bebendo todos os dias há 10 anos (eu tinha 31) e estava bebendo desde que acordava, há pelo menos 5 anos...

Sem dúvida era mais fácil parar de beber por vinte e quatro horas do que para sempre... mas no meu caso, mesmo vinte e quatro horas pareciam ser toda a eternidade e eu tinha medo...

Os companheiros então resolveram me dar sugestões de ordem prática.

De cara me sugeriram comer doces, caso não fosse diabético, e me explicaram que a ingestão de refrigerantes e doces (açucar) me ajudaria a amenizar a compulsão física pelo álcool. Antes que eu pudesse dizer que eu não gostava de doces, quase todos me relataram que, quando bebiam, também pensavam, como eu, que não gostavam de doces, mas que depois haviam descoberto que a rejeição aos doces era uma das pequenas conseqüências do alcoolismo (o álcool e o açucar são "primos", substâncias altamente calóricas e uma grande ingestão de uma, satura o organismo de calorias e diminui o desejo pela outra...).

Na mesma linha insistiram para que eu mantivesse o aparelho digestivo cheio todo o tempo, mesmo que fosse à custa de passar todo aquele primeiro dia beliscando coisas, e me alertaram que, dali por diante, uma alimentação regular deveria fazer parte de minhas preocupações (como eu sou do tipo magro, muito magro, até hoje tenho dificuldade em regularizar minha alimentação).

Insistiram que eu deveria dormir satisfatoriamente, que insone eu estaria à mercê de uma compulsão repentina pela bebida, sem acuidade mental necessária para enfrentar a pressão da doença.

Finalmente me disseram que eu não deveria, em hipótese alguma, naquelas primeiras vinte e quatro horas, ir a qualquer lugar onde estivesse acostumado a beber. "Evite os lugares da ativa", me disseram...

No campo mental me sugeriram que fixasse na mente o meu compromisso de ficar sem beber só por vinte e quatro horas, nada mais.

No campo espiritual... Bem, no campo espiritual estava ocorrendo uma verdadeira revolução dentro da minha cabeça, algo de muito importante estava acontecendo desde a véspera deste primeiro dia e eu vou ter que contar por partes porque foi tudo muito, muito significativo para mim e os detalhes estão gravados no meu cérebro, como se fosse uma tatuagem na carne.

Eu não sei se vocês ainda estão lendo, nem mesmo sei se estarão gostando ou detestando, mas vou continuar escrevendo. Aprendi em A.A. que pode ser, mas não é muito provável que eu consiga ajudar alguém com minhas palavras, mas que eu sempre vou conseguir me ajudar contando a minha história, e como pelo menos eu quero continuar por mais vinte e quatro horas sem beber, eu vou continuar. 

(ARMANDO, Rio de Janeiro/RJ) Vivência nº 60 - jul/ago 1999

Reflexões Diárias de A.A.: 21/08


21 DE AGOSTO
NÓS APENAS TENTAMOS

Minha estabilidade se originou em tentar dar, não em exigir que me dessem algo em troca.

O MELHOR DO BILL

Enquanto eu tento, com todo meu coração e minha alma, transmitir para os outros o que foi transmitido para mim, e não exigir nada em troca, a vida é boa para mim.

Antes de entrar no programa de Alcoólicos Anônimos, nunca fui capaz de dar sem exigir alguma coisa de volta. Mal eu sabia que, uma vez que comece a dar livremente de mim, começarei a receber, sem nunca esperar ou exigir qualquer coisa. Hoje, o que recebo é a dádiva da “estabilidade”, como diz Bill: estabilidade em meu programa de A.A. e estabilidade dentro de mim mesmo: mas acima de tudo, estabilidade em meu relacionamento com meu Poder Superior, a quem escolho chamar de “Deus”.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vivendo à maneira de A.A.


VIVENDO À MANEIRA DE A.A

"O desejo de parar de beber e a luta contra a vontade de beber."    

