segunda-feira, 30 de abril de 2012

Uma visão dos Doze Conceitos para Serviços Mundiais


UMA VISÃO DOS DOZE CONCEITOS PARA SERVIÇOS MUNDIAIS

Dr. Laís Marques da Silva
Ex-Custódio e Presidente da JUNAAB

Os substantivos definem as idéias. Dizemos que uma questão é substantiva quando ela contém o significado, a substância. Na designação “Doze Conceitos para Serviços Mundiais”, temos dois substantivos que devemos analisar detidamente a fim de que possamos compreender a totalidade dos seus conteúdos.
O primeiro é a palavra conceito. Recorrendo ao “Aurélio”, vemos que: 1. Em Filosofia, significa a representação de um objeto pelo pensamento, por uma das suas características gerais - abstração, idéia; 2. Ação de formular uma idéia por meio de palavras - definição, caracterização e, 3. Pensamento, idéia, opinião. Estas primeiras acepções nos transmitem o significado da palavra conceito porque respondem às indagações: qual a idéia e qual a sua definição?
O segundo substantivo é a palavra serviço. Com ela já estamos bem familiarizados, pois vivemos numa Irmandade animada pelo espírito de serviço, entendido como o ato de colocar a sobriedade ao alcance de todos os que a desejem. Os serviços definem o AA como o conhecemos e põem os seus membros em contato, em comunicação, com os que precisam de ajuda, os que querem parar de beber.
O serviço em AA compreende tudo o que se venha a realizar para alcançar o alcoólico que ainda sofre e se compõe de uma grande variedade de atividades que vão desde o preparo de uma xícara de café até a manutenção do Escritório de Serviços Gerais. No entanto, o serviço básico, e também a razão primordial da existência de AA, é o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. O serviço dá à Irmandade a marca da ação. Alcoólicos Anônimos é uma sociedade de alcoólicos em recuperação e em ação.
Do mesmo modo que o objetivo de cada membro é a sua própria sobriedade, o dos serviços é colocar esta mesma sobriedade ao alcance de todos os que a desejem; “Cada grupo é animado de um único propósito - o de transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre”.
O ideal de ajuda se constitui numa importante força de coesão para o grupo porque anima os seus membros em torno de um objetivo comum e, por isso, se torna um sólido alicerce para a Irmandade. Indispensável à Unidade, é a própria essência do Terceiro Legado.
A tarefa de estender a mão àquele que ainda sofre oferece a cada membro um trabalho suficientemente grande para polarizar a imaginação e os esforços dos seus membros e para fazer nascer um profundo sentimento de lealdade em relação ao grupo. “Razões tinham que ser encontradas para manter as pessoas autoritárias e causadoras de atrito em seus devidos lugares. Um adequando comitê de serviços, com considerável pressão, aliado a muito amor e confiança, provou ser a resposta”. O serviço traz recompensas imateriais para os que o realizam e é um dos pilares sobre os quais se assenta a recuperação individual.
Voltando ao tema, vemos que os serviços são mundiais e aí muita gente entende que não é da sua alçada em razão do adjetivo mundial, considerado o âmbito restrito da sua atuação individual. Mas os serviços têm outra dimensão, a espacial, uma vez que compreendem as ações que se desenvolvem nos grupos, as que são realizadas a nível nacional, as que ultrapassam as fronteiras de um país e as que são executadas a nível internacional. Como a Irmandade está em cerca de 147 países do mundo, os serviços se tornaram realmente mundiais. Assim, o alcance da Irmandade é global e a sua mensagem é dirigida à espécie humana, a todos os que têm problemas com a bebida.
Os Doze Conceitos, ligados ao Terceiro Legado, interessam em especial aos “servidores de confiança”, isto é, aos companheiros que se dedicam ao serviço.
Com poucos anos de existência, a Irmandade contava com milhares de grupos, com uma Junta de Serviços Gerias, com uma Conferência e uma Revista. Era necessário, então, estabelecer as relações entre estas essas estruturas. Desta forma, quando o próprio Bill W. idealizou os 12 Conceitos, estabeleceu as relações que visavam, a meu ver, montar um sistema, como se espera que exista numa sociedade como aquela em que vivemos, preocupada com os controles, a retroalimentação e com a reformulação do planejamento. Os Doze Conceitos de AA dão a coesão necessária aos serviços e previnem a existência de superposições e, como tal, evitam dissensões.
Outro ponto que é necessário esclarecer é o conceito de Serviços Gerais. São serviços que os grupos não podem fazer por si mesmos, como: uniformizar, editar e distribuir uma literatura composta de numerosos títulos; fazer um trabalho de informação ao público padronizado a nível nacional; passar a experiência adquirida pelos grupos da nossa Irmandade como um todo aos novos grupos; atender, numa escala maior, aos pedidos de ajuda; publicar a Revista Nacional, etc.
Há frases que demonstram um grande poder de síntese e que dão uma idéia muito clara das coisas: “Os Passos são para o alcoólico viver e as Tradições são para a Irmandade viver”. Uma outra diz que “Os Passos ensinam a viver e as Tradições ensinam a conviver”. São frases que, sendo curtas, exibem um grande poder de síntese e encerram uma grande significação. No entanto, em relação aos Conceitos, fica um pouco difícil condensar, fazer uma ponte que os una como um todo. Resta o esforço de tentar costurá-los de modo a transmitir uma idéia condensada, uma visão global do seu conteúdo e é o que passamos a fazer agora.
Conceito I: Nele fica estabelecido que “A responsabilidade final e a autoridade suprema para os serviços mundiais recaem sobre os grupos de AA.” “Esta responsabilidade e a conseqüente autoridade foram transferidos para os grupos no decurso da Convenção Internacional de Saint Louis, em 1955”. Esta é a idéia do Conceito I.
Conceito II: Em 1955, os grupos delegaram autoridade à Conferência para a manutenção dos serviços mundiais e tornaram a Conferência a verdadeira voz e a consciência efetiva de toda a Irmandade de AA. Com este conceito, o grupo resolve o problema de como encaminhar os assuntos ligados ao serviço, isto é, o faz por meio de um instrumento, que é o da delegação. Desta maneira, delega o seu papel de condutor à Conferência de Serviços Gerais e o faz elegendo um representante de serviços gerais para cada grupo, os quais se reúnem em Assembléia de Área e elegem, anualmente, no caso do Brasil, um delegado por Área que atua em nome de todos os grupos da respectiva Área.
A idéia central deste conceito está na delegação, feita pelos grupos à Conferência, do seu papel de condutor da Irmandade.
Conceito III: Por esse conceito, a “Conferência delega à Junta de Serviços Gerais a autoridade para administrar os assuntos de AA. Estabelece também as relações entre os grupos de AA, a Conferência, a Junta de Serviços Gerais, funcionários e comitês executivos acentuando o tradicional “Direito de Decisão”, que pode ser aplicado em praticamente todos os níveis da estrutura de serviços mundiais. Este conceito estabelece também uma relação de confiança nos líderes responsáveis dando-lhes o poder de decisão, levando em conta a sua responsabilidade e autoridade diante dos problemas e das situações que apareçam.
A liderança moderada é a essência do “Direito de Decisão” atribuído aos servidores de confiança. Bill afirmou: “todo o nosso programa dentro de AA repousa no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos no AA e confiamos em cada um de nós”.
