segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 31/12



31 DEZEMBRO

RESOLUÇÕES DIÁRIAS

A ideia de viver um “plano de vinte e quatro horas”, aplica-se primeiramente à vida emocional do indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem, nem no amanhã.

NA OPINIÃO DO BILL, p. 284

   Um Ano Novo: 12 meses, 52 semanas, 365 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos – um momento para considerar caminhos, objetivos e ações. Devo fazer alguns planos para viver uma vida normal, mas também devo viver emocionalmente dentro de uma estrutura de vinte e quatro horas, porque assim não preciso fazer resoluções de Ano Novo!
   Posso fazer de cada dia um dia de Ano Novo! Posso decidir:
 “Hoje farei isto... Hoje farei aquilo...” Cada dia posso medir a minha vida tentando fazer um pouco melhor, decidindo seguir a vontade de Deus e fazendo um esforço para colocar em ação os princípios de nosso programa de A.A.
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Meditação do dia: 
“Quantos de nós ousariam declarar: ‘Bem, estou sóbrio e feliz. O que mais posso querer ou fazer? Estou muito bem assim.’ Sabemos que o preço desta autossatisfação é um inevitável retrocesso, pontuado em algum momento por um brusco despertar. Temos que crescer ou nos deterioramos mais. Para nós a situação atual só vale para hoje, nunca para amanhã. Precisamos mudar, não podemos ficar parados.” (Na Opinião do Bill, p.25)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 30/12


30 DEZEMBRO

ANONIMATO

O anonimato é o alicerce espiritual de nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 167

   A Décima Segunda Tradição tornou-se importante nos primeiros dias de minha sobriedade e, junto com os Doze Passos, continua a ser indispensável em minha recuperação. Tornei-me consciente após ingressar na Irmandade, de que tinha problemas de personalidade. Assim, quando ouvi pela primeira vez a mensagem da Tradição, estava muito claro: existe uma maneira imediata para, com os outros, encarar meu alcoolismo e seus acompanhantes, a raiva, as atitudes defensivas e ofensivas. Via a Décima Segunda Tradição como sendo uma grande desinfladora do ego; ela aliviou a minha raiva e me deu uma chance de utilizar os princípios do programa. Todos os Passos, e esta Tradição em particular, têm-me guiado por décadas de sobriedade contínua. Sou grato àqueles que estavam aqui quando precisei deles.
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Meditação do dia:
“O que temos que reconhecer é que nos alegramos com alguns de nossos defeitos. A raiva farisaica também pode ser muito agradável. De um modo perverso, podemos até sentir prazer pelo fato de muitas pessoas nos aborrecerem, pois isso nos traz uma cômoda sensação de superioridade.”
(Na Opinião do Bill, p.152)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 29/12


29 DEZEMBRO

A ALEGRIA DE VIVER

Portanto, a alegria de viver bem é o tema do Décimo Segundo Passo.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p.112

A.A. é um programa alegre. Mesmo assim, às vezes resisto a tomar os Passos necessários para seguir adiante, e me encontro resistindo às próprias ações que me levariam à alegria que tanto desejo. Eu não resistiria se estas ações não tocassem algum aspecto vulnerável de minha vida, uma área que precisa de esperança e satisfação.
Repetidas experiências de alegria tendem a suavizar as duras arestas exteriores do meu ego. Aí repousa o poder da alegria para ajudar todos os membros de A.A.
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  Meditação do dia:
“Uma luz clara parece descer sobre nós quando abrimos os olhos. Uma vez que nossa cegueira é causada por nossos próprios defeitos, precisamos primeiro conhecê-los a fundo. A meditação construtiva é o primeiro requisito para cada novo passo em nosso crescimento espiritual.”
(Na Opinião do Bill, p.10)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012



Vá devagar.... primeiro as primeiras coisas!
Você começará a se aproximar do paraíso no momento em que alcançar a velocidade perfeita. E isso não é voar a mil e quinhentos quilômetros por hora, nem a um milhão e quinhentos mil, nem voar à velocidade da luz. Porque nenhum número é um limite, e a perfeição não tem limites. A velocidade perfeita, meu filho, é estar ali.
(A história de Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach).

Reflexões Diárias de A.A.: 28/12



28 DEZEMBRO

APRONTE-SE E APAREÇA

Em A.A. buscamos não apenas a sobriedade – tentamos voltar a ser cidadãos do mundo que rejeitamos e que também nos rejeitou. Essa é a demonstração máxima de que o trabalho do Décimo Segundo Passo é o primeiro e não o último.

NA OPINIÃO DO BILL, p.21

          A velha frase diz: “ Apronte-se e apareça”! Esta ação é tão importante que gosto de  considerá-la como minha máxima preferida.
          Posso optar todo dia para me aprontar e aparecer, ou não. Aparecendo nas reuniões, nasce em mim um sentimento de ser uma parte dessa reunião, pois assim posso fazer o que digo que farei. Posso conversar com os novatos e posso compartilhar minha experiência; isto é o que realmente significa credibilidade, honestidade e cortesia.  Ao me aprontar e aparecer realizo as ações concretas para um retorno progressivo à vida normal.
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  Meditação do dia:
Cada grupo de A.A. é um céu seguro. Mas esse céu está sempre limitado pelo álcool tirano. Tal como os homens sobre a jangada de Eddie Rickenbaker*, nos agarramos uns aos outros com uma determinação que o mundo exterior raramente compreende. (A Linguagem do Coração, p.44)

* Piloto da Primeira Guerra Mundial, que passou quase vinte e um dias com seu grupo de sete homens sobre uma jangada, em mar aberto, quando seu aeroplano caiu sobre o Pacífico, sob sol causticante; e tendo por comida, água doce e sombra, apenas uma inabalável esperança.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 27/12



27 DEZEMBRO

RESOLVENDO PROBLEMAS

Igualmente importante foi a descoberta de que os princípios espirituais resolveriam todos os meus problemas.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.64 ou p.71

Através do processo de recuperação descrito no Livro Azul, percebi que as mesmas instruções que funcionam em meu alcoolismo, funcionam também para muitas outras coisas. Sempre que estou zangado ou frustrado, considero o assunto como uma manifestação do meu principal problema: alcoolismo. Quando “caminho” através dos Passos, minha dificuldade em geral fica resolvida bem antes de alcançar a Décima Segunda “sugestão”, e aquelas dificuldades que persistem são tratadas quando faço um esforço para transmitir a mensagem para alguém mais. Esses princípios resolvem de fato os meus problemas! Não encontrei nenhuma exceção, e fui levado a uma maneira de viver que é satisfatória e útil.
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Meditação do dia:
“Vejo ao meu redor muitas pessoas que se relacionam com Deus muito melhor do que eu. Não se pode dizer que eu não tenha feito nenhum progresso no decorrer dos anos; simplesmente confesso que não fiz o progresso que poderia ter feito, dadas as oportunidades que tive e ainda tenho.” (A Linguagem do Coração, p.282)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 26/12



26 DEZEMBRO

ACEITANDO O SUCESSO OU O FRACASSO

Além do mais, como podemos nos ajustar à derrota ou ao êxito aparentes? Podemos aceitar e nos adaptar a ambos sem desespero ou orgulho? Chegaremos a aceitar a pobreza, a doença, a solidão e consternação com coragem e serenidade?
Podemos nos contentar de verdade com as menores, embora duradouras, satisfações, quando nos são negadas as mais brilhantes e gloriosas realizações?