        Após alguns meses em Alcoólicos Anônimos e mantendo-me abstêmio de bebidas alcoólicas, evitando o 1º gole, um dia de cada vez, questiono o fato de ainda sentir vontade de beber. Será que quando procurei A.A., eu realmente tinha o desejo de parar de beber? - Sim! Mas também, a esperança de um dia poder voltar a beber, assim como o desejo de um dia não sentir mais vontade de beber. Sentia necessidade de parar de beber por haver perdido o controle sobre minha vontade.
        Analisando agora essa minha vontade, percebo que eu sinto falta muito mais que do prazer pelo sabor da bebida, é do efeito que a bebida alcoólica me proporcionava, como: aliviar a ansiedade, relaxar-me, despreocupar-me, sentir-me alegre, motivado, inspirado, auto-confiante, ter fluência verbal, fazer amigos, me emocionar, abraçar a todos como irmãos, fazer planos para o futuro, apaixonar-me pela vida, superar-me, buscar o êxtase, enfim: estar de bem com a vida.
        Pensando assim, concluo que beber havia sido bom para mim. Habituara-me, então, a beber todos os dias,  principalmente se as "coisas" não iam bem. Era como um "remédio para todos os males". A bebida alcoólica tornara-se a minha companheira íntima. Surgiu assim a compulsão quando minha tolerância ao álcool aumentou e com ela a quantidade de bebida que eu ingeria; bebidas mais fortes, procurando estar de estômago vazio, tudo em busca do efeito desejado, mas nunca me satisfazia, por mais que eu bebesse. Veio então a DEPENDÊNCIA FÍSICA: meu organismo reclamava a presença do álcool. Para trabalhar, atendendo a pacientes em odontologia, tomava sedativos durante o dia a fim de controlar os tremores e suportar a abstinência do álcool. Devido à minha profissão, o acesso à farmacoterapia e a receituários facilitava a "auto-medicação" e tomava diuréticos para controlar a retenção de líquidos. Antiarrítimicos para
controlar os batimentos cardíacos e polivitamínicos para compensar a alimentação irregular.. Enfim, num medo  desesperado, tentava monitorar meu organismo, "movido à álcool, para que não entrasse em pane". Uma dependência psicológica já existia: precisava do álcool mais do que tudo, incluindo família, profissão,  amigos e Deus. Mas já não fazia o efeito desejado, somente o efeito indesejado de estar sempre mal quer tivesse bebido ou não.
        Tentei controlar-me várias vezes, beber socialmente, como se diz, e descobri não ser capaz. Sentia-me obrigado  a beber mesmo que eu não desejasse. Passei a sentir medo de ficar sem o álcool; medo da vida, do dia, da noite, dos compromissos, das consequências de meus atos. Medo de Deus e de mim mesmo. Parecia que eu iria implodir a qualquer momento. Havia me transformado em um "escravo voluntário do álcool". Não havia mais nenhuma vantagem em beber a não ser pelo prazer mórbido de não sofrer a dor da separação de minha companheira.
        A busca pelo efeito desejado tornara-se obsessão. O sonho de bem-estar virou um pesadelo de matar. Já não podia mais parar nem seguir adiante. O álcool havia se transformado em meu inimigo íntimo. 
        Aqui me pergunto: - Como posso, após tudo que passei, ainda sentir vontade de beber? A resposta só pode ser: insanidade, loucura. Sintomas dessa terrível doença do alcoolismo que em A.A. vim a saber-me portador. Uma doença de origem  física, mental, emocional e espiritual. Incurável, de caráter progressivo e fatal, mas que pode ser detida se eu assim o desejar. Então, o que fazer com essa minha vontade?
        Procurar VIVER À MANEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS!
        No programa de recuperação de A.A., nos Doze Passos, encontrei a resposta:"RENDIÇÃO": Admitindo a minha impotência perante o álcool, 1º Passo, acreditando que Deus poderá me devolver à sanidade, 2º Passo, e entregando minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus, 3º Passo.
        Creio que a vontade  de Deus para comigo está expressa providencialmente nos 12 Passos de A.A.
        Hoje, em recuperação,  acredito estar no caminho certo, em busca da sobriedade desejada que considero ser mais que simplesmenmte beber ou não beber, e sim, viver bem, à maneira de A.A., livre da escravidão do álcool, trocando a dependência da bebida pela dependência de um Poder Superior a mim mesmo, Deus, através da Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Aprendi em A.A. que a porta para uma nova vida se abre apenas pelo lado de dentro e que a chave está ao meu alcance e se chama BOA VONTADE.
        Hoje, pela vontade de Deus, também sinto muita "VONTADE DE VIVER", graças à Irmandade de Alcoólicos Anônimos.