Conceito IV: Trata do “Direito de Participação”. Constitui-se numa salvaguarda contra a autoridade absoluta, suprema. É uma garantia de participação, do direito de tomar parte. Cria um mecanismo que impede a existência de membros de “segunda classe”. Está em perfeita consonância com a Segunda Tradição. Esse direito está incluído no Estatuto da Conferência de Serviços Gerais. Com ele, os membros da JUNAAB tornam-se membros votantes na Conferência.
Esse conceito atende a uma necessidade, mais do que a um desejo de pertencer e de participar.
Conceito V: O “Direito de Apelação” garante que uma eventual minoria seja sempre ouvida. Qualquer membro de AA pode exercer este direito, bastando para isso redigir um documento e dirigi-lo à Junta de Serviços Gerais. A outra face desse direito é também muito importante, pois ela faz com que todo o tempo necessário e que todo o cuidado sejam dedicados aos temas em discussão. A minoria bem ouvida representa uma proteção contra uma maioria eventualmente desinformada, precipitada ou irritada. Previne uma possível “tirania” da maioria. Dessa forma, uma maioria simples raramente é suficiente para tomar decisões. Se não se chega a uma substancial maioria, é preferível adiar a decisão ou sair para o “procedimento do Terceiro Legado” ou ainda fazer o sorteio no “chapéu”.
Conceito VI: Atribui, em primeiro lugar à Conferência e, depois, à Junta, a responsabilidade de manter serviços mundiais e de decidir sobre assuntos de finanças e de normas de procedimento. Na sua ausência, a Conferência delega autoridade administrativa à Junta. Estabelece que, embora os custódios devam operar sob observação e orientação da Conferência, eles devem funcionar como diretores de uma grande organização de negócios, para o que devem ter ampla autoridade para administrar e conduzir os negócios de AA.
Conceito VII: Por esse conceito, a Conferência reconhece a Ata de Constituição e os Estatutos da Junta de Serviços Gerais como instrumentos legais e lhe dá plenos poderes para administrar e conduzir todos os assuntos dos serviços mundiais de AA.
A Conferência fica com a força da tradição e com o poder do dinheiro e dá à Junta o direito de eleger os seus membros. Assim, estabelece que a escolha dos novos custódios cabe à própria Junta e que esta escolha deve ser submetida à aprovação da Conferência. Assim, a Conferência pode rejeitar, mas não eleger os novos candidatos a custódio. Isto é, preserva à Junta de Custódios o direito de funcionar livre e adequadamente tal como qualquer junta de diretores de negócios. Tudo isso dentro do conceito de “Servidores de Confiança”.
Esse conceito estabelece um equilíbrio de poderes entre a Conferência e a Junta, indispensável a uma harmoniosa colaboração. Assim, a Ata de Constituição dá, aos custódios, autoridade legal de tal forma que lhes é possível dizer “não” para o que vem da Conferência, de vetar qualquer das suas ações. No entanto, eles não estão obrigados a usar toda a autoridade e durante o tempo todo. Muitas vezes é mais sensato um sim. Também a Conferência deve evitar o abuso da sua autoridade tradicional.
Conceito VIII: Por ele, os custódios da Junta atuam como planejadores, administradores e executores e, em relação aos serviços incorporados, exercem supervisão de custódia, podendo eleger os diretores dessas entidades. A Junta delega funções executivas e fica com a supervisão e, para evitar a concentração de dinheiro e de autoridade, as incorporações são mantidas separadas.
Conceito IX: Esse conceito atribui a liderança dos serviços mundiais aos custódios da Junta e os tornam diretamente responsáveis pela nossa Irmandade. Enfatiza também a necessidade de se escolher bons líderes para a estrutura de serviços. As pessoas certas devem ser escolhidas para as muitas tarefas a serem executadas em cada nível de serviço.
“Não importa com que cuidado projetamos a nossa estrutura de serviços em princípios e relações, não importa quão bem repartamos a autoridade e a responsabilidade, os resultados operacionais da nossa estrutura não podem ser melhores do que o desempenho pessoal daqueles que devem servir e fazê-la funcionar. Boa liderança não pode funcionar bem numa estrutura mal planejada ... liderança fraca não pode funcionar nem na melhor das estruturas.”
Estabelece ainda que a base da estrutura de serviços repousa em milhares de RSGs, que nomeiam numerosos membros dos Comitês de Área e também tantos outros delegados, além de apreciar os candidatos a custódio das Áreas. A votação se faz pelo método do Terceiro Legado, ou seja, por 2/3 da votação ou por sorteio.
Conceito X: Estabelece a relação entre responsabilidades e limita a extensão. A maior responsabilidade e autoridade estão com os grupos e, por meio deles, com a Conferência. O Conceito I estabelece que a responsabilidade final e a autoridade suprema estão nos grupos e o Conceito II estabelece que eles delegam essa autoridade à Conferência. Esta, por sua vez, pelo Conceito III, delega para a Junta de Serviços Gerais a autoridade para administrar os assuntos de AA.
A autoridade suprema da Conferência nunca deveria ser usada o tempo todo, a não ser numa emergência e isso acontece geralmente quando a autoridade que foi por ela delegada fracassa e precisa ser reorganizada em função da sua deficiência ou porque os limites da autoridade são constantemente ultrapassados.
Além dos dispositivos para igualar autoridade e responsabilidade, esse conceito acrescenta duas garantias: o “Direito de Apelação” e o “Direito de Petição” a fim de assegurar que a minoria tenha uma autoridade correspondente à sua responsabilidade.
A Segunda Tradição define o que se entende por “Consciência de Grupo” como sendo a autoridade final e também fala dos servidores de confiança como tendo autoridade delegada. As definições cuidadosas e o respeito mútuo são indispensáveis para manter o equilíbrio necessário à realização de um trabalho correto e harmonioso.
Conceito XI: Por ele, os custódios devem ter a melhor assistência dos comitês permanentes, dos diretores de serviços incorporados, dos executivos, funcionários e consultores. Nesse conceito, está definida a atuação dos diversos comitês da Junta, a sua composição, funções e relações.
Conceito XII: Tem o mesmo conteúdo do artigo 12 da Ata de Constituição da Conferência. Estabelece que a Conferência observe o espírito das Tradições de AA; que nunca seja sede de riqueza ou de poder, que tenha fundos suficientes para funcionar, que nenhum membro seja colocado em posição de autoridade absoluta sobre os outros; que as decisões sejam tomadas após discussão, votação e, se possível, substancial unanimidade. Que nenhuma ação seja punitiva ou leve à controvérsia pública; que embora preste serviço, não desempenhe ato de governo, permanecendo democrática em pensamento e ação.
Esse conceito é a base do funcionamento da Conferência e, diferentemente dos 11 precedentes, há para ele um mecanismo de proteção contra mudanças. Isto é importante porque garante o bem-estar geral do AA.
São promessas solenes em que a Conferência se submete às Tradições e dá outras garantias. A prudência é a marca das garantias que protegem a Irmandade contra a riqueza, o prestígio, o poder, etc.
No seu conjunto, os Conceitos definem uma estrutura de serviços, estabelecem ralações entre elas, definem onde ficam a autoridade superior e a responsabilidade maior, estabelecem de modo muito sábio o equilíbrio entre a Conferência e a Junta de Serviços Gerais, cuidam primorosamente da relação entre a responsabilidade e a autoridade, garantem o direito e a atuação das minorias e estabelecem um modo de atuar da Conferência, ditado pela prudência e pela temperança. É um conjunto magistral em que nada ficou faltando, em que tudo que é necessário ao funcionamento harmonioso e eficaz de um imenso organismo foi pensado e sabiamente definido. É um conjunto de normas perfeito e irretocável.