Os Doze Passos e as Doze Tradições, p.99 e 100.

Após encontrar A.A. e parar de beber, levou um tempo antes que entendesse porque o Primeiro Passo contém duas partes: minha impotência perante o álcool e a perda do controle da minha vida. Da mesma maneira, acreditei por muito tempo que para estar em sintonia com os Doze Passos bastava que “transmitisse esta mensagem para os alcoólicos”. Isso era apressar as coisas. Eu tinha esquecido que existiam Doze Passos e que o Décimo Segundo Passo também tem mais do que uma parte. Aos poucos aprendi que era necessário para mim “praticar estes princípios” em todas as áreas de minha vida. Trabalhando todos os Passos completamente, não somente permaneço sóbrio e ajudo alguém mais a alcançar a sobriedade, mas também transformo minhas dificuldades com a vida em alegria de viver.
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Meditação do dia:
“Viemos a acreditar que um Poder Superior poderia nos devolver a sanidade, quando nos dispusemos a praticar os Doze Passos de A.A. Em resumo, preferimos ‘estar dispostos’, e essa foi a melhor escolha que poderíamos ter feito”. (Na Opinião do Bill, p.4)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 25/12


25 DEZEMBRO

EM PAZ COM A VIDA


Cada dia é um dia em que devemos levar a visão da vontade de Deus a todas as nossas atividades. “Como posso servi-Lo melhor? Sua vontade (não a minha) seja feita.”

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.104 e 105 ou p.114

Eu leio esta passagem toda manhã para começar o meu dia, porque ela é um aviso contínuo para “praticar estes princípios em todas as minhas atividades”. Quando conservo a vontade de Deus em minha mente, sou capaz de fazer o que devo fazer, e isto me coloca em paz com a vida, comigo e com Deus.
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Meditação do dia: 
Persistência na Oração
“Em A.A. descobrimos que os reais bons resultados da oração são indiscutíveis. Eles são o fruto do conhecimento e da experiência. Todos os que persistiram, encontraram uma força que não tinham. Encontraram sabedoria superior à sua capacidade normal. E encontraram cada vez mais a paz de espírito que pode se manter firme, frente às mais difíceis circunstâncias.” (Na Opinião do Bill, p.127)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 24/12






24 DEZEMBRO

UMA “SÃ E FELIZ UNIDADE”

Chegamos a acreditar que Ele gostaria que mantivéssemos nossas cabeças nas nuvens junto a Ele, mas que ficássemos com os pés firmes plantados na terra. É onde se encontram nossos companheiros que viajam e é aí que devemos fazer nosso trabalho. Estas são as nossas realidades. Não encontramos nenhuma incompatibilidade entre uma intensa experiência espiritual e uma vida de utilidades sã e feliz.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.158 e 159

    Toda oração e meditação do mundo não me ajudam a não ser que sejam acompanhadas de ação. Praticando os princípios em todas as minhas atividades, percebo o cuidado que Deus toma em todos os aspectos de minha vida. Deus aparece no  meu mundo quando me coloco de lado, e permito que Ele entre.
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Meditação do dia:
A fé sozinha nunca construiu a casa em que você mora. Foi preciso haver um plano e um bocado de trabalho para que essa casa se tornasse uma realidade”. (Na Opinião do Bill. p.284)

PARA TODOS UM FELIZ NATAL!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 23/12





23 DEZEMBRO

RECUPERAÇÃO, UNIDADE, SERVIÇO

Nosso Décimo Segundo Passo – transmitir a mensagem – é o serviço básico que a Irmandade de A.A. faz; este é o nosso principal objetivo e a principal razão de nossa existência.

A LINGUAGEM DO CORAÇÃO. p.160 ou p.188


Agradeço a Deus por aqueles que vieram antes de mim, aqueles que me falaram para não esquecer dos Três Legados: Recuperação, Unidade, Serviço. No meu Grupo base, os Três Legados estão descritos num letreiro que diz: “Tome um banco de três pernas, tente equilibrá-lo somente em uma perna ou em duas. Nossos Três Legados devem manter-se intactos. Na Recuperação nós conseguimos ficar sóbrios juntos; na Unidade trabalhamos juntos para o bem de nossos Passos e Tradições; e através do Serviço nós damos aos outros, de graça, o que nos foi dado”.
Uma das principais dádivas em minha vida tem sido saber que eu não terei mensagem para dar a menos que me recupere em Unidade com os princípios de A.A.
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Meditação do dia:
Por estas razões tão contundentes, meus queridos amigos, o futuro pertence aos senhores. Abracem com afã estas responsabilidades, não tenham medo de nada, e a graça de Deus sem dúvida será de vocês.”  (A Linguagem do Coração – p.200)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 22/12



22 DEZEMBRO

PRINCÍPIOS, NÃO PERSONALIDADES

A maneira como nossos “valorosos” alcoólicos, algumas vezes, tentam julgar os “menos valorosos”, é bastante cômica se refletirmos sobre o fato. Imagine se você puser, um alcoólico julgando outro!

A LINGUAGEM DO CORAÇÃO, p.37 ou  p.45
 
   Quem sou eu  para julgar alguém? Quando entrei na Irmandade pela primeira vez, descobri que todos gostavam de mim. Afinal, A.A. estava me ajudando a ter uma melhor maneira de vida sem o álcool. A realidade era que eu não poderia gostar de todos eles nem eles de mim. À medida que fui crescendo na Irmandade, aprendi a amar todos, apenas ouvindo o que eles tinham a dizer. Essa pessoa lá ou esta aqui pode ser aquela que Deus escolheu para me dar a mensagem de que preciso para o dia de hoje. Devo sempre lembrar-me de colocar os princípios acima das personalidades.
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Meditação do dia:
A maioria das tentativas de imposição gera tamanhas ondas de discórdia e intolerância no interior do Grupo, que essa condição é finalmente reconhecida como sendo pior para a vida em Grupo e a pior das piores condições jamais vista.(A Linguagem do Coração, p.46)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 21/12



21 DEZEMBRO

ESCUTE, COMPARTILHE E REZE

Quando tentar ajudar um homem e sua família, deve ter o cuidado de não participar de suas alterações. Se o fizer poderá estragar a oportunidade de ser-lhes útil.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.119 ou p.128

Quando tento ajudar um companheiro alcoólico, sinto um impulso de dar conselhos; e talvez isto seja inevitável. Mas, dando aos outros o direito de estarem errados, permitimos que eles colham seus próprios benefícios. O melhor que posso fazer – e parece mais fácil do que na prática – é ouvir, compartilhar experiência pessoal e rezar pelos outros.
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Meditação do dia:
Um bom conselheiro nunca pensará em tudo, por nós. Ele sabe que a escolha final deve ser nossa. Entretanto, ele pode ajudar a eliminar o medo,  o oportunismo e a ilusão, tornando-nos capazes de fazer escolhas afetuosas, prudentes e honestas.(Na Opinião do Bill – p.83)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A.: 20/12



20 DEZEMBRO

AS RECOMPENSAS DE DAR

Isto de fato é dar, nada pedindo. Ele não espera qualquer paga ou amor por parte de seu companheiro. E então descobre que, pelo paradoxo divino contido nesta maneira de dar, já recebeu a sua própria recompensa, não importando se seu irmão foi ajudado ou não.

OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 97

    Pela experiência com o trabalho do Décimo Segundo Passo, vim a compreender as recompensas de dar, nada pedindo de volta. No início eu esperava a recuperação dos outros, mas logo aprendi que isto não acontece. Uma vez tendo alcançado a humildade para aceitar que cada abordagem não vai resultar em um sucesso, então estou aberto para receber as recompensas de dar, sem o egoísmo do retorno.
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Meditação do dia:
A verdadeira ambição não é aquilo que achávamos que era. Ela é o profundo desejo de viver de maneira útil e caminhar humildemente, sob a graça de Deus.” (Na Opinião do Bill – p.46)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Reflexões Diárias de A.A. - 19/12




19 DEZEMBRO

COMPREENDENDO A DOENÇA

Ao tratar com um alcoólico você poderá ter um sentimento normal de aborrecimento por um homem ser tão fraco, grosseiro e irresponsável. Mesmo que compreenda melhor a doença, poderá surgir este sentimento.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. p.154  ou  168

Tendo sofrido de alcoolismo, eu deveria entender a doença, mas às vezes sinto aborrecimento e até mesmo desprezo por uma pessoa que não consegue ir bem em A.A. Quando me sinto desta maneira, satisfaço meu falso senso de superioridade e devo lembrar que, se não fosse pela graça de Deus, lá estaria eu.
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Meditação do dia:
“Tal é o paradoxo da recuperação em A.A.: a força nascendo da fraqueza e da derrota completa, a perda de uma vida antiga como condição para encontrar uma nova.” (Na Opinião do Bill – p.49)


UMA MENSAGEM NATALINA
Dezembro de 1970 

Durante as festas natalinas, nós percebemos mais claramente do que nunca que a gratidão é o mais excelente atributo que possamos ter. Juntos contemplamos nossa sorte e refletimos sobre as bênçãos da vida, do serviço e do amor.
Nesta época enlouquecida, nos foi possível encontrar uma paz interior cada vez mais profunda. Lois e eu nos unimos a todos os membros do Escritório de Serviços Gerais de A.A. para enviar-lhes a todos e a cada um de vocês uma fé segura de que o ano que vem se contará entre os melhores que haja conhecido a nossa Irmandade. (A Linguagem do Coração, p.414)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Reflexão Diária de A.A>- 18/12


18 DEZEMBRO

HONESTIDADE COM OS PRINCIPIANTES

Conte-lhe exatamente o que aconteceu a você. Frise sem reservas o fator espiritual.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.112 ou  p. 121

   A maravilha de A.A. é que somente falo o que aconteceu comigo. Não desperdiço tempo oferecendo conselhos ao novato em potencial, pois se conselho funcionasse, ninguém iria para o A.A. Tudo que preciso fazer é mostrar o que trouxe a mim a sobriedade e o que mudou na minha vida. Se falho em acentuar as características espirituais do programa de A.A., estou sendo desonesto.
   Não de deve dar uma falsa impressão de sobriedade ao ingressante. Estou sóbrio somente pela graça de meu Poder Superior, e isto torna possível que eu compartilhe com os outros.

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Meditação do dia:
“Tornei-me discípulo do movimento A.A., ao invés do professor que eu outrora achava que era.” (Na Opinião do Bill – p.169)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Fusca Azul


O FUSCA AZUL


"Logo no primeiro dia, o da abordagem, entra em minha vida um fusca azul, o qual marcou muito minha recuperação em A.A."

Dizer a quantia que bebi e quanta desgraça causei a mim, a meus familiares e amigos, seria até desnecessário, mas não o que sucedeu após meu ingresso em 
Alcoólicos Anônimos.

Logo no primeiro dia, o da abordagem, entra em minha vida um fusca azul, o qual marcou muito minha recuperação em A.A. O fusca azul era de propriedade daquele que veio a ser o meu padrinho em A.A, que chamarei carinhosamente apenas pelas letras iniciais MG.

No inicio do inverno de 1983, estava dentro de minha casa, quando ouvi na rua um "bibi-bibi"; era a buzina de um carro, um fusca da cor azul e dentro dele estava MG. Atendi-o prontamente e ele foi logo me fazendo uma abordagem à sua maneira; me mostrando qual seria a grande vantagem em parar de beber, e também freqüentar um grupo de A.A. Aceitei o seu convite e fui conhecer a Irmandade, freqüentando por algumas semanas só para fazer média com minha família e meus patrões, pois minha idéia era que eles pensassem que eu estava mudando, ou seja, bebendo moderadamente.

Nesse tempo, na saída das reuniões, eu não aceitava carona de meu padrinho ou de outro companheiro que porventura se prontificasse a me levar para casa, pois no trajeto havia alguns bares. Participei de algumas reuniões e disse a MG que não me procurasse por algum tempo; tempo este o suficiente para que os patrões me vissem com literatura e cartões de A.A. E eu pensava: agora eu readquiro a confiança deles, pois pensam que realmente parei de beber.

Passaram-se algumas semanas até que a situação ficou insuportável e eu agora queria mesmo deixar a bebida de lado. Era 09 de agosto de 1983, à tarde. Minha esposa ligou para MG e disse: - Chegou a hora, venha nos ajudar, pois hoje ele jogou a toalha.

As reuniões tinham início às 20 horas e, aproximadamente às 19h30, ouço "bibi-bibi": era MG, com seu imponente fusca azul a me buscar para que definitivamente eu ingressasse em A.A. Foi realmente o que aconteceu, mas o mais interessante estava para acontecer. No dia seguinte às 11 horas, quando eu saía do serviço para o almoço, por incrível que pareça, ouço do outro lado da rua "bibi-bibi"; era novamente o fusca azul e seu parceiro inseparável me oferecendo uma carona. 

Dizia ele que tinha um negócio pelos lados da minha casa e por "mera coincidência" ele passou por ali. À tarde, quando saí do serviço novamente, uma fantástica coincidência: "bibi¬bibi", o MG tinha um outro serviço perto da minha casa e estava me oferecendo uma carona.

Claro que não eram coincidências! MG não queria que eu parasse no bar e todas as noites ele ligava: - Está pronto, companheiro? Já estou indo buscá-lo. Minha esposa dava todo apoio, e quando era noite de reunião de Al-Anon, ela também ia no já famoso fusca azul.

Quanto às coincidências, na saída do serviço elas diminuíram com o passar do tempo, mas as buscas para as reuniões continuaram por semanas, até que eu me firmei e admiti o primeiro passo, bem como passei a trabalhar por A.A.. Passados alguns anos, o fusca azul foi vendido e MG, como todo bom AA, logo apareceu com um carro mais novo, mas mesmo assim não me deixava "sossegado", continuava a me buscar todas as noites (agora sem o fusca azul), mas de carro novo, até que chegou o dia que eu consegui também comprar o meu carro. 