Newton/Americana-SP

VIVÊNCIA/REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS Nº 95, DE MAIO/JUNHO/2005.

Reflexões Diárias de A.A.: 20/08


20 DE AGOSTO
EM DIREÇÃO À LIBERDADE EMOCIONAL

Em vista de que as relações deficientes com outras pessoas quase sempre foram a causa imediata de nossas mágoas, inclusive de nosso alcoolismo, nenhum campo de investigação poderia render resultados mais satisfatórios e valiosos do que este.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

A boa disposição é uma coisa peculiar para mim porque com o tempo, parece vir primeiro com consciência e, depois com uma sensação de desconforto, fazendo-me querer tomar alguma decisão. Quando reflito em praticar o Oitavo Passo, minha disposição de fazer reparações aos outros vem como um desejo de perdão, a outros e a mim mesmo. Senti o perdão para os outros após tornar-me cônscio de minha parte nas dificuldades de relacionamentos. Desejava sentir a paz e a serenidade descritas nas promessas. Praticando os primeiros Sete Passos, fiquei sabendo quem tinha prejudicado e que eu tinha sido meu pior inimigo. A fim de restaurar meus relacionamentos com meus semelhantes, sabia que precisava mudar. Desejava viver em harmonia comigo mesmo e com os outros, para que pudesse também ter uma vida de liberdade emocional. O começo do fim de meu isolamento – de meus companheiros e de Deus – veio quando escrevi minha relação do Oitavo Passo.

domingo, 19 de agosto de 2012

Somente há uma semana sem beber...


Somente há uma semana sem beber... 