Reflexões Diárias de A.A.: 30/04


30 DE ABRIL
UM GRANDE PARADOXO
Esses legados de sofrimento e reabilitação são facilmente transmissíveis de um alcoólico para o outro. Trata-se de nossa dádiva divina, e cuidar que ela seja também conferida a outros como nós é o único objetivo que hoje em dia anima os AAs em todo o mundo.
OS DOZE PASSOS E AS DOZE TRADIÇÕES, p. 136
O grande paradoxo de A.A. é que sei que não posso manter a preciosa dádiva da sobriedade a não ser que eu passe a outros. Meu propósito primordial é manter-me sóbrio.
Em A.A. não tenho outro objetivo, e a importância disto é um assunto de vida ou morte para mim. Se me desviar deste propósito, eu perco. Mas A.A. não é somente para mim, é para o alcoólico que ainda sofre.
As legiões de alcoólicos em recuperação permanecem sóbrias porque compartilham com seus companheiros alcoólicos.
A maneira de conseguir minha recuperação é mostrar aos outros em A.A., que quando compartilho com eles, todos crescemos na graça do Poder Superior, e estamos no caminho de um destino feliz.

domingo, 29 de abril de 2012

Nada vale a vida se eu não estiver sóbria para viver!


"NADA VALE A VIDA SE EU NÃO ESTIVER SÓBRIA PARA VIVER!"

Hoje, lendo a Revista Vivência e me maravilhando com os detalhes que encontro em cada depoimento lembrei-me de quando cheguei em A.A. Era final de 1992; eu trabalhava de empregada doméstica e nesse dia a filha da minha patroa estava se casando. Como são de uma família tradicional e bem de vida, o casamento civil seria realizado na casa da noiva.
Nesta ocasião os freezers estavam cheio de bebidas de toda qualidade, inclusive bebidas que eu nunca havia visto.
Meu marido, que na época era meu namorado ficou de passar no meu serviço para que fôssemos embora juntos, porém ele também bebia e resolveu sair com os amigos esquecendo-se de mim.
Terminado o casamento, todos saíram e eu fiquei sozinha! Que festa!
Chateada porque o namorado não apareceu, uma desculpa para beber todas, bebi de tudo o que havia. Acordei no sábado, na minha casa, sem saber quem havia me levado. Minha mãe me disse que os noivos me encontraram bêbada na rua, com pé ensangüentado, pois eu havia me cortado num caco de garrafa. Eles me pegaram, banharam-me, me vestiram e me levaram para casa. Minha vergonha foi tanta que eu não voltei nem para receber o pagamento.
Foi quando me falaram de A.A. Minha irmã, de tanto ver meu sofrimento procurou ajuda; falou com o meu namorado e ele topou em me acompanhar.
Quando chegamos ao grupo, numa segunda-feira a sala estava cheia; o coordenador da reunião nos deu as boas-vindas e me disse que a reunião de Al-Anon era na sala ao lado; eu respondi "esta é a sala que eu procuro, esta é a minha sala"!
Abençoados companheiros, que nos ajudaram a mim e ao meu namorado, que hoje é meu marido, porque ele também se identificou como alcoólico.
Foi assim que conheci esta Revista maravilhosa. Fiz minha assinatura e sigo firme na minha programação fazendo das vinte quatro horas o primeiro e único dia de toda a minha vida.
Aprendi que sou importante e que nada vale a pena se eu não estiver sóbria para viver. Hoje tenho quatro netos que são minha alegria!
Agradeço, a Deus e aos meus companheiros de A.A., por esta felicidade. Vinte e quatro horas de sobriedade e obrigado por esta maravilha que é a Revista Vivência.

M. Edith/Ceres/GO
Vivência Nº106 - Março / Abril - 2007

Reflexões Diárias de A.A.: 29/04


AUTONOMIA DE GRUPO
Alguns podem pensar que temos levado ao extremo o princípio da autonomia dos Grupos. Por exemplo, em sua “forma longa” original, a Quarta Tradição declara: “Quando duas ou três pessoas estiverem reunidas com o propósito de alcançar a sobriedade, podem chamar a si mesmos de um Grupo de A.A., contanto que como Grupo não tenham outra afiliação.”... Mas essa extrema liberdade não é tão perigosa como parece.
A.A. ATINGE A MAIORIDADE, p. 95 ou p. 92
A.A. me faz aceitar totalmente a necessidade de disciplina e, se eu não a obtivesse de dentro de mim mesmo, então pagaria pelas consequências. O mesmo se aplica também para os Grupos. A Quarta Tradição me indica uma direção espiritual, apesar das minhas inclinações alcoólicas.

sábado, 28 de abril de 2012

Estranhezas


ESTRANHEZAS

Que amor é esse?

Muito estranho! Sinto uma sensação esquisita, de amor no meu coração...uma calmaria...muito estranho!
Quando toca o telefone e escuto a voz de um companheiro ou companheira, tudo parece parar e, por mais urgente que seja a tarefa que eu esteja fazendo, esse papo é prazeroso. Parar e ouvir: estranho, muito estranho.
Que amor é esse?
De estar no meio de uma multidão na rua e meus olhos enxergarem um companheiro ou companheira e o coração bater forte, essa coisa estranha de querer ser vista e fazer questão de ver? Muito estranho.
Que amor é esse?
De chegar na sala de A.A. e de repente meus braços se abrirem, o sorriso vir aos meus lábios e tudo passar? Estranho...
Que amor será esse através do qual, mesmo estando na mais árdua discussão de diferenças nesse mundo aqui de fora, num relance lembro-me da voz e dos olhos carinhosos de meus companheiros, lembro-me dos tapinhas nas costas ou dos abraços seguidos de um "Isso vai passar", "Não se leve muito a sério" ou apenas "Obrigado, hoje eu estava precisando ouvir isso que você falou"? Muito estranho.
Que amor é esse?
De pessoas que estão atentas à minha vida, que choram com minhas tristezas, que sorriem e ficam contentes com o meu bem-estar? Muito estranho.
Talvez seja estranho para mim porque esse amor não dói, não machuca. Vocês não me pedem nada. Estenderam as suas mãos e pediram para eu contar a minha estranha loucura (que para vocês não era nada estranha). Como explicar esse estranho amor a essa estranha cabeça? Para mim, é o amor de DEUS. Somente Ele e vocês poderiam me amar e deixar que eu os amasse assim, com estranha e tamanha sinceridade. Tenho que agradecer a esse Deus por me colocar perante vocês e o programa de A.A.
E por isso eu sou responsável.
Meu nome é Rachel, sou uma alcoólica e somente pelo amor e graça de Deus e com a ajuda de todos vocês, hoje eu não bebi.

Rachel
(Vivência - Março/Abril 2001)

Reflexões Diárias de A.A.: 28/04


28 DE ABRIL
DOIS “MAGNÍFICOS PADRÕES”
Todo o progresso de A.A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo o nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a estes magníficos padrões.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 271
Conhecer e respeitar as opiniões, talentos e prerrogativas dos outros, e aceitar estar errado mostra-me o caminho da humildade.
Praticar os princípios de A.A. em todos os meus assuntos me leva a ser responsável. Respeitar estes preceitos dá crédito à Quarta Tradição – e a todas as outras Tradições da Irmandade.
Alcoólicos Anônimos tem desenvolvido uma filosofia de vida cheia de motivações válidas, rica dos mais altos e relevantes princípios e valores éticos, uma maneira de vida que pode ser estendida além dos limites da população alcoólica. Para honrar estes preceitos, preciso somente rezar e cuidar de cada companheiro como se cada um fosse meu irmão.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Insanidade?