Aí, foi um prato cheio para MG para que eu não faltasse às reuniões: ele, com uma mentira construtiva, dizia: - Hoje estou sem carro, você me apanha para irmos à reunião? Uma bela desculpa quando ele não queria que eu faltasse à reunião.

Como na vida tudo é passageiro, depois de alguns anos de convivência com o meu padrinho, infelizmente chegou o dia do inevitável; já com a idade avançada e com a saúde debilitada, MG veio a falecer, levando consigo a humildade que DEUS lhe deu e deixando com todos nós da região uma inesquecível saudade.

Vez por outra nos encontramos, os afilhados de MG, que são muitos por sinal, e vem logo à nossa mente a extraordinária figura de MG, e também o sempre inesquecível fusca azul. Mesmo passado tanto tempo, quando vejo na rua um carro com as mesmas características do nosso valente fusca azul, logo me vem à mente muitas lembranças e sempre positivas, nas quais me apoio para que com a ajuda do Poder Superior continue a alimentar a minha sobriedade.

Todos os dias agradeço a ELE por haver colocado A.A. em minha vida e também o fusca azul com o seu saudoso e alegre condutor.

Geraldo/Itu/SP
Vivência n° 96 - 
Jul/Ago. 2005

Reflexões Diárias de A.A.: 17/12



17 DEZEMBRO

UMA RECOMPENSA SEM PREÇO

...trabalho intensivo com outros alcoólicos... Quando outras atividades fracassam, esta funciona.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS. p.109  ou  117

   “A sua vida terá um novo sentido”, como diz o Livro Azul (p.89 [ou p.166 ou p.180])*. Esta promessa tem-me ajudado a evitar o egoísmo e a autopiedade. Presenciar outros crescerem neste programa maravilhoso, vê-los melhorando a qualidade de  suas vidas, é uma recompensa sem preço do meu esforço em prol do outros.
   O autoexame é ainda outra recompensa de uma recuperação progressiva, assim como o são a serenidade, a paz e o contentamento. A energia proveniente de ver outros irem sendo bem sucedidos, e da partilha com eles das alegrias da jornada, dá um novo sentido à minha vida.
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* Existe um substituto e é mais que isto. É o companheirismo existente em Alcoólicos Anônimos. Lá, você encontrará alívio para a ansiedade, o tédio e as preocupações. Atiçará sua imaginação. Finalmente, a vida fará sentido. Os melhores anos de sua vida estão por vir. Esta é nossa opinião a respeito da Irmandade. E será também a sua.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Comprei o "veneno" no lugar do doce



COMPREI “O VENENO” NO LUGAR DO DOCE 


Com 10 anos de idade, bebi, bebi, bebi e bebi até cair!

Com uma garrafinha de 250 ml fui ao bar e pedi pinga “solta”.

Nunca havia experimentado qualquer outra bebida. Quando decidi comprar aquele “veneno” com o dinheiro que minha mãe me deu para comprar doce juntei as quirelas e pronto, lá estava eu comprando pinga para minha fuga. O dono do bar vendeu sem constrangimento, pois pelo menos umas 8, 12 vezes ao mês eu ia comprar pinga “solta” para outra pessoa, mas naquele dia a pinga era para mim, um meio para fugir da minha realidade. Na verdade era uma forma de protesto, um grito de socorro, pois eu sentia uma carência muito grande, tanto paternal e muito, principalmente a falta de diálogo de minha mãe para comigo. Hoje já não cobro e nem a culpo.

Quando peguei aquela garrafa de 250ml e virei de frente para a rua já ingeri o primeiro gole, ali mesmo, perto do bar. Andei mais quinze metros e bebi mais um bocado. Minha cabeça já estava desnorteada e parecia que um vulcão que estava adormecido dentro de mim entrava naquele momento em erupção. Já “grogue”, meu subconsciente queria mais;
minhas pernas já estavam perdendo o domínio sobre o corpo, mas meu cérebro pedia uma destruição total; pronto pensei: - vou atravessar a pista e no gramado do “balão do laranja” bebo o restante. Dito e feito! Com a visão já embaralhada, a língua dormente, a tristeza, o sentimento de solidão e revolta permaneciam, bem vivos. Atravessei a pista cambaleando, tomei o gole de misericórdia, tomei mais uma talagada e dei apenas dois passos, no terceiro ali mesmo caí, na grama, babando e já praticamente desmaiado.

Meus amigos me levaram para casa, fui posto pra dormir e minha mãe ficou preocupada. O tempo passou, definitivamente tomei nojo de pinga, mas em compensação tomei gosto pela cerveja e como a doença é progressiva, comigo não foi diferente; fui me afundando na cerveja e quando dei por mim já havia perdido o emprego, a esposa e a dignidade.

Graças ao Poder Superior conheci Alcoólicos Anônimos e estou fazendo parte desta Irmandade. Há meses faço parte da consciência coletiva do Grupo Campinas, onde sou RV e Suplente de secretário.

Tudo que faço é por amor à Irmandade por que Alcoólicos Anônimos salvou a minha vida. A.A. salva vidas.

Obrigado ao meu padrinho do Grupo Salva-Vidas e minha madrinha do Grupo Campinas.

Leandro/Campinas/SP
Vivência nº109 – Set./Out. 2007

Reflexões Diárias de A.A.: 16/12



16 DEZEMBRO

PARCEIROS NA RECUPERAÇÃO

...não há nada melhor, para assegurar nossa imunidade contra a bebida, do que o trabalho intensivo com outros, alcoólicos... Ambos, você e o novo homem, devem andar passo a passo no caminho do progresso espiritual... Siga os ditames de um Poder Superior e brevemente estará vivendo num novo e maravilhoso mundo, não importa qual seja a sua situação atual.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.118 e 119 ou p.127 e 128

    Fazer as coisas certas pelas razões certas – esta é a minha maneira de controlar meu egoísmo e meu autocentrismo. Percebo que minha dependência de um Poder Superior limpa o caminho para a paz de espírito, a felicidade e a sobriedade.
   Rezo todo o dia para evitar minhas antigas ações, a fim de que eu seja de utilidade para os outros.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Prudência


 Prudência

 "É cautela, é precaução, é moderação, é serenidade de juízo".

 Só me dei conta de que a filosofia de Alcoólicos Anônimos tem como alicerce a virtude da Prudência quando ouvia meu familiar dizer: - "Vou evitar o primeiro gole, só por hoje!".

 Apreensiva eu perguntava: - E amanhã? Ora, dizia ela: - Vou com calma! Amanhã a Deus pertence!

 Aí fui me inteirando dos fatos: *evite o primeiro gole; * vá com calma; * um dia de cada vez; *a repetição diária de: sou fulano, um alcoólatra em recuperação; * a aceitação; * a tolerância, e acima de tudo: *fugir das ocasiões propícias ao primeiro gole.

 Então isso tudo não é Prudência?

 Concluí assim que a Prudência é a base do programa de recuperação dos AAs.

 Sim, porque a Prudência é a virtude que nos faz conhecer e praticar, oportunamente, o que é bom.

 A Prudência sabe escolher meios e os Doze Passos de A.A. oferecem àqueles que estão em recuperação os meios e a oportunidade de uma qualidade de vida, porque não basta tapar a garrafa.