Não era ainda muito tarde quando a festa acabou. Acabou a comida, a bebida e a graça de estar alí e, então, despedindo-me das pessoas, saí à procura de outro lugar onde pudesse continuar desfrutando daquele tão desejado prazer de ver o fundo de copo após copo.
Depois de outras tantas doses generosamente servidas e me reconhecendo sem a menor condição de voltar para minha casa, procurei um motel para dormir. Eu não podia chegar em casa naquele estado e, ao clarear do dia, mal dormido e ainda meio bêbado, fui para casa e me
apresentei com a responsável desculpa de que, como não estava em condiçoes de voltar, achei melhor dormir fora. Minha esposa e minha filha nada disseram, mas seus olhos me mostraram todo o mal que eu tinha causado e me fizeram lembrar, instantaneamente, das centenas de vezes em que a cena se repetiu, das centenas de promessas que eu já havia feito e das centenas de vezes em que eu me olhei no espelho e ví um cara fraco, derrotado e incorrigível.
Eu já havia me separado da minha família por um ano, justamente pela situação insustentável que havia criado com dezenas de motivos e centenas de garrafas. De novo envergonhado, fui me deitar em outro quarto, cansado demais para continuar a pensar quando, pouco depois, minha esposa entrou silenciosamente e disse, com voz moderada, que não queria fazer outro escândalo e me pediu que saísse de casa e que não voltasse durante o fim de semana porque minha presença escurecia o ambiente da casa...da minha casa.
De chinelos, voltei para a empresa (era sábado e ninguém viria), entrei e dormí num sofá, mal acomodado e com frio. À tarde, com muita tristeza na alma, querendo falar com alguém e sentindo vergonha de me dirigir a qualquer pessoa, vergonha demais para falar até com Deus, liguei para o CVV e perguntei sobre instituições de apoio a alcoólicos, onde me deram o endereço de A.A.
Passei a tarde tentando trabalhar, esperando a hora de ir para lá, ou melhor de vir para cá.
Cheguei ao grupo com o mesmo estado de espírito entristecido, mas com a esperança de que pudesse acertar dessa vez. Estava frio... Eu, mal agasalhado, de chinelo, sendo lembrado, pelo desconforto, que tudo aquilo de ruim daquele dia (assim como dos últimos anos) era culpa minha, era o caminho que eu tinha traçado.
Fui recebido de forma discreta e compreensiva por alguém que, por ter o mesmo problema, sabia que eu não era um "sem vergonha", como muitas vezes fui chamado, que sabia serem sinceras todas as promessas que eu tinha feito, dizendo que iria parar, mesmo sem cumprir. Fui conversando e, aos poucos, baixando a guarda, desmontando a defesa, porque sentí que não ia ser atacado de novo. Fui ouvindo e percebendo que eu não tinha a culpa, tinha a causa (o que é bem diferente) e, assim, fui me comprometendo aos poucos a não beber, só por hoje, assumindo o compromisso de ir com calma (mas ir), tentando aceitar que eu não posso beber como os outros bebem porque alguma coisa no meu corpo não me permite fazer isso, e porque se eu desrespeitar isso será somente uma questão de tempo até o fim da minha família, do meu lar e da minha vida.
Está fazendo uma semana que eu me apoiei e me apoio em A.A. e em seus princípios. Hoje, ao terminar o meu trabalho, me deu uma vontade irresistível de beber. Pensei em tudo o que venho aprendendo a duras penas e decidi que não queria beber...mas a vontade continuava me envenenando ; eu só tinha um socorro possível: vir para cá. E foi o que fiz.
Saí aliviado. Ainda com vontade de beber, mas sabendo que poderia renovar o meu autocompromisso de ficar vinte e quatro horas sóbrio, e foi assim que eu cheguei em casa com uma vitória: não bebí hoje. Estou sóbrio há uma semana e vou ficar por mais um dia.
Por essa razão é que escreví esta carta, só para não esquecer de nenhum detalhe, para lembrar a mim mesmo e aos companheiros de que é possível, um dia de cada vez. Foi um dia difícil de manter o compromisso, mas a reunião tornou isso possível. 

(Anônimo)

Vivência Nº 75 - Janeiro/Fevereiro 2002

Reflexões Diárias de A.A.: 19/08


19 DE AGOSTO
UM QUADRO DE REFERÊNCIA

Voltemos mais uma vez à nossa relação (inventário). Esquecendo os maus tratos que os outros praticaram, procuramos resolutamente nossos próprios erros. Onde fomos egoístas, desonestos, interesseiros e medrosos?

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

Existe um a liberdade maravilhosa em não precisar de aprovação constante dos colegas de serviço ou das pessoas que eu amo. Gostaria de ter conhecido a respeito deste Passo antes, porque uma vez que desenvolvi um quadro de referência, me senti capaz de fazer a coisa certa a seguir, sabendo que a ação se ajustava à situação e que esta era a coisa apropriada a fazer.