Insanidade ?

"Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós poderia restaurar-nos à sanidade". Esse Passo foi extremamente fácil para mim, da primeira vez. Eu simplesmente falei: "Acredito que Deus pode restaurar-me para a sanidade." Foi isso, sem fanfarras, gritos ou trombetas.

Como eu era ignorante do Segundo Passo! Não tinha nenhum sentimento interno de aceitação e nenhuma crença verdadeira de qualquer espécie. E quem havia dito que eu era louco, para começar? Tudo o que admiti foi que era impotente diante do álcool, e que minha vida se havia tornado ingovernável, e não estava totalmente convencido disso. Minha impotência diante do álcool foi uma declaração que fui forçado a fazer, não uma na qual de fato acreditasse. Por outro lado, uma curta revisão da minha vida - a perda da minha licença de médico e dos meus bens terrenos, incluindo a casa e os carros - me convenceu de que minha vida era ingovernável. Mas era assim por eu ser impotente diante do álcool? E de onde haviam tirado esse negócio de insanidade.

Meu padrinho valeu seu peso em ouro para mim. Sean mostrou-me que havia algumas pequenas falhas no meu raciocínio, como estar negando a realidade da minha situação, e estar projetando as causas dos meus problemas para cima de outras pessoas, ao invés de admitir que a fonte deles era eu. Apontou que esses eram os mecanismos dos mentalmente doentes, e sugeriu que talvez por isso eu os tivesse usando. Sean também falou que se me fosse difícil demais admitir que era impotente diante do álcool, poderia fazer de conta que era impotente diante das minhas emoções, e que por isso bebia.

Sim, agora estávamos chegando em algum lugar. Podia admitir ser impotente diante das minhas emoções, sem ter um ataque de vergonha. Por isso me permitia dizer que minhas emoções eram a causa do meu beber; portanto, eu não era impotente diante do álcool, ou insano. Bastava um pouco mais de autocontrole sobre meus pensamentos.

Danado desse meu padrinho, só depois de alguns meses é que fui ver que quando eu dizia que bebia porque era impotente diante das minhas emoções, na verdade estava dizendo que era impotente diante do álcool. Comecei finalmente a acreditar nisso.

Sean destacou que a racionalização era também uma parte proeminente da minha personalidade, e como diz o Livro Azul: "Racionalizar é dar razões socialmente aceitáveis para um comportamento socialmente inaceitável é uma forma de insanidade." Agora Sean conseguira me encurralar. Admiti que minha vida estava ingovernável e que eu provavelmente era impotente diante do álcool. Porém, ainda precisei de muitos meses para realmente acreditar nessa última parte.

Eu passava pelo Segundo Passo num pé de vento. Declamava-o em voz alta, e era tudo. Mas de certa maneira me parecia que estava me safando de alguma coisa. Por que meu padrinho pudera brigar tanto pelo Primeiro Passo e agora simplesmente deixava que o Segundo Passo passasse batido? A ignorância é uma bem-aventurança, e eu andava precisando de alguma felicidade.

O que hoje suspeito é que Sean não criou um caso porque queria evitar altercações sobre Deus ou um Poder Superior. O Terceiro Passo já iria ser suficientemente duro, sem necessidade de entrar numa luta livre a respeito do Segundo. Tive imensas dificuldades para aceitar um Poder Superior. Na minha mente, confundí Deus e/ou um Poder Superior com religião. Eu não podia aceitar que dentre todas as religiões do mundo, apenas uma estivesse certa e as outras erradas. Também pensava que se não acreditasse num Deus, não poderia ser uma pessoa má que transgredia as regras de Deus. (Naquela época, não sabia que eu não estava sendo mau, apenas doente.)

Logo que entrei para A.A., estava num estado emocional deplorável. Havia feito uso de álcool e de substâncias químicas alteradoras do humor, na tentativa de sobreviver ao modo horroroso como a minha vida ia indo. Agora, ao me dizerem que não podia mais beber nem me drogar, achei que a vida não valia mais a pena. Como poderia suportar as agonias que teria de agüentar?

Nas reuniões de A.A, ví que as pessoas sóbrias pareciam estar calmas e felizes. Não sabia o que estavam tomando, mas obviamente fazia efeito. Eu queria um pouco disso, e se freqüentar as reuniões era o necessário para a gente se sentir melhor, então era isso o que eu faria. Do jeito que eu tinha feito, não funcionava mais. Estava disposto a tentar o jeito deles.

Fui a cem reuniões em noventa dias. Minha vida centrou-se nelas. Escutava, lia o Livro Azul, falava com meu padrinho e com muitas outras pessoas sobre o que elas achavam que estava sendo de ajuda para elas. Descobri a serenidade nessas reuniões, e comecei a sentir momentos de paz e calma. Alguma coisa estava acontecendo. Algumas das promessas pareciam estar virando verdade. Cada dia viajava vários quilômetros até meu local de emprego. Certa manhã, enquanto ruminava sobre as iniqüidades da vida, finalmente disse a mim mesmo: "Tá bom, vou tentar. Deus, pode pegar minhas preocupações. Não consigo lidar com elas. Sou apenas humano e não sou perfeito. Você, por outro lado, não é humano e pode tolerar esse estresse. Pode tratar da minha vida. Deixo a seu encargo os resultados e os "sês".

Imediatamente, senti paz e serenidade me inundando. Fiquei emocionado e vibrei com os resultados. Falei para mim: "É mesmo fácil fazer o Terceiro Passo. Simplesmente digo ao meu Poder Superior que assuma o controle, porque não dou mais conta."

Apesar de tornar a coisa bem difícil, o conceito era simples. Alcançara a serenidade ao entregar minha vida e minha vontade aos cuidado do meu Poder Superior. Havia dado início à minha caminhada rumo à sobriedade, que defini como sendo o estado de não estar bêbado - em outras palavras, um estado de equilíbrio mental e emocional.

Levou mais três anos de trabalho no meu Programa, para que me desse conta de que minha aceitação de um Poder Superior havia sido a coisa mais importante na restauração da minha sanidade. Foi a única coisa que me permitiu não permanecer no que poderia ter sido, mas sim viver minha vida neste minuto. Não imaginar catástrofes, mas sim apreciar a vida sem medo. A aceitação de Deus devolveu-me à sanidade.

(William S., Grapevine)

(Vivência - Março/Abril 2002)

Reflexões Diárias de A.A.: 27/04


DESCOBERTAS ALEGRES
Reconhecemos que sabemos pouco. Deus, porém, constantemente nos revelará cada vez mais. Pergunte-lhe, na sua meditação matinal, o que você poderá fazer cada dia pelo homem ainda doente. As respostas virão se você estiver mesmo preparado. Mas, evidentemente, você não poderá transmitir algo que não tenha. Procure fazer com que sua relação com Ele seja certa, e grandes eventos acontecerão a você e a inúmeros outros. Esta é a Grande Realidade para nós.
ALCOÓLICOS ANÔNIMOS, p. 176 e 177 ou p. 191 e 192
Grandes eventos para este alcoólico em recuperação são as alegrias cotidianas de poder viver outro dia na graça de Deus.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Convite: Aniversário do Grupo Carmo-Sion de Alcoólicos Anônimos


Coragem!


Coragem!

"É firmeza na auto-avaliação, é bravura na confissão, é ousadia na tomada de atitudes, é o seguir em frente, apesar do medo".