 Implicitamente a Prudência se manifesta em todos os passos com seus três elementos:

 A Reflexão: todo homem prudente pensa antes de agir.

 Um AA, além disso, recorre à memória, que é a faculdade de guardar e reproduzir fatos passados.

 Meu familiar sempre se recorda do seu sofrimento anterior à abstinência, do seu último porre, do "medo" da recaída e por quê?

 Por causa do sofrimento dele e da família. A reflexão calcula os prós e os contras; considera ensinamentos da experiência própria e alheia através dos depoimentos.

 A Determinação: todo homem prudente depois de pensar, toma uma decisão.

 Um AA prudente procura ser justo consigo mesmo e com os outros. Dá a cada um o que de direito lhe compete.

 Para que se concretize a determinação, o homem tem que ser forte e os AAs em recuperação têm por hábito praticar a coragem: na aceitação, na síndrome da abstinência, na admissão da vulnerabilidade frente ao álcool.

 A Realização: todo homem examina bem um assunto antes de decidir-se sobre ele e este, só se torna um ato de prudência, quando realizado.

 Os AAs, para não voltarem a beber, têm boa disposição e ânimo para aceitar as sugestões do Programa de A.A.

 Como eles dizem: - Força de vontade não basta; para que a realização se concretize é necessário ter "boa vontade", pois força de vontade é uma atitude isolada e boa vontade resulta do "compartilhar experiências, forças e esperanças".

 Lá no grupo que eu freqüento todos nós aguardamos com certa expectativa e prazer "nosso velho mentor" sentar-se para depor.

 Ele fala das suas experiências nestes 32 anos de A.A.; todos ouvem em silêncio como se o ouvissem pela primeira vez.

 Como antigo, sua experiência acumulada representa para os AAs e a mim, o ideal a ser atingido. Com suas palavras, prudentemente, ele alerta sobre os perios das 22 horas lá fora e como vencer a obsessão pela bebida.

 As histórias "parecem" sempre as mesmas, mas para nós são preciosidades; ele dá um toque especial e sabem por que?

 "A repetição deixa marcas até nas pedras".

 Atenção! Prudência!

 Ele é sábio e sendo sábio fez da Prudência a virtude primeira de sua caminhada em A.A.

 Hoje ele é o representante supremo da memória coletiva do grupo. 

(H.F./Amiga de A.A./SP)


Reflexões Diárias de A.A.: 15/12



15 DEZEMBRO

FAZENDO TUDO PARA AJUDAR

Ofereça-lhe (ao alcoólico) amizade e camaradagem. Diga-lhe que se quiser parar de beber, fará tudo para ajudá-lo.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.114 ou p.123
 
    Eu lembro como fui atraído pelos dois homens de A.A. que me abordaram. Eles disseram  que eu poderia ter o que eles tinham, sem nenhuma condição vinculada, que tudo que eu tinha de fazer era me unir a eles na estrada da recuperação. Quando começo a convencer um novato a fazer as coisas da minha maneira, esqueço como foram prestativos aqueles dois homens para comigo, com a sua generosidade e mente aberta.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Anonimato Em Serviço


Anonimato Em Serviço 

Refletindo sobre a história de A.A., podemos apreciar o exemplo de serviço e anonimato legado pelos nossos co-fundadores.

As iniciais "A.A." nem mesmo aparecem nas lousas de suas sepulturas. Para nós, este exemplo de humildade é maior e de valor mais duradouro que qualquer celebridade ou renome.

Não temos de viajar para Akron ou Vermont para ver os monumentos de Bill e Dr. Bob. O verdadeiro monumento pode ser encontrado em qualquer lugar do mundo e a inscrição funerária resume-se a uma simples palavra: sacrifício.

Como servidores de confiança, devemos procurar sempre praticar o Terceiro Legado de Serviço.

As Doze Tradições, repetidamente, nos induzem a pôr de lado nossas aspirações pessoais em beneficio do bem-estar comum.

A prova da boa vontade dos membros de A.A. em submeter-se a tais sacrifícios, nos inspira grande confiança em nosso futuro.

Para cumprir nossas responsabilidades como servidores de confiança, temos as Tradições apontando;nos o caminho a nos conduzir seguramente ao nosso destino.

Descobrimos as causas que nos levam, afinal, à desunião em atitudes que contrariam o espírito de sacrifício.

Temos sofrido tais divisões na estrutura mexicana. Temos visto a formação de movimentos separatistas em conflito com a estrutura original a cada década, desde o estabelecimento do A.A. no México. Alguns membros de A.A. lançaram um movimento chamado AMAR (Associação Mexicana de Alcoólicos em Recuperação), em 1954. As Doze Tradições aprovadas em sua forma resumida pela Convenção de C1eveland, em 1950, não atraíam um certo número de membros de A.A. mexicanos os quais eram de opinião que aqueles princípios dirigiam-se a um distinto modo de pensar ang1o-saxão e eram completamente inapropriados ao vivaz e exuberante caráter mexicano.

Na década seguinte, em 1963, estabeleceu-se um grande número de centros de reabilitação conhecidos como CRAMAC (Centros Mexicanos de Reabilitação de Alcoólicos, A.C.). Então, em 1974, sem anuência da consciência coletiva dos grupos, criou;se, na Cidade do México, o Escritório Mundial de Informações, o qual, posteriormente, partiu para a criação dos chamados "Grupos 24 Horas"grupos que forneciam alimentação e alojamento para alcoólicos indigentes.

Aparentemente, só estavam interessados na Quinta Tradição. Quando os últimos grãos da poeira levantada pelos chamados "Grupos 24 horas" começavam a assentar-se, apareceu outro movimento separatista, o qual, finalmente, veio a ser conhecido como "SEÇÃO MEXICANA". Dito movimento foi iniciado por membros de A.A. que já tinham servido em nosso Escritório de Serviços Gerais ou na Junta de Serviços Gerais e culminou, em 1985, com a separação de oito áreas de nossa estrutura.

Analisando essas experiências, podemos identificar rapidamente a causa das divisões: atitudes pessoais que ignoram o bem-estar comum.

Egoísmo em completa oposição ao sacrifício pessoal.

As tentações do prestígio e do poder permanecem latentes aguardando a primeira oportunidade para explodir em nossas relações pessoais e grupais.

Tem sido custoso, para mim, controlar minhas próprias atitudes de falsa modéstia quando, em alguns eventos, ouço essas palavras: "Hoje encontra-se conosco nosso Delegado à Reunião de Serviços Mundiais o qual participará ...". Minha primeira reação ao aplauso é o inflar do ego.

Começo a caminhar de maneira diferente. Neste ponto, minha luta começa. Procuro lembrar-me de que, neste nível, serviço é apenas uma chance para servir aos meus companheiros e não um título de distinção especial. Sacrifício pessoal não é fácil mas me tem proporcionado as maiores alegrias. Uma vez fui convidado para falar sobre anonimato num encontro. O lugar do encontro ficava a um dia de viagem e, minha esposa e eu, juntamente com outros casais, pusemo-nos a caminho. Estava preparado para falar durante 15 minutos e cheio de entusiasmo.