sábado, 18 de agosto de 2012

Obrigada, Eu não bebo


Obrigada, Eu não bebo

A frase dita no depoimento de uma companheira e amiga me encheu de esperanças. Iluminada por Deus, ela falava com entusiasmo de sua vida e suas longas vinte e quatro horas. Como mães e donas-de-casa, as nossas histórias como alcoólicas se assemelhavam num passado cheio de dor e ressacas. De um lado, em meio a gestos e expressões, as palavras fluíam seguramente, transmitindo a paz enfim resgatada. Do outro, sob forte emoção, apenas esperanças.
Era noite de junho/94. O retorno à sala e o propósito de viver um dia de cada vez. Como ela, bebi durante longos anos. Muito embora meu marido não bebesse, trazia sempre a minha bebida preferida nos finais de semana. Não havia problemas em relação ao álcool, até eu descobrir a importância dele em minha vida. Com o tempo as doses foram aumentando e, consequentemente, a frequência aos porres.
A tranquilidade e a paz foram logo substituídas por desentendimentos e tristezas. As garrafas, agora escondidas, eram distribuídas em pequenos frascos espalhados em lugares estratégicos, onde eu pudesse beber sem correr o risco de ser flagrada. Enfim, minha casa virara um depósito de bebidas. Lembro que na época eu trabalhava como funcionária pública e, por força da droga, fui obrigada a afastar-me, com o intuito de submeter-me a um tratamento terapêutico. Procurei um bom psiquiatra, especialista no assunto, mas ele não pôde fazer muito por mim. Mente e corpo desocupados, a ociosidade definitivamente me levou ao fundo do poço. Interrompi a terapia e passei a beber literalmente todos os dias, isolando-me da família e dos amigos com um único objetivo: beber.
Sete meses nesse inferno, me transformei numa mulher feia, gorda, mal cuidada e com enorme sentimento de culpa e auto piedade.
Início de 1989. Minha irmã esteve comigo e pela primeira vez ouvi falar de A.A. em minha cidade. Parecia-me distante e de difícil acesso. Ingressei na terceira reunião e na companhia dela frequentei regularmente os primeiros três meses. Nunca esqueci as primeiras reuniões com seus depoimentos marcantes. A sensação de bem-estar era imensa, mas eu nada entendia. "Nunca mais" era muito forte para minha cabeça, enquanto 24 horas não era tempo suficiente e eu não estaria "curada". Essa confusão gerou uma primeira recaída, seguida de outras e outras, sucessivamente. Os meus filhos que antes me apoiavam, passaram a olhar-me com indiferença e desprezo. Para eles, não havia justificativas, uma vez que eu já conhecia a Irmandade. Meu marido não sabia qual situação seria pior: admitir a mulher alcoólica e aceitar-me na condição de membro de A.A., ou ter que conviver com uma bêbada. Entre dúvidas, questionamentos, retornos e recaídas
passaram-se seis anos.
Aquela noite de junho, em companhia de adoráveis irmãos, superou todas as minhas expectativas. O compromisso de reingresso veio juntamente com uma soma de valores e renúncias, aceitação, conscientização e ainda, como presente, ganhei a amizade da companheira que, através do Poder Superior, levou-me de volta à sala. Na época, não nos conhecíamos mas ela sabendo da minha dificuldade de permanência em A.A., procurou-me várias vezes, pacientemente. Hoje, amigas e companheiras, temos quase que uma necessidade de apoio mútuo. Dessa forma, os nossos problemas pessoais, compartilhados, facilitam a nossa programação, nos reforçando por mais vinte e quatro horas.
Graças ao Poder Superior, aprendi a ser mais paciente e tolerante comigo mesma, permitindo que o próprio tempo se encarregasse de devolver a serenidade suficiente para conviver normalmente com os perigos e ameaças que nós, alcoólicos, estamos sujeitos a enfrentar no dia-a-dia.
Certamente, as reuniões sociais regadas a bons vinhos e uísques importados vão continuar acontecendo. Acredito no tempo e na minha recuperação. Acredito ainda que muito em breve também farei parte de tais reuniões e certamente, como minha amiga, no convite ao drinque, direi com calma e confiança: "Obrigada eu não bebo".

Ana Paula - RN

Vivência 41 – Maio/Jun 96

Reflexões Diárias de A.A.: 18/08


18 DE AGOSTO
SARANDO

Embora, às vezes, totalmente esquecidos, os conflitos emocionais que nos prejudicaram se ocultam e permanecem em lugar profundo, abaixo do nível de consciência.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES

Somente pela ação positiva posso remover os restos de culpa e vergonha causados pelo álcool. Durante meus infortúnios, quando bebia, meus amigos me diziam: “Por que você está fazendo isso? Você está somente se prejudicando.”

Pouco eu sabia de como eram verdadeiras estas palavras.