Estas são as virtudes tão necessárias a prática do 4º, 5º e 6º Passos de recuperação de A.A.

Desde que cheguei em A.A., percebi que não basta "tapar a garrafa", até porque não se acredita que a partir de 69 anos de experiência acumulada seja possível apenas parar de beber.

Para que eu não volte a beber, preciso passar por profundas mudanças pessoais; na verdade, a reformulação completa do meu estilo de vida, um processo que só obterei através da prática do programa espiritual de A.A.: Os Doze Passos.

Enquanto a medicina classifica o alcoolismo como uma doença biopsicosossial, A.A. simplifica tudo: - alcoolismo é uma doença física, mental e espiritual, ficando bem claro para mim que é de fundamental importância a recuperação do meu espírito.

Como disse Jung, em carta dirigida a Bill: "álcool em latim é "spíritus" e usa-se a mesma palavra para a mais alta experiência religiosa, assim como para o mais perverso veneno. A fórmula auxiliadora pois: spíritus contra spíritus".

Foi preciso muita coragem para, após a prática dos três primeiros Passos, dar início ao meu trabalho individual: buscar o que estava espiritualmente errado em mim enfrentando os tão temídos 4º e 5º passos.

No quarto passo, de caderninho em punho, conforme sugere nossa literatura, examinei principalmente as deturpações dos meus instintos que, quando desenfreados, deixam de cumprir seus papéis naturais de autopreservação e crescimento passam a ser forças destrutivas.

Fui escrevendo e me dando conta de que não sou nenhuma santa, mas também não sou nenhum monstro; sou apenas um ser humano que cometeu erros e quer repará-los.

Procurei distingüir as falhas cometidas decorrentes da bebida das cometidas devido a minhas imperfeições naturais, humanas, e comecei a ter melhor compreensão das minha atitudes de terceiros para comigo, muitas vezes motivados pelos atos que eu praticava.

Recorrí à relação chamada Sete Pecados Capitais, que nós AAs, chamamos os Defeitos de Caráter, e concluí que me utilizava da bebida como um meio de fuga para problemas da vida e que a bebida potencializa meus defeitos.

Comecei então a limpar a auto-imagem, uma vez que consegui ver com clareza e exatidão a natureza das minhas falhas.

Sentí que esse processo é o começo de uma prática que durará por toda minha vida, daí a necessidade de entregar-me à mudança e, uma vez já admitido perante mim mesma a natureza de minhas falhas, precisei de muita coragem para admitir perante Deus e perante outro ser humano, enrtegando-me assim, à confissão.

Li para minha madrinha o que havia escrito no caderninho.

Ouvir minha voz "expelindo" fatos que me incomodavam me aliviou e clareou meu raciocínio.

A pessoa com quem compartilhei meus erros, minhas mágoas, meus ressentimentos, me mostrou aspectos que não haviam me ocorrido e meu entendimento ficou mais completo.

O quinto passo ajudou-me a sair do isolamento, pois admitindo meus próprios defeitos, comecei o verdadeiro parentesco com as pessoas e com Deus.

Chegou então o momento de pedir a ajuda do Poder Superior para não cometer mais essas falhas: o 6º Passo.

Entrou novamente a coragem. Há falhas minhas de que eu gosto! Fazem-me mal e eu gosto delas! Como me conscientizar e livrar-me delas? Só mesmo com a ajuda do Poder Superior.

Ora, já evoluí no campo espiritual, empenhando-me em crescer à imagem e semelhança do Criador, e quando me dispus a "limpar a casa" no 5º Passo, consegui uma completa libertação do alcoolismo. Por que não chegar pelos mesmos meios à libertação dos meus defeitos?

Foi assim que me dispus a tentar uma prática mais virtuosa para me libertar das amarras da dependência.

Confesso que a vontade de beber ainda não foi arrancada de mim.

Analisei detidamente a filosofia de recuperação de A.A. e identifiquei que ela propicia condições excepcionalmente favoráveis para o cultivo das virtudes como anticorpos naturais dos meus defeitos de caráter.

Por exemplo: quando estou doente, vou ao médico, tomo remédio e saro. Quando há uma epidemia, tomo vacina, me previno fisicamente e fico imune.

E quando o mal está no meu espírito? Quando sinto mágoas, ressentimentos? Que recursos tenho à minha disposição?

O Poder Superior colocou à minha disposição um leque de opções de defesas: AS VIRTUDES; o meu lado bom; os anticorpos naturais no combate ao mal.

Ele me "deu de graça" esses dons que, uma vez cultivados, ajudam-me a combater meu "lado ruim".

Todos nós temos virtudes. Basta cultivá-las.

A coragem é uma virtude; é força interior. É a virtude que me impullsiona a lutar por aquilo que acredito e a seguir em frente apesar do medo.

Cultivando a coragem, tornou-se mais fácil meu minucioso inventário, a confissão, o propósito de deixar Deus remover meus defeitos de caráter.

É fácil? Não, não é.

O que me impulsiona a não ter medo, a seguir em frente, é o exemplo dos veteranos de A.A., hoje sóbrios, serenos e felizes.

Eles me dão coragem e é por isso que acredito no meu desenvolvimento espiritual em direção ao conhecimento da vontade de Deus para comigo.

Luto por aquilo que acredito: Viver sóbria e feliz.

(L./São Paulo)

(Vivência - Julho/Agosto 2004)

Reflexões Diárias de A.A.: 26/04


26 DE ABRIL
FELICIDADE NÃO É O PONTO PRINCIPAL
Não acho que a felicidade ou a infelicidade seja o ponto principal. Como enfrentamos os problemas que chegam a nós?
Como aprendemos através deles, e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?
NA OPINIÃO DO BILL, p. 306
Na minha busca “para ser feliz” mudei de empregos, casei e me divorciei, tentei curas geográficas e me endividei – financeiramente, emocionalmente e espiritualmente. Em A.A. estou aprendendo a crescer. Ao invés de exigir que pessoas, lugares e coisas me façam feliz, posso pedir a Deus que me faça aceitar a mim mesmo. Quando um problema me domina, os Doze Passos de A.A. me ajudam a crescer através da dor. O conhecimento que ganho pode ser um presente para outros que sofrem do mesmo problema. Como disse Bill: “Quando chega a dor, se espera que aprendamos a lição com boa vontade, e ajudamos os outros a aprenderem. Quando a felicidade chega, a aceitamos como uma dádiva e agradecemos a Deus por obtê-la.”

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Três Palestras às Sociedades Médicas por Bill W.


LIVRETE - TRÊS PALESTRAS ÀS SOCIEDADES MÉDICAS POR BILL W.
"Conheça a Literatura de Alcoólicos Anônimos para transmitir corretamente a mensagem".

O paciente, Sr. R., escolheu o Grupo Oxford da época como sua instituição religiosa. Terrivelmente castigado e quase sem esperança, entrou em grande atividade no grupo. Para sua alegria e assombro, prontamente cessou sua obsessão por bebidas.
Retornando à América, o Sr. R. encontrou um velho amigo de escola, um alcoólico crônico. Esse amigo – a quem chamaremos de Ebby – estava prestes a ser internado num hospital psiquiátrico estadual. Nessa conjuntura, um outro elemento vital foi adicionado à síntese de A.A. O Sr. R., alcoólico, conversou com Ebby, também um alcoólico e companheiro de sofrimento. Essa identificação profunda veio a ser o segundo princípio fundamental de A.A. Através dessa ponte de identificação, o Sr. R. transmitiu o veredicto do Dr. Jung de como a maioria dos alcoólicos era desenganada, do ponto de vista médico e psiquiátrico. Ele então apresentou Ebby ao Grupo Oxford, onde meu amigo rapidamente ficou sóbrio.