Na Reunião Pública, o coordenador do evento aproximou-se de mim e foi dizendo: "Não há tempo suficiente para sua palestra, mas queremos agradecer-lhe por estar aqui conosco".

Fiquei sem fala. Mas jamais pratiquei o princípio do anonimato tão bem como naquele dia. Ninguém ali sabia o que eu ia dizer; que idéias tinha em mente. Aquela foi a melhor oportunidade de praticar o anonimato.

O ex-coordenador do evento é pessoa pela qual tenho grande estima e relembro aquele lugar com muito carinho.

Procuro sempre lembrar-me de que, dentro de mim, existe uma força que me mantém em unidade e, portanto, sustenta minha recuperação.

Esta força é a disponibilidade para sacrificar meus desejos pessoais.

Para produzir sons; a flauta precisa ser perfurada; para escrever uma carta, necessitamos de uma página em branco; para promover o bem-estar dos outros, as melhores ferramentas são a humildade e o sacrifício pessoal.

Como tem sido agradável ser capaz de participar de um grupo onde ninguém se conhece, onde posso compartilhar como qualquer outro membro e, através do meu exemplo, contribuir para o bem comum com o melhor de minha experiência.

Alguns membros de A.A. que agora estão em serviço me dizem: "Estou em serviço porque um dia, como um estranho para mim, você visitou meu grupo e serviu-me uma xícara de café". Outros dizem: "Conscientizei-me de que você tinha viajado centenas de quilômetros para compartilhar com meu grupo, numa época em que eu evitava andar alguns quarteirões para assistir a uma reunião. Agora estou pronto para assistir à minha primeira reunião como delegado de Área".

Atração com anonimato funciona.

A fim de assegurar nossos objetivos em longo prazo, como servidores de confiança, temos de exercitar nossa responsabilidade com tolerância sem perder a visão do futuro. Este é o nosso compromisso.

Anonimato em serviço deve ser o instrumento que nos abre a estrada dos nossos próximos e importantes progressos.

Praticando o anonimato, alcançaremos a verdadeira maturidade e maior humildade em nossas relações conosco, com nossos semelhantes e com Deus.

Dispomos de algo mais forte que nossas próprias personalidades para nos proteger e nos capacitar para viver unidos em nosso labor de levar a mensagem.

Na prática do anonimato, nossos princípios estão em primeiro lugar e isto não é uma idéia que tenhamos inventado, mas o reflexo de valores espirituais e eternos.

(Pedro Hernandez Pantoja México)
Deus os abençoe.
Vivência n° 35/maio/junho/1995
Vivência n° 94 Março/Abril 2005

Reflexões Diárias de A.A.: 14/12



14 DEZEMBRO

ESTENDENDO A MÃO

Nunca assuma, junto a um alcoólico, superioridade moral ou espiritual; simplesmente, abra a caixa de ferramentas espirituais para que ele as examine. Mostre-lhe como funcionaram a seu favor.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.114 ou p.123

    Quando entro em contato com um ingressante, tenho a tendência de olhá-lo do meu ponto de vista de sucesso de A.A.?
    Eu o comparo com o grande número de conhecidos que fiz na Irmandade? Mostro-lhe, de uma maneira professoral, a voz de A.A.? Qual é a minha verdadeira atitude para com ele?
    Devo me examinar quando encontrar um novato, para ter certeza de que estou transmitindo a mensagem com simplicidade, humildade e generosidade. Aquele que ainda sofre da doença do alcoolismo deve achar em mim um amigo que o ajudará a conseguir conhecer a maneira de viver de A.A., porque eu tive um amigo assim quando cheguei. Hoje é minha vez de estender minha mão com amor para minha irmã ou irmão alcoólico e mostrar-lhes o caminho da felicidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Remuneração Psíquica


Remuneração Psíquica
(Jackson, Porto Alegre/RS)

Em A.A. existem encargos, responsabilidades assumidas. Companheiros que se dedicam às atividades necessárias para o bom andamento das tarefas da Irmandade como um todo. Esses encargos vão desde a preparação de um simples café até as incumbências de Custódio, passando por diversos serviços dentro e fora dos Grupos de A.A.

Regras e punições não existem em A.A. Não possuímos alguém que nos diga estar certo ou errado; agimos segundo a nossa consciência somada à dos demais integrantes do grupo (o que chamamos de consciência coletiva). Nem por isso a Irmandade é desorganizada; pelo contrário, primamos pela responsabilidade e capacidade de ajudar nossos semelhantes, levando a mensagem de A.A. de forma correta. A maneira que podemos orientar outras pessoas é através de nosso exemplo: agindo de forma satisfatória, somos observados e copiados pelos demais.

Todo o trabalho desenvolvido em A.A. é feito com amor, dedicação, gosto e gratidão. Não existe pagamento, pois tudo é feito de forma anônima e sem promoção pessoal; colocamos os princípios de A.A. acima das personalidades. E tudo funciona bem, sendo que somos observados pelos mais diversos segmentos da sociedade como um exemplo a ser seguido.

Sigmund Ginsburg salienta que a recompensa psíquica é fundamental para a realização do ser humano como indivíduo, enfatizando que a remuneração psíquica provém de um senso de satisfação pessoal, de realização, de consecução dos próprios objetivos; é a sensação de ser tido em alta conta pelos demais, ser importante e fazer coisas importantes, ter valor para o grupo e para si mesmo, aprender e progredir, dar alguma contribuição, gostar do que faz, fazer diferença na ordem das coisas, ter espírito criativo e fazer com que o trabalho se desenvolva. Seja qual for o encargo ocupado por um companheiro ou sua posição na estrutura, a remuneração psíquica será sempre essencial para que ele se sinta bem em relação ao presente como quanto ao futuro dentro da instituição.

Essa é a forma de remuneração empregada em A.A. e cada um de nós é responsável por esse tipo de pagamento. Devemos estar sempre atentos a tudo e a todos para que possamos sempre salientar os pontos fortes e positivos de nossos companheiros, estimulando-os a um crescimento constante dentro da Irmandade, em busca de uma existência produtiva e feliz, através de suas ações dentro de cada 24 horas.

Alcoólicos Anônimos nos remete a uma nova vida, onde antes nos sentíamos e éramos considerados irresponsáveis. Hoje, com disciplina e determinação, nos sentimos e somos vistos como pessoas capazes, produtivas, e que fazemos diferença na ordem das coisas. Valorizamos e somos valorizados pelos nossos atos e ações positivas, nos importando com os acertos, buscando aprender e progredir no dia-a-dia, gostando de fazer isso, sendo importantes e fazendo coisas importantes, sendo criativos, procurando contribuir, somar, para que cada vez mais pessoas possam se sentir satisfeitas e realizadas por existirem, viverem em harmonia consigo mesmas e com seus semelhantes. Por tudo isso somos gratos em receber e dar remuneração psíquica de nossos e aos nossos companheiros.

Reflexões Diárias de A.A.: 13/12



13 DEZEMBRO

PENSANDO NOS OUTROS

Nossas próprias vidas, como ex-bebedores problema, dependem de nossa constante preocupação com o próximo e da maneira em que possamos ser-lhe úteis.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.43 ou p.49 e 50.
   