Embora tenha prejudicado a outros, o meu comportamento causou graves feridas à minha alma. O Oitavo Passo me ofereceu uma maneira de perdoar a mim mesmo. Aliviam-se muitos dos meus danos escondidos quando faço a relação daqueles a quem prejudiquei. Fazendo reparações, liberto a mim mesmo de pesos, contribuindo assim para minha recuperação.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

De que cor é a sua sobriedade


De que cor é a sua sobriedade

Quando tinha três meses de sobriedade e após lutar por muito tempo contra o alcoolismo, o estresse e a tensão em minha casa eram insuportáveis. Temia fracassar no meu casamento, perder meu lar e minha segurança, mas estava disposta a fazer tudo o que fosse possivel e necessário para manter-me sóbria. Tinha meu marido, com o qual estava casada há quinze anos, e dois filhos (de seis e de nove anos). Porém, o silêncio do meu esposo e o distanciamento que sentia dos meus entes mais queridos eram horríveis. Eu não sabia se a recuperação, que era tão boa para mim, seria boa também para eles.
Estava terminando de assistir a minha nonagésima reunião em noventa dias, e ia em direção a uma reunião de mulheres, querendo que a minha família me apoiasse e ajudasse a encontrar o que chamamos de recuperação. Senti-me culpada por sair de casa nessa noite, depois de lavar os pratos sujos do jantar. Meus filhos me puxavam pela manga para que jogasse com eles, ou lesse uma história, ou fizesse qualquer coisa, contanto que não os deixasse sozinhos. Então, eu os imaginava com o meu marido, assistindo televisão num estado comatoso ou de torpor. Eu queria tanto que eles conhecessem o amor que eu sentia nas reuniões, que eles houvissem como honestamente compartilhávamos nossas experiências, que sentissem o que sentem as famílias unidas. Meu marido não acreditava que eu fosse uma alcoólica, acreditava apenas que eu bebia em demasia e que se não bebesse tanto me sentiria melhor. Ele não entendia o alcoolismo. Não queria saber de nada a respeito do Al-Anon ou de ler os panfletos sobre os cônjuges. Sua recusa era profunda.
Naquela noite em particular, cheguei em casa me sentindo tranqüila, como se houvessem tirado uma carga dos meus ombros - como geralmente me sinto após uma reunião de A.A. Minha filha de seis anos então chegou correndo, saltou nos meus braços e pôs as pernas em torno de minha cintura. Disse: "Mamãezinha, de que cor são essas salas aonde você vai?"
Pensei por um minuto e acreditei me lembrar que eram verdes, mas respondi com outra pergunta: "De que cor você imagina que elas são?"
- "Amarelas!", exclamou.
- Perguntei então para ela: "Por que você acha que são amarelas?"
Sua resposta mudou o curso da minha recuperação. Sem pestanejar ela respondeu: "Porque você sempre volta para casa radiante e fulgurante!"
- Sim, isso é o que ela via, então valia a pena. A luz do espírito brilhava através de mim e minha filha podia vê-la. Essa foi uma das primeiras demonstrações que recebí da minha família.
Posteriormente, confirmei que a sala onde estivera naquela noite era verde. Por um tempo não pude voltar a esse grupo, mas, seis meses depois, pediram-me que compartilhasse minhas experiências lá. Entrei na mais acolhedora sala pintada de amarelo que se possa imaginar e, imediatamente, sentí um calafrio, que agora chamo de "despertar espiritual". Compartilhei minha experiência, força e esperança, com amor transbordando do meu coração, com aquelas formosas mulheres em recuperação.
Essa história se transformou numa parte da minha recuperação. Tudo isso ocorreu faz muito tempo, contudo, assisto de três a quatro reuniões por semana, porque ainda desejo a recuperação e estou muito agradecida. Estou me recuperando de uma enfermidade aparentemente incurável, e não tenho sentido a necessidade de beber desde o dia 13 de setembro de 1979. A minha querida filha já é uma mulher, porém, é uma filha que me dá o seu amor.

(La Viña, setembro/outubro de 1999)

Vivência nº 65 - maio/junho 2000