Meu amigo Ebby conhecia bem minha situação. Eu havia percorrido o itinerário familiar. No verão de 1934, meu médico, William D. Silkworth, deu-se por vencido e desenganou-me. Ele foi obrigado a me dizer que eu era vítima de uma compulsão neurótica para beber; que nenhum tratamento, educação ou força de vontade poderia detê-la. Acrescentou ainda que eu era vítima de uma desordem física que poderia ser de natureza alérgica; uma disfunção física que provocaria dano cerebral, a insanidade ou a morte. Aqui estava novamente o deus da ciência – que era então meu único Deus – esvaziando-me o ego. Eu estava pronto para receber a mensagem que em breve viria por intermédio do meu amigo alcoólico, Ebby.

Ele veio à minha casa num dia de novembro de 1934 e sentou-se à mesa da cozinha enquanto eu bebia. "Não, obrigado", não queria nenhuma bebida, disse-me. Muito surpreso, perguntei-lhe o que havia acontecido. Olhando-me de frente, disse: "Tenho religião". Isso foi demais: uma afronta à minha formação científica. Tão polidamente quanto possível, perguntei-lhe que tipo de religião ele tinha.
Então me contou de suas conversas com o Sr. R. e como o alcoolismo realmente era desesperador, segundo o Dr. Carl Jung. Acrescentando-se ao veredicto do Dr. Silkworth, esta era a pior notícia possível. Fui duramente atingido. Em seguida, Ebby enumerou os princípios aprendidos no Grupo Oxford. Embora aquela boa gente às vezes lhe parecesse agressiva demais, não poderia encontrar nenhuma falha na maioria dos seus ensinamentos básicos. Afinal, esses ensinamentos tornaram-no sóbrio.
Em essência, aqui estão, tal como o meu amigo os aplicava em 1934:
1. Ebby admitiu que era impotente para dirigir sua própria vida.
2. Tornou-se honesto consigo mesmo, como nunca fora antes; fez um "exame de consciência".
3. Fez uma rigorosa confissão de seus defeitos pessoais e, assim, deixou de viver sozinho com seus problemas.
4. Inventariou suas relações distorcidas com outras pessoas, visitando-as para fazer as reparações possíveis.
5. Resolveu dedicar-se a ajudar outras pessoas necessitadas, sem a usual necessidade de prestígio ou ganho material.
6. Através da meditação, procurou a orientação para a sua vida e ajuda para praticar esses princípios de comportamento por toda a vida.
Para mim, tudo isso soava ingênuo. Contudo, meu amigo continuou o singelo relato do que havia acontecido. Contou-me que, praticando esses ensinamentos, tinha parado de beber. Medo e solidão desapareceram e havia adquirido uma considerável paz de espírito. Sem rigorosas disciplinas ou grandes resoluções, essas mudanças começaram a surgir a partir do momento em que se pôs de acordo com esses princípios. Sua libertação do álcool parecia ser um produto secundário. Embora sóbrio há poucos meses, sentia-se seguro, pois agora tinha uma resposta básica. Evitando prudentemente os debates, despediu-se e partiu. A centelha que se converteria em Alcoólicos Anônimos tinha sido acesa. Um alcoólico havia estado falando com outro, estabelecendo uma profunda identificação comigo e colocando os princípios da recuperação ao meu alcance.
A princípio, a história do meu amigo produziu uma confusão de emoções desencontradas. Eu estava indeciso e revoltado ao mesmo tempo. Minha forma solitária de beber continuou por mais algumas semanas, mas não pude esquecer sua visita. Vários assuntos ocorreram em minha mente: primeiro, que era estranho e imensamente convincente o seu estado de evidente libertação; segundo, que ele havia sido desenganado por médicos competentes; terceiro, que esses velhos preceitos, quando transmitidos por ele, tocaram-me com grande força; quarto, que eu não poderia, nem queria, seguir adiante com nenhum conceito de Deus e que não faria nenhum sentido para mim, nenhuma conversão. Resumindo, tentando brincar com meus pensamentos, descobri que já não podia fazê-lo. Pelos laços da compreensão, sofrimento e singela verdade, um outro alcoólico me havia enlaçado a ele. Não podia me desligar.

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Uma manhã, após beber, tive uma inesperada revelação. E perguntei: "Quem é você para escolher a forma como recuperar-se? Mendigos não têm o direito de escolher. Suponha que a medicina diga que você tem um carcinoma. Você não iria tratá-lo com cosméticos. Tomado de medo, rapidamente suplicaria ao médico para dizimar aquelas diabólicas células cancerosas. E se ele não pudesse detê-las e você acreditasse que uma conversão religiosa poderia fazê-lo, o seu orgulho seria posto de lado. Se preciso fosse, por-se-ia de pé em praça pública e chorando diria 'Amém' junto a outras vítimas. Então, qual a diferença entre você e uma vítima de câncer? Seu corpo está se desintegrando. Do mesmo modo, desintegra-se a sua personalidade e a sua obsessão leva-o à loucura ou a funerária. Vai experimentar a fórmula do seu amigo ou não?"
Naturalmente, experimentei. Em dezembro de 1934, compareci ao Hospital Towns, de New York. Ao me ver, meu velho amigo, Dr. William Silkworth, balançou a cabeça, incrédulo. Tão logo me liberei dos sedativos e do álcool, senti-me terrivelmente deprimido. Ebby veio me visitar. Embora me agradasse vê-lo, retraí-me um pouco. Temia a evangelização, mas isso não aconteceu. Após conversar um pouco, pedi-lhe que falasse novamente com clareza da sua fórmula de recuperação. Mansa e calmamente, sem exercer nenhuma pressão, explicou-me. E então partiu.
Deitado e em grande conflito, mergulhei na mais negra depressão que havia sofrido. Por um momento, meu obstinado orgulho foi esmagado. E exclamei: "Agora estou pronto para fazer qualquer coisa, qualquer coisa para receber o mesmo que o meu amigo Ebby". Embora não esperasse nada, fiz esse frenético apelo: "Se existe um Deus, que se mostre por inteiro". O resultado foi instantâneo, elétrico, indescritível. O quarto iluminou-se de uma brancura intensa. Entrei em êxtase e vi-me numa montanha. Um vento intenso soprava, envolvendo-me e penetrando-me. Para mim, o vento não era feito de ar, mas de espírito. Veio-me fulgurante à mente um pensamento fantástico: "Você é um homem livre". E então o estado de êxtase cessou. Ainda deitado na cama, descobri dentro de mim um novo mundo de consciência, inundado da "presença". Unido com o universo, uma grande paz caiu sobre mim. "Então esse é o Deus dos pregadores, essa é a grande realidade." Mas, rapidamente, recobrei a razão e minha educação formal assumiu o comando. Eu deveria estar louco. Fiquei terrivelmente assustado.
Dr. Silkworth, um santo médico como nunca houvera igual, veio para ouvir-me contar hesitante esse fenômeno. Após interrogar-me cuidadosamente, assegurou-me de que não estava louco e que talvez eu tivesse tido uma experiência psíquica que poderia resolver o meu problema. Como um homem da ciência cético que era até então, essa foi uma resposta compreensiva e sagaz. Se tivesse dito "alucinação", eu poderia agora estar morto. A ele dedico minha eterna gratidão.