    Pensar nos outros nunca foi uma coisa fácil para mim.
    Mesmo quando tento praticar o programa de A.A. sou propenso a pensar: “Como me sinto hoje? Estou feliz, alegre e livre?”.
    O programa me diz que meus pensamentos devem alcançar aqueles que estão à minha volta: “Este novato deseja alguém com quem falar?”, “Esta pessoa parece um pouco infeliz hoje, talvez eu possa animá-la”. É somente quando esqueço meus problemas e me esforço para contribuir com alguma coisa para os outros, que posso começar a alcançar a serenidade e consciência de Deus que procuro.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Quem é membro de Alcoólicos Anônimos?


"QUEM É MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS?"
1946
(A Tradição Três originou-se deste artigo de Bill W, publicado na revista The A. A. Grapevine)

A primeira edição do livro "Alcoólicos Anônimos" faz esta breve declaração, a respeito de afiliação: "O único requisito para ser membro é o sincero desejo de parar de beber. Não pertencemos a nenhuma seita ou denominação religiosa, em particular, nem nos opomos a nenhuma delas. Simplesmente almejamos ajudar os afligidos por esse mal". Isso expressa nossos sentimentos na época em que nosso livro foi publicado, isto é, em 1939.

Desde esse dia todos os tipos de experiência com membros foram tentados. O número de regras estabelecidas para ingresso de membros (e infringidas em sua maioria) era enorme. Há dois ou três anos atrás, o Escritório Geral pediu aos grupos que enviassem as listas de suas regras para afiliação. Quando elas chegaram, registramos uma por uma. Foram necessárias muitas folhas de papel. Um breve estudo dessa infinidade de regras nos levou a uma conclusão surpreendente. Se todas essas regras realmente tivessem sido seguidas, por toda parte, teria sido praticamente impossível qualquer alcoólico ter ingressado em Alcoólicos Anônimos. Cerca de nove entre dez de nossos mais antigos e melhores membros jamais poderiam ter sido aceitos!

Em alguns casos, teríamos também sido desencorajados pelas exigências a nós impostas. Os primeiros membros de A. A., em sua maioria, teriam sido rejeitados porque recaíam muito, porque sua moral era péssima, porque tinham tanto problemas psíquicos como com o álcool. Ou ainda, acredite ou não, porque não tinham vindo das melhores classes da sociedade. Nós, os mais antigos, poderíamos ter sido excluídos por não ler o livro "Alcoólicos Anônimos" ou por nosso padrinho ter se recu-sado a confiar em nós, como candidatos, e assim por diante. O modo como nossos "alcoólicos dignos" têm as vezes tentado julgar os "menos dignos" é, como vemos agora, engraçado. Imaginem, se vocês puderem, um alcoólico julgando outro!

Uma vez ou outra grupos de A. A. resol-vem ir criando regras. Do mesmo modo, quando um grupo começa a crescer rapidamente, ele enfrenta muitos problemas sérios. Mendigos começam a mendigar. Membros ficam bêbados e às vezes levam outros a ficarem bêbados como eles. Os que têm problemas psíquicos caem em depressão ou agridem os companheiros. Fofoqueiros se justificam, denunciando os Lobos e os Chapeuzinhos Vermelhos do lugar. Recém-chegados argumentam que não são alcoólicos absolutamente, mas de qualquer modo continuam vindo. "Recaídos" tiram partido do bom nome de A. A. para conseguir empregos para si mesmos. Outros recusam aceitar todos os Doze Passos do programa de recuperação. Alguns vão mais longe, dizendo que esse "negócio de Deus" é besteira e completamente desnecessário. Nessas condições, nossos membros mais conservadores do programa ficam assustados. Essas condições assustadoras devem ser controladas, eles acham de outro modo A. A. certamente irá à ruína total. Eles veem com alarme para o bem do movimento!

A essa altura o grupo entra na fase dos regulamentos e regras. Atas de Constituição, estatutos e regras para ser membros são emitidos, e a autoridade é garantida aos comitês para que filtrem os nomes dos indesejáveis e disciplinem os violadores. Então os mais antigos do grupo, agora revestidos de autoridade, começam a se ocupar. Os desobedientes são jogados para fora, na desgraça. Os respeitáveis intrometidos atiram pedras nos pecadores. Com relação aos pecadores, estes ou insistem em ficar, ou então formam um novo grupo para si mesmos. Ou talvez se juntem a uma turma mais afim e menos intolerante da vizinhança. Os mais antigos logo descobrem que as regras e os regulamentos não funcionam muito bem. As tentativas, em sua maioria, causam ondas de dissensão e intolerância no grupo, e essa condição é agora reconhecida como sendo a pior para a vida do grupo.

Depois de um período, o medo e a intolerância diminuem e o grupo sai são e salvo. Todos aprenderam muito. Assim é que poucos de nós estão com medo daquilo que qualquer recém-chegado possa fazer para a reputação ou para a eficiência de A. A. Aqueles que recaem, aqueles que mendigam aqueles que escandalizam aqueles com problemas psíquicos, aqueles que se rebelam quanto ao programa, àqueles que tiram partido de reputação de A. A. — todos esses raramente prejudicam, por muito tempo, um grupo de A. A. Alguns deles vêm a ser nossos mais respeitados e queridos amigos. Alguns têm ficado para pôr à prova nossa paciência, apesar de estar sóbrios. Outros se afastam. Nós começamos a vê-los não como ameaças, mas como nossos professores. Eles nos obrigam a cultivar a paciência, a tolerância e a humildade. Nós finalmente percebemos que eles são somente pessoas mais doentes do que nós, que nós que os condenamos somos os fariseus, cuja falsa justiça leva nosso grupo ao mais profundo prejuízo espiritual.

Todo A. A. mais antigo treme quando se lembra dos nomes das pessoas que uma vez condenou pessoas que ele confidencialmente havia dito que nunca ficariam sóbrios, pessoas que ele tinha certeza que deveriam ser colocadas para fora de A. A., para o bem do movimento. Agora que algumas dessas pessoas estão sóbrias, há anos, e podem ser encontradas entre seus melhores amigos, o membro mais antigo pergunta para si mesmo: "E se todos tivessem julgado essas pessoas, como eu uma vez fiz? E se A. A. tivesse batido a porta na cara delas? Onde elas estariam hoje?"

Por isso é que julgamos o recém-chegado cada vez menos. Se o álcool é um problema incontrolável para ele e ele deseja fazer algo a respeito, isso é suficiente para nós. Não nos preocupamos se seu caso é grave ou brando, se sua moral é boa ou má, se ele tem outras complicações ou não. A porta de nosso A. A. permanece aberta e, se ele passa por ela e começa a fazer finalmente algo a respeito de seu problema, ele é considerado membro de Alcoólicos Anônimos. Ele não assina nada, não faz nenhum acordo, não promete nada. Nós não exigimos nada. Ele se junta a nós por sua própria vontade. Hoje em dia, na maioria dos grupos, ele nem mesmo tem que admitir que é um alcoólico. Ele pode ingressar em A. A., pela mera suspeita de que possa ser um alcoólico, de que já possa apresentar os sintomas fatais de nossa doença.