A boa sorte me perseguia. Ebby me trouxe um livro intitulado Variedades da Experiência Religiosa e eu o devorei. Escrito por William James, psicólogo, sugere que a experiência da conversão pode ter uma realidade objetiva. A conversão modifica a motivação e, de forma quase automática, possibilita uma pessoa ser e fazer o que era antes impossível. Interessante foi o fato de que as experiências de conversão ocorreram na maioria das vezes com pessoas que sofreram derrota total em determinada etapa da vida. O livro mostrava certamente essas variedades. Mas, se essas experiências eram brilhantes ou embaçadas, súbitas ou graduais, de caráter teológico ou intelectual, tais conversões tinham um denominador comum, operavam mudanças em pessoas completamente derrotadas. Assim afirmava William James, o pai da moderna psicologia. Após compreender esses fatos eu venho tentando aplicá-los.
Para os bêbados, a resposta óbvia era a deflação profunda, e quanto maior melhor. Isso me parecia claro como a água. Eu tive a formação de engenheiro e a visão autorizada do psicólogo significou tudo para mim. Esse renomado cientista da mente veio confirmar tudo que o Dr. Jung havia dito e ele havia documentado exaustivamente tudo o que havia afirmado. Desse modo, William James confirmou os fundamentos pelos quais eu e muitos outros temos nos mantido sóbrios todos esses anos. Eu não tenho tomado nenhuma bebida alcoólica desde 1934.

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Armado com absoluta certeza e animado pelo meu inato desejo de poder, lancei-me à tarefa de curar alcoólicos por atacado. Era duplamente impulsionado e as dificuldades nada significavam. Não me apercebia da enorme presunção do meu projeto. Recrutei a força durante seis meses e a minha casa se encheu de alcoólicos. Discursos bombásticos não produziram o menor resultado. (Para meu desapontamento, Ebby, meu amigo da conversa à mesa da cozinha e que estava mais doente do que eu supunha, demonstrou pouco interesse nesses alcoólicos. Esse fato pode ter sido a causa de suas recaídas, embora tenha eventualmente se recuperado.) Mas tinha descoberto que trabalhar com outros alcoólicos era de enorme importância sobre a minha própria sobriedade. Contudo, nenhum dos meus candidatos estava conseguindo ficar sóbrio. Por quê?
Pouco a pouco, os erros da minha abordagem tornaram-se claros. Algo semelhante a um fanático religioso, obcecado com a idéia de que todos teriam que ter uma "experiência espiritual" como a minha. Eu esqueci que James havia dito existir uma grande variedade de experiências transformadoras. Meus companheiros alcoólicos olhavam-me incrédulos ou zombavam sobre o meu "clarão". Sem dúvida, isso arruinava a forte identificação que era tão necessária estabelecer com eles. Tornei-me um evangelista. Obviamente teria que mudar a minha abordagem. O que havia acontecido comigo em seis minutos seriam necessários seis meses com os outros. Tive que aprender que as palavras eram apenas palavras e doravante teria que ser prudente.
Nessa conjuntura – a primavera de 1935 –, o Dr. Silkworth advertiu-me que eu havia esquecido tudo a respeito da deflação profunda do ego. Havia me transformado num pregador. E me disse: "Por que você não coloca a dura realidade da medicina a essas pessoas antes de mais nada? Esqueceu o que disse William James sobre a profunda deflação do ego? Dá-lhes os fatos médicos, com toda clareza. Não lhes conte do "clarão". Enumere extensivamente os seus sintomas, a fim de estabelecer uma profunda identificação. Se você agir dessa forma, os seus candidatos poderão vir a adotar os singelos princípios morais que você vem tentando ensinar a eles". Aqui estava a contribuição vital para a síntese. E uma vez mais foi feita por um médico.
Incontinente, substituiu-se a ênfase atribuída ao pecado pela enfermidade, a doença fatal, o alcoolismo. Nós citávamos a opinião de vários médicos que asseguravam de que o alcoolismo era mais letal que o câncer e que consistia numa obsessão mental acompanhada de crescente sensibilidade física. Esses eram os nossos fantasmas gêmeos. Loucura e morte. Apoiávamo-nos muito na declaração do Dr. Jung de quão desesperadora poderia ser essa situação e logo aplicávamos uma dose devastadora de conhecimentos a todo alcoólico ao nosso alcance. Para o homem moderno, a ciência é onipotente, virtualmente um Deus. Por isso, se a ciência proferir uma sentença de morte a um alcoólico e nós colocarmos esse veredicto terrível numa transmissão constante ao alcoólico, uma vítima falando a outra, pode abalar totalmente o ouvinte. Então o alcoólico pode voltar-se para o Deus dos teólogos, simplesmente por não ter mais lugar para onde ir. Por mais verdadeiro que fosse esse estratagema, certamente continha o seu lado prático. Imediatamente todo o ambiente modificou-se. As coisas começaram a melhorar.
Passados alguns meses, fui apresentado ao Dr. Robert S., um cirurgião de Akron. Era um alcoólico em péssimo estado. Desta vez não fiz nenhum sermão. Contei-lhe da minha experiência e do que conhecia sobre o alcoolismo. Porque nos entendemos e precisávamos um do outro, estabeleceu-se uma reciprocidade pela primeira vez. Esse encontro marcou o fim da minha postura de pregador. Essa idéia da necessidade mútua, acrescida ao ingrediente final da síntese da medicina, religião e da experiência do alcoólico constitui agora Alcoólicos Anônimos.

Reflexões Diárias de A.A.: 25/04


ENTRANDO NUMA NOVA DIMENSÃO
Nos últimos estágios de nosso alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A.A., nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O concebemos.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 283
O homem que disse isto estava muito melhor do que eu, obviamente. Gostei da ideia de admitir minha derrota e, desde então estou sempre livre! Meu coração ouviu o que minha mente não podia ouvir: “Ser impotente perante o álcool não é muito.” Estou livre e sou grato!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Hoje: Temática no Carmo-Sion: "A Prece da Serenidade"

CONVITE:

HOJE, 24/04, AS 19:30 TEREMOS UMA REUNIÃO ESPECIAL SOBRE A "PRECE DA SERENIDADE".


ABORDAREMOS:

- O QUE É SERENIDADE?

- AS ORIGENS DA PRECE DA SERENIDADE

- BILL W. E A PRECE DA SERENIDADE

COMPAREÇA E TRAGA MAIS UM COMPANHEIRO COM VOCÊ!



FRATERNALMENTE,



COMITÊ DE SERVIÇOS - GCS-AA

XI Ciclo de Estudos dos Doze Passos de AA - Faça já sua inscrição!!!



ORGULHO – AVAREZA – PREGUIÇA – INVEJA – GULA – LUXURIA – IRA

TIRE ESSES PESOS DA CONSCIÊNCIA

PARTICIPE DO 11º CICLO DE ESTUDO DOS DOZE PASSOS DE A.A

DIAS 29,30 DE JUNHO E 01 DE JULHO DE 2012
LOCAL: RECANTO COQUEIRO D'ÁGUA RUA MADRE GERTRUDES COMENSOLI, 225
SANTA LUZIA – MG (31) 3691-1166

VAGAS: 100
VALOR DA INSCRIÇÃO: R$ 180,00

INSCRIÇÕES: ESCRITÓRIO DE SERVIÇOS LOCAIS – AV. DOS ANDRADAS 302 – 5º ANDAR – 3224-7744

REALIZAÇÃO: 2º COMITÊ DE DISTRITO DA ÁREA DE MINAS GERAIS

INSCRIÇÕES TAMBÉM PODEM SER FEITAS POR CONTATO ATRAVÉS DESTE SITE OU PELO E-MAIL: COMPANHEIRO@AACARMOSION.COM

Frente a frente


Frente a frente

Os Doze Passos têm em si a força necessária para transformar nossa maneira de viver, devido ao grande conteúdo espiritual que contêm.

No Primeiro Passo reconhecemos as nossa fraquezas, não só com a bebida alcoólica, mas também nas pequenas atitudes do dia-a-dia.

No Segundo Passo pedimos apoio a alguém que, acreditamos, podia nos ajudar.

No Terceiro Passo entregamos nossa vida na mão de Deus, na forma como O concebíamos, para que nos desse força e coragem para mudarmos nossa forma de viver.

Esses três primeiros Passos são direcionados ao Poder Superior. A partir do Quarto Passo e até o Nono Passo, travamos uma luta tremenda conosco mesmos, retirando velhos conceitos de vida, desobstruindo emoções doentías que, através das nossas atitudes, nos levaram à angústia e ao sofrimento. No Décimo Passo já sentímos uma força interior que nos permite separar o joio do trigo.

No Décimo Primeiro Passo vamos entrar em contato direto com Deus, através da prece e da meditação. A partir desse momento, desperta em nosso coração uma grande vontade de viver, servindo de uma forma consciente às inspirações que nos chegam pela prece e meditação.
Podemos aplicar duas formas de oração: a primeira é aquela que, ao sair do nosso coração espontaneamente, vai a Deus; não tem fórmulas específicas, mas é mais sincera e temos um diálogo franco.

A segunda, que não deixa de ter o mesmo valor, é a prece que aprendemos para orar em conjunto com outras pessoas. Embora seja decorada, serve de modelo para todos e, quando em comunidade, nossa voz se junta a todas as outras, nosso pensamento deve estar em sintonia com o Poder Superior e dessa forma receberemos suas bençãos. Destaco duas orações muito conhecidas: o Pai Nosso e a Oração da Serenidade.

A meditação é algo ainda mais sublime, pois através dela nos colocamos em plena sintonía com Deus.
Deve ser feita num lugar onde o silêncio seja a nossa companhia, libertando de nossa mente os pensamentos alí existentes, assim como nossas emoções, permitindo dessa forma criar uma harmonia total, física, emocional e mental, para sentirmos a presença de Deus dentro de nós.

Entregando nossa vontade e nossa vida nas mãos Dele, estaremos orando sempre, e orar é conversar com Deus, é confiar plenamente Nele.

A partir daí podemos dizer que estamos preparados para manifestar a vontade plena do Poder Superior, seremos um só com Ele e vamos pôr em prática tudo o que o Décimo Segundo Passo nos ensina.

Fernando Luís R. Souza, Custódio não-alcoólico
Revista Vivência.

Reflexões Diárias de A.A.: 24/04


24 DE ABRIL
APRENDENDO A NOS AMAR
O alcoolismo significava solidão, embora estivéssemos cercados de pessoas que nos amavam... procuramos encontrar a segurança emocional dominando ou fazendo-nos dependentes dos outros... Ainda procuramos inutilmente obter segurança, através de alguma classe de dominação ou de dependência
NA OPINIÃO DO BILL, p. 252
Quando fiz meu inventário pessoal, descobri que tinha relacionamentos doentios com muitas pessoas na minha vida; meus amigos e minha família, por exemplo. Eu sempre me sentia isolado e solitário. Bebia para entorpecer a dor emocional.
Foi permanecendo sóbrio, tendo um bom padrinho e praticando os Doze Passos, que fui capaz de levantar minha baixa autoestima. Primeiro os Doze Passos me ensinaram a ser meu próprio melhor amigo e então, quando fui capaz de amar a mim mesmo, pude alcançar e amar os outros.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Eu estava totalmente "curado"


EU ESTAVA TOTALMENTE "CURADO"

"Quando entrei no quartinho onde minha esposa depositava os litros vazios tomei um enorme susto e perguntei: - Que garrafas são estas?"

No ano de 2000 estive em coma com os rins e fígado parados, mas graças ao Poder Superior consegui me livrar da morte prematura. Depois de dois meses e meio saí do hospital em uma cadeira de rodas porque não conseguia andar e durante três anos eu voltava duas vezes por semana para fazer diálise e exames diversos, quando voltei a andar.

Em 2004 meu estado clínico era estável; já conseguia fazer muita coisa sozinho como: chefiar a casa novamente, acompanhar o crescimento e desenvolvimento de minhas filhas, etc. Foi então que achei estar totalmente curado, e em festas me dei ao luxo de tomar cerveja sem álcool.

Sem perceber a doença estava me dominando novamente; estava completamente cego! Bebia Martini convencido de que era uma bebida fraca! Convenci-me também que cerveja era uma bebida fraca. Com a doença me dominando e cada vez mais cego comecei a tomar Vodka com Fanta.

Passaram-se semanas quando entrei no quartinho onde minha esposa depositava os litros vazios; tomei um enorme susto e perguntei: - Que garrafas são estas? Estão aí desde quando você voltou a beber. Então admiti que essa doença é mesmo incurável, fatal e progressiva.

Antes que minha situação se agravasse pedi à minha esposa que procurasse uma clínica para mim e rapidamente ela encontrou uma clínica em Timóteo, onde estive durante nove meses. Quando completei dois meses de tratamento, Alcoólicos Anônimos conseguiu um espaço na clínica todas as quintas feiras das 20h00min as 21h00min e desde então participei de todas as reuniões.

Quando completei seis meses, a clínica me concedeu a licença para ir a um grupo de A.A. fazer minha integração. Daí por diante comecei a fazer dois tratamentos. Um com a clínica e a recuperação em A.A.: fisicamente, psicologicamente e espiritualmente. Hoje, continuo minha recuperação em A.A. e consigo levar uma vida tranqüila com minha família.

Por isso, só tenho a agradecer a Diretoria da CLIREC, os membros e especialmente aos meus colegas internos, porque agora sei que carrego comigo uma doença crônica e jamais posso tomar o primeiro gole.

Meus agradecimentos aos companheiros de A.A. e da clínica.

Abraços Fraternos + 24 horas.

Henrique Barbi/Belo Horizonte/MG

Vivência nº109 ⒠ Setembro/Outubro/2007.

Reflexões Diárias de A.A.: 23/04


23 DE ABRIL
A.A. NÃO É UM REMÉDIO PARA TODOS OS MALES
Seria falso orgulho acreditar-se que Alcoólicos Anônimos é um remédio para todos os males, mesmo para o alcoolismo.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 285
Nos meus primeiros anos de sobriedade estava cheio de orgulho, pensando que A.A. era a única fonte de tratamento para uma vida boa e feliz. A.A. era certamente o ingrediente básico para minha sobriedade e, mesmo hoje, com cerca de doze anos de recuperação, estou muito envolvido em reuniões, apadrinhamento e serviço. Durante os quatro primeiros anos de minha recuperação, achei necessário procurar ajuda profissional porque minha saúde emocional estava precária. Existem aquelas pessoas que também encontraram sobriedade e felicidade em outras organizações. A.A. me ensinou que tinha a opção de fazer tudo o que fosse necessário para enriquecer minha sobriedade. A.A. pode não ser um remédio para todos os males, mas é o centro de minha vida sóbria.