Naturalmente esse não é o caso de todos aqueles que estão em A. A. As regras para ser membro ainda existem. Se um membro insiste em vir embriagado, nas reuniões, ele pode ser levado para fora; podemos pedir para alguém tirá-lo dali. Mas, na maioria dos grupos, ele pode voltar no dia seguinte, se estiver sóbrio. Embora ele possa ser colocado para fora de um clube, ninguém pensa em colocá-lo para fora de A. A. Ele é um membro, contanto que diga que é. Conquanto esse amplo conceito de afiliação ao A. A. ainda não seja unânime, ele representa hoje a principal corrente do pensamento de A. A. Não queremos negar a ninguém a oportunidade de recuperar-se do alcoolismo. Queremos ser justos, tanto quanto possível, sempre ficando ao alcance de todos.

Talvez essa tendência signifique algo muito mais profundo do que uma mera mudança de atitude sobre a questão de afiliação. Talvez isso signifique que estamos perdendo totalmente o medo daquelas violentas tempestades emocionais que às vezes cruzam nosso mundo alcoólico; talvez isso mostre nossa confiança de que depois da tempestade vem a bonança; uma calma que é mais compreensão, mais compaixão, mais tolerância do que qualquer outra que jamais conhecemos.

* Fonte: Livrete A Tradição de A. A. Como de Desenvolveu

Reflexões Diárias de A.A.: 12/12



12 DEZEMBRO

UMA SOLUÇÃO COMUM

O fator primordial para cada um de nós é que encontramos uma solução comum. Temos uma saída a respeito da qual todos concordamos plenamente em virtude da qual nos solidarizamos em harmoniosa e amigável fraternidade. Essa é a grande mensagem que este livro oferece a todos que sofrem de alcoolismo.

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p.41 ou p.47 e 48
 
   O trabalho de maior alcance de Décimo Segundo Passo foi a publicação de nosso Livro Azul: Alcoólicos Anônimos.
   Poucos podem igualar este livro na transmissão da mensagem.
   Minha ideia é sair de mim mesmo e simplesmente fazer o que posso. Mesmo se não me chamarem para padrinho e meu telefone tocar poucas vezes, sou capaz de fazer o trabalho do Décimo Segundo Passo. Eu me envolvo numa “ação fraterna e harmoniosa”. Nas reuniões chego cedo para cumprimentar as pessoas, ajudo a arrumar, compartilho a minha experiência, força e esperança. Também faço o que posso com o legado de serviço. Meu Poder Superior me dá exatamente o que Ele deseja que eu faça a cada etapa de minha recuperação e, se lhe permitir, minha disposição irá trazer o Décimo Segundo Passo automaticamente.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O mesmo homem voltará a beber


O MESMO HOMEM VOLTARÁ A BEBER 

"Ouvi esta pequena frase pela primeira vez de um companheiro, que por sua vez diz tê-la ouvido ou lido em algum Grupo de A.A." 

Em uma determinada reunião em nosso Grupo o assunto se desenrolou em cima desta poderosa frase, cheia de conteúdo, que resolvi adotá-la como uma das tantas frases inspiradoras deste poderoso programa simples de recuperação.

Vejamos alguns tópicos: Como chegou aquele homem, "eu" em A.A.? Eu era só problema de bebedeiras desenfreadas, fundo de poço total, ou havia mais alguma coisa acontecendo
dentro de mim? Na realidade, por ter passado por um profundo esmagamento do ego antes de me aproximar de A.A., já cheguei convicto que tinha perdido totalmente o controle sobre a minha maneira de beber e que algo teria que ser feito caso eu quisesse continuar vivendo. Logo na primeira reunião, os companheiros lá presentes me tiraram todo o peso que carregava por me julgar um incompetente, um desmoralizado nesta "arte de beber".

Eles me afirmaram que eu era tão somente portador de uma doença incurável, mas que não deveria me desesperar, que apesar de não haver cura ela poderia ser detida bastando para isso evitar o primeiro gole e freqüentar as reuniões.

Assim eu fiz, e diga-se, com muita satisfação e alegria.

O tempo foi passando e em um determinado momento a minha lua de mel com a vida sem beber foi acabando (conforme a nossa própria literatura prevê) e fui buscar dentro do programa sugerido de A.A. uma nova maneira de viver. Tinha convicção que a solução para todos os meus problemas se encontrava e se encontra dentro dos princípios sugeridos
por A.A. e esta fé no programa sempre me salva nos momentos difíceis. 

Pois bem, foi através dos demais passos de A.A., além do primeiro, que fui descobrindo que o ato de beber era simplesmente um pano de fundo, uma fuga de mim mesmo e se eu não fizesse alguma coisa a respeito fatalmente eu voltaria a beber. A partir daí mergulhei no programa. Fui descobrindo que o inventário do quarto passo tinha que ser meu e
não dos outros, que era eu e não os outros o foco principal de minha recuperação; que a admissão dos meus diversos defeitos de caráter e de personalidade tinha que ser feito sem ressalvas a alguém de minha confiança; que as reparações, mesmo que podendo ser adiadas, tinham que ser feitas. O perdão é extremamente importante para que eu melhore a minha qualidade de vida e que através do Décimo Passo eu tinha uma ferramenta infalível para evitar que graves situações voltassem a acumular dentro de mim mesmo e por aí fui caminhando e estou caminhando buscando a prática das Tradições na minha vida e até dos Conceitos.

Hoje, olhando para trás, para aquela noite da minha primeira reunião em A.A., percebo claramente que aquele homem daquela noite mudou, ele já não é mais o mesmo e, por isso mesmo, a vida está melhorando e a necessidade de beber para encobrir determinadas situações e defeitos já não existe mais.

Como disse Bill W.: "Não fugimos da bebida, através do programa de A.A. estamos deixando a bebida longe de nós". E como diz atualmente o meu companheiro em todas as reuniões: "O Mesmo Homem Voltará a Beber".

Esta pequena frase cheia de filosofia e sabedoria é um sinal constante de advertência para mim mesmo: pratique o programa em todas as atividades, caso contrário o mesmo homem poderá voltar a beber e aí...

Para finalizar, quero registrar um trecho de um texto magnífico escrito por Bill W.: "A Próxima Fronteira: A Sobriedade Emocional (Linguagem do Coração) que vale a pena ser lido na íntegra e discutido em nossas diversas reuniões de recuperação:

"Mesmo os veteranos que submeteram o nosso Programa de Recuperação a testes severos, mas bem sucedidos, ainda descobrem que freqüentemente lhes falta sobriedade emocional... Aqueles anseios da mente adolescente que tantos de nós experimentamos por aprovação de outras pessoas, segurança material e financeira perfeita e relacionamento amoroso sem atritos e com satisfação total revelam-se impossíveis de ser alcançados quando vamos chegando a idade mental adulta. Paramos de beber, estamos freqüentando as reuniões de A.A., buscando seus princípios e ainda assim sofremos todos os tipos de reveses possíveis e em todas as áreas". Na minha opinião, ele está apenas nos advertindo que o "O Mesmo Homem Voltará a Beber".

Obrigado companheiros, por estarem me ajudando a deixar de ser o mesmo homem.

Marcos A./Cachoeira do Campo/MG
Vivência nº 101 – Mai./Jun. 2006